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Helena OSORIO
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7 de jul. de 2021
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Chanel medita sobre musas e museus na Alta Costura

Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
7 de jul. de 2021

A última coleção de alta costura da Chanel, apresentada no Palais Galliera numa manhã nublada de terça-feira (6 de julho), em Paris, resultou numa nova meditação de moda sobre musas e museus.

The CHANEL Fall-Winter 2021/22 Haute Couture Show


O Palais Galliera – também conhecido como Musée de la Mode de la Ville de Paris, e antes, como Musée Galliera – é um museu da moda e da história da moda localizado no número 10 da avenida Pierre 1er de Serbie, no 16.º arrondissement de Paris.

Trata-se de um dos maiores museus de moda do planeta, que é também uma pérola arquitetónica em homenagem à sua antiga proprietária e mentora, a Duquesa de Galliera, Maria Brignole Sale de Ferrari. Nascida numa família nobre em Génova, a duquesa casou em grande riqueza e tornou-se uma notável filantropa, socialite e colecionadora de arte. Também permitiu a fundação dos primeiros museus na sua terra natal de Génova, o Palazzo Rosso e o Palazzo Bianco, bem como o Hospital Galliera (originalmente com o nome de Santo André) e o hospital infantil de San Filippo.
 
Grande parte desta coleção da Chanel foi uma homenagem modernista às obras de arte preferidas da duquesa e aos arquivos de moda do Palais Galliera. O museu possui mais de 70.000 obras, incluindo peças de vestuário da rainha Maria Antonieta, imperatriz Josefina e Audrey Hepburn, bem como extensas coleções de grandes maisons francesas como a Dior, Jacques Fath, Balmain, Givenchy, Poiret, Saint Laurent e obviamente Chanel.
 
O elenco emergiu da imponente porta interior com colunas de pedra esculpida e desceu a escadaria principal em fatos de tweed bordados verdadeiramente elegantes, saias requintadamente cortadas até ao joelho; e tops muito elegantes, bordados em tons metálicos de paisley. A diretora criativa da Chanel, Virginie Viard, também criou belíssimas saias de longo comprimento até ao tornozelo e belos casacos de gola alta em jacquard rosa.


Chanel - Alta Costura - outono-inverno 2021/2022 - Photo: Chanel


Viard também jogou habilmente com o ADN da marca, renovando o clássico casaco de quatro bolsos da Chanel num redingote de tweed brilhante, emparelhado com uma saia mais comprida com bolsos, e completado apenas com um soutien preto por baixo. Arriscado sem ser grosseiro, um exemplo do espírito mais jovem que Viard trouxe para a Chanel.
 
Acabado com um penteado aristocrático e arrojado, um carrapito coberto com tranças africanas punk apresentado com humor. O vestido de cintura ao estilo império em seda rosa revelou-se uma maravilha, especialmente por ser usado com flores a espreitarem por baixo da bainha.

Tal como na arquitetura e decoração ecléticas do Galliera se combinam desenhos de inspiração renascentista, linhas Belle Époque e técnicas de construção de estruturas metálicas do final do século XIX, a coleção misturou diferentes épocas e estilos. A estrutura inferior de aço do edifício é obra de Gustave Eiffel, cuja lendária torre pode ser vista do jardim desta villa como referência à grande obra de engenharia – o que foi também recordado nas fitas pretas de vários looks.
 
"Em modo de musa do museu. Pelo menos cantamos sobre museus, mas não o suficiente sobre musas. Talvez por as encontrarmos tão raramente. A não ser quando temos essa oportunidade", escreveu Viard de forma críptica no programa afixado no lugar de cada convidado.

O Palais Galliera acolhe atualmente a exposição retrospetiva da blockbuster Gabrielle Chanel, intitulada Fashion Manifesto (Manifesto da Moda), que traça os seus primeiros dias, abrindo a primeira loja de chapéus em Deauville antes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918); a invenção do pequeno vestido preto dos Roaring Twenties (como seja a década de 1920, um período de efervescência cultural em Nova Iorque, Chicago, Paris, Berlim, Londres e noutras grandes cidades, durante uma época de sustentada prosperidade económica); e o desenvolvimento do perfume mais famoso do mundo, o Chanel N.º 5.


Chanel - Alta Costura - outono-inverno 2021/2022 - Photo: Chanel


Apresentada ao ar livre em dois desfiles de moda, cada um para apenas 100 convidados, a coleção foi também uma espantosa expressão da rara habilidade e do savoir-faire dos artesãos. Com o valioso contributo da recentemente aberta divisão de Paraffection da Chanel – no novo e importante centro denominado 19M no canto nordeste de Paris, em Porte Pantin – que reúne e salva, de muitas maneiras, uma herança francesa única: os seus especialistas em moda que criam bordados, tecidos plissados, acabamentos em penas, luvas de luxo, sapatos e chapéus.

Como a deslumbrante blusa de pétalas brancas plissadas de hoje, usada sobre uma fabulosa saia comprida de penas de marabu, que era o epítome da elegância artística e de classe. E que, claro, se mantém no ADN chave da Chanel.
 
Em poucas palavras: a verdadeira alta costura Chanel. Numa altura em que a chegada de tantos novos costureiros a Paris, nos últimos anos, significa que há demasiada experimentação na alta costura, e pouca graça e requinte.
 
Como o vestido de noiva perfeitamente cortado, com o qual todas as coleções da Alta Costura culminam. Neste caso, um vestido de seda de coral, diabolicamente simples, com ligeiras mangas presunto e véu cor-de-rosa armado numa pequena cartola. A noiva virou-se no final, nos degraus do Palais Galliera, para atirar o seu ramo de flores por cima do ombro. A sortuda foi a editora da revista americana InStyle, Laura Brown, que recebeu o maior aplauso da época em Paris.
 
Para informação, a referida jornalista de moda australiana está noiva do seu namorado de longa data desde finais de 2019.
 

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