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9 de set. de 2021
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Collina Strada em horta psicadélica na noite de estreia da New York Fashion Week

Publicado em
9 de set. de 2021

Na noite de estreia da New York Fashion Week (NYFW) – de volta aos desfiles físicos após uma longa pausa de 18 meses ocasionada pela pandemia – a Collina Strada escolheu não por acaso o local do seu show num antigo bairro industrial de Brooklyn, vendo do alto os barracões e armazéns nova-iorquinos. Hillary Taymour (a fundadora e alma da Collina Strada) elegeu para apresentar a sua coleção feminina, para a estação de primavera-verão 2022, uma horta urbana recriada mais propriamente no jardim do telhado do Brooklyn Grange, em Sunset Park. Uma forma de reafirmar o seu compromisso para com uma moda mais sustentável. Como uma mensagem ao mundo, que sensibiliza para a realidade da vida nas cidades e necessidade de mudança.


Criações da Collina Strada captadas nos bastidores, antes do desfile na New York Fashion Week - Getty / AFP


Alguns dias antes do desfile, Taymour comentou no seu estúdio em Manhattan, a inspiração chave desta nova coleção: "Temos uma rainha da quinta, uma rainha do skate, uma rainha do baile e uma princesa sapo". Também uma mensagem simples, que visa a liberdade de todas as mulheres se poderem vestir como rainhas que são, e mais após um ano de paragem mundial.

Segundo a AFP, esta é uma coleção resolutamente assertiva, alegre e acessível. Com cores fortes entre o laranja brilhante, verde e amarelo e estampas de flores e estrelas, em tecidos onde são implantados padrões psicadélicos – uma inspiração já vista em mostras anteriores da marca, que também se afirma comercial.

Hillary Taymour joga com códigos de liberdade, em looks que não se sentiriam deslocados nos bairros da moda de Brooklyn, ousando contrastes entre longos vestidos que caem e deslizam sobre ténis, e materiais brilhantes sobrepostos em tecidos mais clássicos.


Desfile de moda da Collina Strada numa horta urbana instalada num teto de um edifício em Brooklyn - Getty / AFP


De salientar igualmente a liberdade também na forma como desfilam e se movem as manequins: na Collina Strada, o elenco é inclusivo e diversificado, atendendo a todas as idades, a todas as etnias, a todos os tamanhos, e a todas as atitudes, na medida em que as modelos atravessam a passerelle caminhando, acenando, saltando, correndo, abraçando-se, arrancando e comendo cenouras. Mas, principalmente, soltando um sorriso de orelha a orelha, por entre os caminhos incertos da horta, fazendo a ligação entre o mundo natural e o mundo degradado à sua volta.

Hillary Taymour recorre também a personalidades, que reforçam este pragmatismo, como a atriz americana de ascendência russa, Sasha Frolova, que desfila com uma saia de macramé e um fato de treino cingido ao corpo. A própria Taymour leva um cesto de flores frescas, de mãos dadas à sua avó, a fazer de jardineira. 

Na primeira fila reconhecem-se também famosos, como Kim Petras, cantora e compositora alemã radicada em Los Angeles; Tommy Dorfman, ator americano que em julho se assumiu como mulher transexual nas redes sociais; Hari Nef, atriz, modelo, escritora e ativista americana pelos direitos transgéneros; Aaron Philip, a modelo afroamericana transgénero, natural de Antígua, que nasceu com paralisia cerebral; Camila Mendes, a atriz e cantora americana de ascendência brasileira; e Ella Emhoff, modelo, artista e estilista americana – enteada da vice-presidente dos EUA, Kamala Harris – que parecia estar, literalmente, a comer uma cenoura.

Ainda na opinião da AFP, outro evento que marcou a noite foi a apresentação do designer americano Christian Siriano, que teve lugar em Manhattan, no cenário mais clássico do Gotham Hall, um antigo banco transformado em salão de eventos. 


Uma criação de Christian Siriano apresentada na New York Fashion Week - Getty / AFP


Contudo, a NYFW só arrancou oficialmente e em força, na quarta-feira (8), com shows durante todo o dia, que se prolongam até domingo, altura em que a semana da moda encerrará com Tom Ford. Parte da programação será transmitida online, com talks e ativações de marcas, além dos desfiles. O evento ocorrerá no Spring Studios, com alguns designers e marcas a apresentarem as novas coleções noutros locais espalhados a toda a cidade de Nova Iorque.

A AFP reforça que, a NYFW está de volta aos desfiles físicos, com alguns estilistas famosos que entretanto a abandonaram, tais como o americano Thom Browne, que vestiu Michelle Obama (entre outras personalidades), ou como o franco-americano Joseph Altuzarra, nascido e criado em Paris, que se dedica a uma moda multicultural, sofisticada e intemporal.

As semanas de moda retomaram em geral o seu formato presencial, com a NYFW a abrir o calendário internacional, seguida pelas semanas de moda de Londres (17-21 de setembro), Milão (21-27 de setembro) e Paris (de 27 de setembro a 5 de outubro). Além disso, pela primeira vez após a pausa de um ano, o Met Gala encerrará a programação da NYFW, na segunda (13), agora focado em atrair a Geração Z como público-alvo. 
 

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