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30 de nov de 2020
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Brexit sem acordo prejudica emprego na ITV

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Portugal Textil
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30 de nov de 2020

A falta de acordo entre a UE e o Reino Unido pode levar a uma perda conjunta de 127 mil postos de trabalho na indústria têxtil e vestuário, a que se somará uma redução do valor acrescentado da produção que pode chegar a 9,7% na UE. Os números são da Euratex, que apela a um “soft Brexit” para minimizar os efeitos negativos.



Um novo estudo comissionado pela Euratex com a Universidade de Leuven revela que um Brexit sem acordo teria um impacto negativo na indústria têxtil e vestuário, com a perda de mais de 100 mil postos de trabalho nos 27 países da UE e mais de 27 mil no Reino Unido. As conclusões apontam ainda que as perdas no Reino Unido seriam de 41,8% do seu valor acrescentado na produção de têxteis e vestuário, enquanto o bloco europeu iria registar uma perda de cerca de 9,7%.

Atualmente está a ser feito um esforço final nas negociações, mas o cenário de um Brexit sem acordo ainda está em cima da mesa caso não haja a ratificação a tempo do Acordo de Saída ou se o mesmo for ratificado mas não haja um acordo sobre a relação futura entre a UE e o Reino Unido antes do fim do período de transição, sublinha, em comunicado, a confederação europeia da indústria têxtil e vestuário.

Um cenário de “soft Brexit”, com um acordo definido, iria minimizar os danos, mas ainda assim, refere a Euratex, «iria ser disruptivo para as cadeias de valor europeias e levar a fortes perdas de emprego». Neste caso, o Reino Unido poderá perder 4.759 postos de trabalho e 7,3% do valor acrescentado na produção, enquanto na UE poderão ser eliminados 17.786 empregos e implicar uma redução de 1,7% do valor acrescentado na produção.

Em termos de emprego e valor acrescentado, Irlanda, Bélgica, Países Baixos, Suécia, França, Dinamarca e República Checa serão os países mais afetados dentro da UE27, enumera a Euratex. Para a Irlanda e a Bélgica, um Brexit sem acordo pode levar a perdas de 23% e 14% de empregos no setor e a uma redução de 40% e de 25% no valor acrescentado do setor, respetivamente.

Apelo ao entendimento

«Estes números refletem as preocupações legítimas das empresas com um Brexit sem acordo. As relações comerciais entre a UE e o Reino Unido são uma componente essencial do seu modelo de negócio competitivo, de ambos os lados. Para a indústria têxtil e vestuário, oferecemos uma solução win-win (integrar o Reino Unido na Convenção Pan-Euromediterrânica), que iria limitar as disrupções na cadeia de valor têxtil e vestuário a um mínimo», explica Dirk Vantyghem, diretor-geral da Euratex.

«Peço aos líderes políticos de ambos os lados que usem o seu senso comum e pensem nos empregos que estão em jogo. As nossas empresas estão a tentar manter os níveis de emprego, apesar do impacto do Covid-19. Não podemos dar-lhes mais fardos», acrescenta o presidente da confederação, Alberto Paccanelli.

No caso português, o Reino Unido representou, em 2019, 7,5% das exportações de têxteis e vestuário, num valor de 392,8 milhões de euros, significando menos 1,6% do que em 2018. O país foi o quarto maior mercado, mas tem vindo a registar uma evolução negativa, que entre 2015 e 2019 foi equivalente a menos 9,4%.

Entre as principais categorias exportadas, destaca-se o vestuário e seus acessórios, de malha, que representa 46% do total de exportações deste tipo, sendo também de destacar as exportações de vestuário e seus acessórios, exceto de malha, com uma quota de 19%, outros têxteis confecionados (15%) e pastas, feltros, falsos tecidos e cordoaria (6%).

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