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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
31 de out. de 2018
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4 Minutos
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Bob Kirkwood (Invista): “A Lycra continuará a ser a Lycra mesmo após ser comprada"

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
31 de out. de 2018

Nos dias 18 e 19 de outubro, a Lycra, que está prestes a ser vendida à empresa chinesa Shandong Ruyi, realizou o seu simpósio bienal Lycra Fiber Moves, em Como, tália. Bob Kirkwood, vice-presidente de tecnologia da atual proprietária da marca, Invista, conversou com a FashionNetwork.com e falou sobre o impacto dessa mudança de propriedade, mas também sobre a saúde do mercado e o desafio que representam os clientes millennials.


Bob Kirkwood - Invista


FashionNetwork .com: O que vai mudar com a Lycra a ser controlada por uma empresa chinesa?

Bob Kirkwood: Continuaremos a ser a mesma empresa, as mesmas pessoas continuarão em contato com ps nossos clientes, continuaremos a investir em inovação ... Então a mudança não será enorme. Ainda não tivemos a oportunidade de trabalhar com as equipas da Shandong Ruyi, pois ainda somos propriedade da Invista. Mas, devo dizer que estamos bastante entusiasmados com esta compra. Acreditamos que este será um novo capítulo na nossa longa história e estamos ansiosos para ver aonde isso nos irá levar.

FNW: Poderia dar-nos mais detalhes sobre as ambições da Shandong Ruyi para a marca?

BK: Ainda não tivemos a oportunidade de discutir estes pontos e teremos que esperar pelo sinal verde das autoridades chinesas. Mas, o que sabemos é que a nossa equipa, incluindo o presidente David Trerotola (presidente da Invista Apparel) e eu faremos parte da compra. Então, a estrutura continuará basicamente a mesma após a compra, isso é certo. A Lycra continuará a ser Lycra mesmo após ser comprada.

FNW: O que poderia nos dizer sobre a saúde atual do mercado de meias e collants?

BK: Penso que podemos dizer que é um mercado forte e que ainda há uma capacidade de desenvolvimento muito grande. Não só na Europa, mas também na China, olhando do ponto de vista do consumo. Estamos muito comprometidos em encontrar novas oportunidades e acreditamos que as tecnologias que revelámos irão ajudar as nossas marcas parceiras a atender melhor às necessidades e expectativas dos consumidores.

FNW: O ano atual é complexo para o setor ...

BK: Não é um bom ano, isso é um facto. O clima não tem sido tão cooperativo quanto esperávamos. Mas, também é uma ilustração perfeita do motivo pelo qual estamos a procurar diversificar a nossa oferta com o lançamento de inovações. Porque a nossa ambição é inspirar os clientes a comprarem meias e collants para mais ocasiões ao longo do ano.

FNW: Este simpósio falou sobre os millennials. Seriam eles o foco da sua comunicação hoje em dia?

BK: Sim, efetivamente. Há dois ou três anos ficou claro que tínhamos uma base muito fiel de clientes, que amam a Lycra, mas também que havia uma parte significativa da geração mais jovem que não conhecia a nossa marca. Um estudo mostrou que precisamos de ser conhecidos por esses clientes e isso tem sido o foco das mensagens de marketing que desenvolvemos desde então, bem como dos nossos métodos, que se tornaram mais digitais do que nunca para alcançar melhor essa faixa etária. 

FNW: Como é dividido o negócio da Lycra entre os seus vários campos de aplicação?

BK: Temos um grande raio de ação. Investimos em pesquisas para meias, collants, jeans, activewear, lingerie e moda praia. Registámos hoje o nosso maior crescimento nos mercados de jeans e activewear. Neste último, isso é baseado numa macro-tendência: um estudo muito interessante mostrou que apenas 11% dos compradores de calças de ioga são praticantes da modalidade. Então, este é um produto utilizado em muitas ocasiões. Quanto aos jeans, temos experimentado um crescimento muito forte, e a aspiração crescente à "performance" nos últimos dois anos reforçou isso. Enquanto isso, o setor que mais sofreu mudanças foi o da lingerie, que passou a sobrepor-se ao da activewear e da athleisure. Isso leva-nos a procurar novas abordagens.

FNW: A tecnologia tornou-se um forte objetivo para as marcas?

BK: Estamos constantemente a trabalhar para reduzir os desperdícios nas nossas fábricas e para diminuir o uso de energia e água. Reduzimos esses três pontos. Algo interessante é que nos pedem frequentemente para fabricar Lycra reciclada. Um dos nossos problemas é que não temos desperdícios suficientes nas nossas fábricas para isso, pois acreditamos que a melhor abordagem é não ter desperdícios, então não é preciso reciclar. As nossas fábricas podem sempre melhorar. A Lycra Sensation, que vamos lançar no ano que vem, vem de produções que usam menos água. Lançámos há alguns anos o primeiro elastano orgânico. A verdade é que não tivemos uma grande recetividade do mercado. Este não estava pronto, mas pode ficar. 

FNW: A Ásia continua a ser o alvo principal?

BK: Na verdade, em termos de fibras, vemos o maior potencial de crescimento na Ásia, mas também vemos fortes oportunidades na Europa, norte da África e América. Especialmente porque se fala cada vez mais sobre a realocação de produções, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Mas, até que isso aconteça, a maior produção envolve a China e todo o sudeste da Ásia.

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