Chanel incorpora um espírito silvestre

Neste último dia de uma temporada internacional de moda muitas vezes dominada por cabeças clonadas, tecidos holográficos e peças futuristas, a mais recente coleção da Chanel por Karl Lagerfeld foi impressionante: uma expressão do chic, capaz de capturar o esplendor único da natureza.
 
Chanel, outono / inverno 2018 - Pixelformula

Momento silvestre na Chanel, num desfile encenado no meio de uma enorme floresta, recriada de forma impressionante no Grand Palais, para apresentar uma ampla gama de roupas de outono chics e estilosas. As paredes foram decoradas com enormes pedaços de madeira velha, os dois mil convidados ficaram empoleirados em bancos de madeira, e o piso foi coberto com raízes e folhas entrelaçadas, um cenário realmente impressionante.

O famoso tweed da Chanel foi revisitado em tons de laranja, magenta e púrpura - os padrões de tecido pareciam imitar formas das montanhas Adirondacks, as florestas do norte da Europa ou a Sibéria de Dersu Uzala (filme de Akira Kurosawa de 1975). Foram apresentados longos blazers e saias com comprimento até os tornozelos combinados com o casaco clássico da Chanel de quatro bolsos. Além disso, os lenços complementaram inúmeros looks.

Também marcaram presença muitos casacos longos bordados com flores de tecido e micro-penas, neste desfile que trouxe 81 looks. Maravilhosas criaturas selvagens balançavam as folhas enquanto passavam pela passarela com peças de jacquard com bordados densos ou vestidos de tricot complementados por correntes e colares adornados com pérolas. Toques de folhas douradas em todos o lado, juntamente com botas cuissardes pontiagudas e belos escarpins.

"É o tipo de verão indiano que eu adoro, com as folhas douradas. É uma atmosfera muito bonita: o outono sempre foi a minha estação favorita. Eu cresci no campo, numa casa cercada por árvores, que se pareciam um pouco com isto. De certa forma, volto às raízes da minha infância", explicou Karl Lagerfeld no backstage, depois de posar para os fotógrafos ao lado de Carla Bruni.

Enquanto os aplausos ecoavam no Grand Palais, Karl saudou brevemente o público, acompanhado pela sua nova top model favorita, Luna Bijl.

As modelos incorporaram um ar falsamente austero, os seus cabelos foram erguidos em coques soltos e a maquilhagem foi deliberadamente escura e sombria. Para a noite, uma série de vestidos pretos elegantes, estilo négligé, como o usado por Kaia Gerber, a nova embaixadora da marca. O seu look foi complementado com luvas cor-de-rosa até aos cotovelos e uma nova carteira dobrável flexível, a 31, um trocadilho com a expressão francesa "se mettre sur son 31", que quer dizer "vestir-se de maneira muito chic".

"Kaia é fabulosa, a sua mãe é fabulosa e ela é maravilhosa. Mas, a minha top favorita é a Luna, a menina holandesa com quem vim cumprimentar público. Ela é tão engraçada e é parte do minha novo gangue, chamo-lhes Choupettes: inclui a filha de Vanessa Paradis, Lily Rose, e meu afilhado Hudson", brincou Karl fazendo referência ao seu amado gato, Choupette.

Ao ser questionado o jantar de moda organizado na noite anterior no Palais de l’Elysée, esta foi a resposta de Karl: "Anna [Wintour] queria que eu fosse com ela. Fui convidado, mas nunca vou a festas ou eventos no dia anterior ao desfile. Isso traz má sorte. Além disso, ouvi dizer que os jovens designers não estavam muito apresentáveis. Apenas Anna estava vestida como uma rainha", disse Karl, vestido com um casaco preto decorado com flores miniaturas em tecido, calças de camurça e gravata clássica em seda preta, decorada com uma enorme safira.

"Os políticos franceses têm sempre medo da moda. Temem que a sua imagem fique associada aos ricos e à alta costura. Então, foi bom o Macron querer mudar isso ao organizar este jantar. Bravo!”, concluiu.

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