Asos: vendas e lucros disparam

Quando se olha para o setor da moda no Reino Unido, torna-se claro que os retalhistas não são todos iguais face à adversidade: alguns sabem melhor do que outros como aproveitar ao máximo um ambiente por vezes difícil. A Boohoo já havia provado o seu valor e, na quarta-feira, foi a vez da Asos mostrar a extensão do seu talento, anunciando os seus resultados anuais para o período que terminou a 31 de agosto.


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Uma rápida leitura dos números é suficiente para convencer: o volume de negócios aumentou 26% para 2,417 mil milhões de libras esterlinas, ou 2,746 mil milhões de euros (+24% excluindo as taxas de câmbio); as vendas a retalho aumentaram 26%, para 2,355 mil milhões de libras (2,677 mil milhões de euros); as vendas a retalho no Reino Unido subiram 23% para 861,3 milhões de libras (979,4 milhões de euros); as vendas internacionais a retalho subiram 27% para 1,494 mil milhões de libras, ou 1,699 mil milhões de euros (+24%, excluindo o impacto das taxas de câmbio).

Número impressionantes por si só, mas uma progressão das vendas seria inútil sem aumento dos lucros, e a Asos também conseguiu também ser bem sucedida nessa frente. O lucro bruto saltou 29% para 1,273 mil milhões de libras (1,447 mil milhões de euros); a margem bruta das atividades a retalho aumentou de 48,6% para 49,9%; a margem bruta global aumentou de 49,8% para 51,2% e o lucro antes de impostos aumentou 28% para 102 milhões de libras (116 milhões de euros).

Estes números são tão positivos que é difícil saber por onde começar a analisá-los. O facto de o mercado britânico, que enfrenta grandes dificuldades, não parecer afetar os resultados da Asos é um ponto importante, assim como a importância de um crescimento ainda mais rápido das receitas internacionais para a empresa. Outro elemento de análise: a empresa obviamente não sacrifica os seus lucros para obter vendas mais elevadas.

MAIS CLIENTES, MAIS DESPESAS

Analisando mais de perto, a empresa afirma que o número de clientes ativos aumentou 19%, o valor do cesto de compras médio aumentou 1% e a frequência de pedidos 7%.

E a empresa parece bem posicionada para continuar o seu crescimento: a fase 1 do seu hub americano está operacional, e a fase 2 do seu centro europeu na Alemanha "está a progredir bem".

Assim sendo, a Asos não precisou de alterar as suas previsões, que esperam que a médio prazo as vendas subam de 20 a 25%.

O CEO Nick Beighton sublinhou o seu potencial futuro, antes de declarar que estes resultados foram alcançados apesar de um programa de investimento massivo, que absorveu grande parte da sua liquidez. "A Asos está a progredir a bom ritmo e destaca-se da concorrência", acrescentou. "O potencial da nossa empresa é enorme - continuamos focados no desenvolvimento da Asos, tornando-a o destino número um do mundo dos jovens consumidores apaixonados por moda.”

O potencial da Asos pode ser claramente visto no desenvolvimento dos seus produtos. A sua nova marca, Collusion, originalmente projetada em colaboração com seis jovens influenciadores e lançada a 1 de outubro, foi recebida de forma muito encorajadora.

A empresa expandiu ainda mais a sua oferta de produtos, com o lançamento bem-sucedido do activewear Asos 4505, o relançamento da Face + Body, que inclui parcerias estratégicas com a Estée Lauder e a L'Oréal, novas colaborações exclusivas e a adição de 300 novas marcas no site, bem como a remoção de um número equivalente de marcas.


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A marca Asos Design continua a representar quase 40% do volume de negócios. Incluindo colaborações exclusivas com marcas terceiras, 50% da oferta de produtos é exclusiva da própria retalhista.

A Asos Design foi a primeira a comercializar uma das peças-chave da última temporada, o vestido abotoado. Mais de meio milhão de vestidos Asos Design foram criados e vendidos, cortados em diversos tecidos e estampados, incluindo linho e motivos florais. O estampado animal também representou uma tendência notável, com quase 2 mil modelos comercializados e 1,3 milhões de exemplares vendidos - para homem e mulher.

CRESCIMENTO MUNDIAL

Pelo terceiro ano consecutivo, a empresa registou um crescimento do seu volume de negócios de mais de 20%. Em outubro de 2014, havia estabelecido o objetivo de aumentar o seu volume de negócios anual para 2,5 mil milhões de libras (2,84 mil milhões de euros) até ao exercício de 2020, mas vai chegar a esse nível dois anos antes do prazo que estabeleceu.

De maneira encorajadora, o ramo britânico não faz recuar as suas ambições e teve "um ano excecional, especialmente agradável dado o difícil ambiente comercial", disse Nick Beighton. A empresa ganhou participação de mercado e o número de clientes ativos no Reino Unido aumentou 15%, enquanto a frequência média de compras aumentou uns impressionantes 10%.

As vendas da UE também contribuíram para este bom resultado, graças a um aumento de 28% (excluindo o impacto do câmbio), com o número de clientes ativos a crescer 25%, chegando aos 7 milhões, mais 1 milhão do que no seu mercado interno.

Nos Estados Unidos, o crescimento do volume de negócios foi de 25% durante o exercício, e o número de clientes ativos aumentou 19%. O seu principal objetivo na região? A conclusão bem-sucedida da fase 1 do seu novo centro americano em Atlanta, que lhe permitirá melhorar a sua proposta ao cliente, enquanto economiza nos custos de envio no futuro.

Finalmente, o volume de negócios do resto do mundo progrediu 18% (excluindo o impacto do câmbio), tendo o número de clientes ativos aumentado 17% para 2,8 milhões, “com prestações particularmente agradáveis na Rússia e em Israel, e um contexto ligeiramente mais desafiador na Austrália".

A Asos não espera que o crescimento global diminua tão cedo: de acordo com a empresa britânica, as despesas de consumo globais continuarão a migrar para o comércio eletrónico. A Asos cita os números da GlobalData, que mostram que a taxa de penetração online deve aumentar de 8% para 10% por ano até 2023.

E para tirar o melhor partido dessa oportunidade, a fim de aumentar as suas hipóteses de alcançar clientes na internet, a Asos concentra os seus esforços nas novas tecnologias e nas novas linhas de produtos.

O envolvimento através das redes sociais continua a ser um elemento-chave da estratégia de conteúdo comercial da Asos. A marca foi uma das primeiras a utilizar o Instagram Stories, onde registou um "envolvimento fantástico", antes de continuar a sua estratégia com a ferramenta geolocalizada Instagram Shopping. A Asos foi a primeira marca a ser lançada com sucesso em várias moedas, após ter colaborado com as redes sociais para ultrapassar os problemas cambiais. 

Traduzido por Estela Ataíde

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