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Christian Dior traz o melhor de '68

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
today 27 de fev de 2018
Tempo de leitura
access_time 4 Minutos
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A habilidade da moda para prever o futuro e prever mudanças sociológicas foi evidente na divertida e vibrante última coleção de Maria Grazia Chiuri para a Dior. Como a designer está acostumada a fazer desde que chegou à marca, desta vez voltou a mostrar a sua postura feminista com estilo e celebrou os direitos das mulheres. Uma mensagem que, com as suas coleções anteriores e para o seu orgulho, previu o movimento social mais importante dos últimos 12 meses, o "Me Too".
 

Christian Dior, outono-inverno 2018 - Pixelformula


O seu look de abertura já dizia tudo: uma modelo com uma saia xadrez de comprimento médio, com botas mecânicas e uma sweater de lã branca, no qual estava escrito "C'est Non Non Non et Non" ("É não, não, não, e não", em francês), a exigência mais genuína do movimento "Me Too", que ressalta que quando as mulheres dizem "não", realmente é "não" que querem dizer.

De peças de militantes feministas até chapéus de capitão, passando pelas calças masculinas e os óculos de sol vermelhos estilo estrela de rock, esta coleção mostrou as mulheres a usufruir e até a vangloriarem-se da sua independência. Uma independência alcançada também graças às suas mães e tias nos anos 60, como lembrou o cenário maravilhoso do desfile, cortesia de Alex de Betak.

Havia uma colagem gigantesca, de 80 metros de comprimento, com capas da Vogue e da Harper's Bazaar, posters de "girl power” e imagens de marchas de protesto com mensagens em inglês, italiano e francês. Algumas das que tinham maior destaque eram "Attenzione, parole libere" ("Atenção, liberdade de expressão"), em italiano, ou "La Beauté est dans la rue" (“A beleza está na rua"), em francês. Havia também algumas fotos em preto e branco selecionadas dos arquivos de Dior e datadas de 1966, a mostrar um grupo de mulheres em frente a uma loja da Dior a segurar cartazes com os dizeres "Miniskirts Forever!” ("minissaias para sempre!”), e "Dior Unfair to Mini Skirts!” (“Dior, injusta com as minissaias!”). A mensagem foi claramente ouvida pela maison na época pois, depois disso, o diretor criativo Marc Bohan decidiu lançar a Miss Dior, uma coleção mais jovem de prêt-à-porter que trouxe mais frescor à marca de alta costura.

"Isso aconteceu numa época que Diane Vreeland batizou como youth-quake (algo como terremoto dos jovens) e que, de alguma forma, mudou o mundo nos anos sessenta. Foi um movimento em Inglaterra e em França que se espalhou, quebrou as antigas regras e revolucionou a moda. E acredito que estamos a ver exatamente o mesmo hoje através das redes sociais. A próxima geração também quer mudar e melhorar o seu mundo!”, explicou Maria Grazia Chiuri num backstage lotado.

Chiuri também vestiu algumas modelos com sweaters com estampados "Ban the Bomb”, contra as bombas, e ponchos arty esquerdistas. Além disso, a maioria das suas modelos usou chapéus que poderiam ser associados a Lenin ou Jeremy Corbyn, mas talvez não às compradoras tradicionais da Dior.

As mulheres Dior da designer italiana gostam de se divertir. É por isso que esta levou à passarela boleros e vestidos funky com patchwork, fatos em couro de pele cordeiro, e muitos looks transparentes, como vestidos de chiffon vermelho estilo flamenco, e vestidos em renda branca transparente de estilo vitoriano. Uma mulher precisaria de estar em forma para usar muitos destes vestidos. E pensar que costumavam insistir que a gordura também é uma questão feminista…
 
Merecem destaque as belas mantas ou vestidos de crochet, e lindos vestidos de flores ajustados com grandes cintos de couro com fivelas com enormes letras D, que marcaram presença em metade da coleção.

A banda sonora capturou perfeitamente o espírito livre do desfile, pois incluiu uma série de músicas de Kate Bush. "Ela é a mulher mais poderosa da música. Esta é a razão pela qual está a tocar neste desfile", disse o DJ Michel Gaubert, responsável por tocar as faixas musicais.
 
O desfile também anunciou a mudança de controlo na direção da Dior, com Pietro Beccari sentado na primeira fila como o novo CEO da marca, em frente ao seu antecessor, Sidney Toledano, e ao seu sucessor no seu antigo trabalho, Serge Brunschwig, o novo CEO da Fendi
 
Maria Grazia Chiuri saiu para saudar o público rodeada por uma onda de aplausos fortes, a recepção mais barulhenta desde que entrou na marca. No entanto, não se pôde deixar de observar que o patrono da Dior e o homem mais rico da França, Bernard Arnault, se ausentou.

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