Burberry regista um 2017 de transição bastante reconfortante

A Burberry está constantemente sob análise, pelo que o mesmo ocorreu com os seus resultados anuais de 2017, que foram meticulosamente avaliados, visto que a empresa está a viver um momento de mudanças estratégicas, bem como de CEO e diretor de criação.


Burberry - primavera-verão 2018 - Moda Feminina - Londres - © PixelFormula

O anúncio dos resultados anuais preliminares da empresa foi o grande assunto de quarta-feira (16). Como se saiu a famosa marca durante o ano fiscal que encerrou a 31 de março? A Burberry ainda está a enfrentar desafios em algumas partes do mundo, mas parece estar no caminho certo.

Vendas praticamente estáveis, mas com melhor rentabilidade

Como resultado da mudança de estratégia, agora mais focada em luxo, a Burberry recebeu "o primeiro feedback positivo dos clientes de retalho e atacado" e as suas coleções "atingiram novos consumidores, mas também [os seus] clientes históricos”.

Em termos puramente financeiros, as receitas caíram 1%, para 2,733 mil milhões de libras esterlinas (3,191 mil milhões de euros), a taxas de câmbio correntes e constantes. O facto de a Burberry ter feito um acordo com a Coty para a licença dos seus cosméticos pesou: excluindo a vendas de cosméticos por atacado, a receita da marca aumentou 2%, para 2,66% mil milhões de libras.

O lucro operacional ajustado aumentou 2% (5% a taxas de câmbio constantes) para 467 milhões de libras (533 milhões de euros), enquanto a margem operacional ajustada passou de 16,6%, no ano anterior, para 17,1% em 2017. A empresa registou um lucro operacional de 410 milhões de libras, um aumento de 4%.

Segundo a Burberry, as suas vendas no retalho cresceram 3% no ano, ante 1% no ano anterior. No entanto, a marca fechou 20 lojas durante o período, com a maioria a ocorrer perto do final do ano, incluindo sete apenas na última semana. Ainda é difícil determinar o impacto disto nos próximos resultados.

No âmbito digital, o comércio eletrónico continuou a crescer, particularmente na Ásia, e as transações móveis representaram 40% das vendas pela internet. A recente parceria com a Farfetch também trouxe à empresa um enorme potencial de desenvolvimento na internet.

O atacado, com exceção do setor de beleza, registou um aumento de 2% na receita, mas estagnou a taxas de câmbio constantes. Este resultado foi ligeiramente superior ao esperado, graças à melhoria no número de pedidos das coleções sazonais.

Para o ano fiscal de 2019, a Burberry informou que os seus resultados estão, até agora, em linha com as suas metas, e que deve economizar 100 milhões de libras de custos ao longo do ano.


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Burberry - primavera-verão 2018 - Moda Feminina - Londres - © PixelFormula

O CEO da Burberry, Marco Gobbetti, está confiante com o futuro: "A profunda transformação da Burberry ainda será concretizada, mas os primeiros passos que demos para restaurar a energia da nossa marca começaram a dar frutos". Christopher Bailey foi muitas vezes alvo de críticas quando era CEO da Burberry - embora ninguém tenha questionado a qualidade do seu trabalho criativo e o impacto benéfico que teve na marca. Hoje, a Burberry tem um novo diretor artístico - Riccardo Tisci -, mas este último, que chegou recentemente, não teve influência nos resultados divulgados na quarta-feira.

A Europa Continental caiu ligeiramente

Na região Ásia-Pacífico, a marca britânica, que beneficiou dos fluxos de turismo no segundo semestre do ano, registou crescimento de um dígito. Enquanto as vendas subiram na China, o crescimento de um dígito no primeiro semestre desacelerou no segundo, em comparação com um ano anterior muito forte.

Hong Kong teve uma melhoria ao longo do ano, registando crescimento de um dígito (alta faixa) no segundo semestre, mas a Coreia do Sul teve um declínio, apesar de uma melhoria no segundo semestre.

Na região da Europa, Médio Oriente e Índia, os negócios ficaram "geralmente estáveis" em relação ao ano anterior, embora tenham diminuído no segundo semestre do ano, uma vez que os números foram afetados pela comparação com o ano anterior, marcado pelo Brexit e pela explosão de vendas britânicas derivadas do mesmo. O Reino Unido registou, portanto, apenas um crescimento fraco no primeiro semestre e um declínio no segundo, como esperado. A Europa Continental também experimentou um ligeiro declínio, uma vez que os gastos dos turistas foram menores no segundo semestre, enquanto o Médio Oriente "continuou a ser um mercado complicado, afetado pelo ambiente macroeconómico".

Felizmente, o continente americano alcançou uma boa pontuação, particularmente encorajadora porque a região continua difícil para um grande número de marcas de luxo europeias, devido a problemas cambiais e dificuldades em grandes armazéns. Nos Estados Unidos em particular, um melhor fluxo de clientes e taxa de conversão em vendas nas lojas permitiu um regresso ao crescimento nos últimos seis meses do ano.

Em relação aos produtos, a Burberry destacou que "os clientes das principais lojas responderam positivamente às atualizações e inovações sazonais". O redesenho da oferta impulsionou as vendas de blusas, saias e calças no segundo semestre do ano, enquanto a inovação nas principais categorias da Burberry, como os trench-coats, proporcionou um bom desempenho. A marca britânica também registou bons resultados com os seus artigos de couro e novos modelos de carteiras.

Novos artigos de couro chegarão em breve

As decisões tomadas no ano passado visam assegurar um futuro próspero para a Burberry. A empresa embarcou num plano de reorganização, com o objetivo de melhorar a sua distribuição. A colaboração com a Farfetch também lhe permite alcançar mais de 150 países e, ao transferir as atividades de beleza para a Coty, a Burberry apoia-se num especialista reconhecido na área.

A Burberry afirmou que conseguiu melhorar a sua oferta, "com coleções menores, mais eficientes, que atraem novos consumidores, mas também clientes históricos", e começou a sua transformação no campo de artigos de couro, que terá "uma série lançamentos".

Os parceiros atacadistas da empresa também "responderam positivamente" à nova estratégia. Especialistas aguardam ansiosamente os próximos resultados da Burberry, bem como o primeiro desfile de Riccardo Tisci, que se realiza em setembro.

Traduzido por Novello Dariella

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