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Portugal Textil
Publicado em
21 de fev. de 2018
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3 Minutos
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Calçado português não deixa pegada

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Portugal Textil
Publicado em
21 de fev. de 2018

​Nae Vegan Shoes, Marita Moreno e Ultra Shoes responderam à convocatória da Ethical Fashion Show e caminharam em direção a Berlim com calçado feito de couro vegetal, cortiça, pneus e airbags ou garrafas de plástico.

Marita Moreno- Marita Setas Ferro


A Nae propõe uma alternativa justa e amiga dos animais à indústria do calçado. Tudo começou há 10 anos porque, como explica o gerente Alex Pérez, «Portugal era um país produtor de calçado, reconhecido internacionalmente, mas sem marcas vegan». Garantindo oito postos de trabalho diretos, o sourcing da Nae é realizado em Portugal, Itália e Espanha, mas toda a produção é garantida por empresas nacionais em regime de subcontratação.

As vendas, que «duplicaram no ano passado» acontecem online, na loja física da marca no LX Factory e em 130 lojas multimarca espalhadas pelo mundo. «90% do que produzimos é para exportação», revela Alex Pérez. Em destaque nos materiais naturais está a cortiça e a folha de ananás e, nos materiais reciclados, a Nae usa pneus, airbags e garrafas de plástico. O airbag reciclado é, de resto, o mais recente material utilizado pela marca de calçado, que se apresenta pioneira neste campo. «Desta forma, estamos a dar uma nova vida a um material que não tem mais utilidade, reaproveitando a poliamida presente nos airbags e dando-lhe assim uma nova finalidade», esclarece o gerente.

Nova vida tem também dado a Marita Moreno aos desperdícios da indústria na linha “Upcycling” – que se junta à “Vegan” e à “Sustainable” dentro da coleção 100% sustentável da marca de calçado e acessórios. «É a nossa primeira coleção sustentável, usámos couro vegetal, cortiça e couro sem crómio», afirma a fundadora Marita Setas Ferro. «O objetivo é tornarmo-nos 100% sustentáveis», sublinha. Desde o nascimento, em 2008, a Marita Moreno comprometeu-se com a utilização de materiais nacionais, «cerca de 80% a 95% são materiais portugueses, quer artesanais quer industriais». Pele, lã, cortiça, burel, linho e algodão têm dominado a lista de matérias-primas usadas no calçado e carteiras da marca, que se alinham numa estética contemporânea, a que se somam elementos do património. EUA, Inglaterra e Alemanha já se adornam em português graças à Marita Moreno.

Apresentada há quatro anos e funcionando como um cartão de visita para as valências da Lucília, Vieira & Lima, a trajetória da marca Ultra Shoes tem sido orientada pelo know-how acumulado pela empresa no private label. «Neste momento, na empresa, a produção de artigos sustentáveis já corresponde a 15% da produção. Começámos com sapatos biodegradáveis, depois avançámos para o upcycling e logo a seguir iniciámos o vegan que, das três áreas, é a que tem um peso maior», indica Pedro Lima, manager da Ultra Shoes, acrescentando que, neste momento, «há sapatos vegan que são mais de 90% reciclados, em peso». Assente num modelo de negócio B2B, a Ultra Shoes representa atualmente 15% das vendas da Lucília, Vieira & Lima e exporta praticamente a totalidade da produção. «O mercado alemão representa mais de 70% daquilo que vendemos», adianta Pedro Lima sobre o primeiro mercado da marca.

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