Blanco, de regresso ao concurso de credores

A Blanco solicitou de novo o concurso voluntário de credores em Espanha e Portugal, uma situação que a marca venceu em 2014, depois de ser comprada pela Alhokair, a qual a marca regressa depois que os seus atuais donos não conseguiram dar entrada em novos investimentos, nem gerar lucros nesses mercados.

Coleção outono-inverno 2016 de Blanco - Blanco

Na atualidade, a empresa que opera por meio da Global Leiva, encontra-se nas mãos do fundo AC Modus (Dubai), que transferiu a propriedade ao grupo saudita Alhokair.
 
Em um comunicado, a AC Modus assegurou que, depois da aquisição da companhia, manteve um importante investimento em sua atividade em Espanha e Portugal.
 
"No entanto, após uma exaustiva revisão do modelo e do plano de negócio da Blanco, projetado para gerar lucros tanto em Espanha como em Portugal, ambas as divisões continuam a fazê-lo", apontou a companhia.
 
Ac Modus acrescenta que durante os últimos meses tentou atrair possíveis investidores para participar no negócio espanhol e português e que, embora os esforços realizados, "os intentos para encontrar um investidor idóneo tiveram resultados infrutíferos".
 
Segundo a mesma fonte, as "difíceis" circunstâncias, que atravessam tanto a divisão espanhola como aquela portuguesa, "obrigaram a marca a submeter-se aos procedimentos de insolvência aplicáveis em cada país".
 
Na nota, os proprietários da Blanco afirmam estar "plenamente conscientes" dos efeitos que esta decisão pode representar para a totalidade da companhia em ambos os países, enquanto insistem que a situação do negócio exige "a adoção de decisões baseadas na evolução do mercado e do futuro da sociedade".
 
A companhia optou por apresentar o concurso porque sua intenção é executar o processo de forma ordenada e com o mínimo impacto negativo tanto para a companhia como para os credores.
 
Os trabalhadores da Blanco, que soma 102 lojas em Espanha e 980 empregados, protagonizaram diversos protestos nos últimos meses face à situação de incerteza que gerou a Global Leiva ao anunciar sua intenção de apresentar um ERE que nunca se materializou.
 
Segundo consta em sua web, a Blanco possui lojas também em Andorra, Arábia Saudita, Arménia, Azerbaijão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Geórgia, Honduras, Jordânia, Cazaquistão, Kuwait, Macedónia, Malta, Moldávia, Peru, Portugal e Catar.
 
Desde 2013, a companhia passou por dois expedientes de regulação de emprego (ERE) que levaram, em seu conjunto, à perda de cerca de 900 empregados.
 
Desde o anúncio do possível ERE, a emprea fechou cerca de quinze lojas pela falta de pagamento de aluguel, segundo os sindicatos, que acusaram os proprietários da rede de tentar iludir a marca e de tornar as lojas do género vazias para que "eles não tenham nada o que vender, não gerando receitas", como estratégia para justificar o ERE.
 
Em janeiro de 2014, um tribunal comercial de Madrid aprovou a venda da maior parte dos ativos da cadeia têxtil a Alhokair em uma transação avaliada em cerca de 40 milhões de euros.
 
Segundo os sindicatos, a Global Leiva está vinculada ao Alhokair, que havia transferido a titularidade da empresa em uma operação de "engenharia contábil".

Traduzido por Anderson Alexandre Da Silva

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