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Comprar roupas: cada vez mais fora de moda no Reino Unido

Por
Stylo Urbano
Publicado em
today 27 de out de 2016
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Uma tendência chamada 'Novo Consumismo' cresce cada vez mais e faz com que as pessoas comprem de forma mais consciente do que antes. Em vez de comprar roupas, os Britânicos preferem investir em viagens de férias e idas a restaurantes. O lucro das maiores retalhistas do país tem despencado, uma vez que suas vendas caíram 4,4% em cinco dos últimos seis meses. Assim, as vendas entraram em declínio pela primeira vez em mais de 20 anos.

 
As maiores lojas da Grã-Bretanha estão a sofrer como resultado. Marks and Spencer, maior retalhista de roupas da terra da Rainha com 10% do mercado, está a cortar postos de trabalho depois de relatar sua maior queda trimestral em vendas de roupas em mais de uma década, em julho.
 
French Connection, por outro lado, não tem reportado aumento do lucro desde 2012. Mesmo algumas das marcas de rua mais famosas parecem lutar para enfrentar a pressão da concorrência com constantes descontos.

A rede de lojas John Lewis teve uma queda nos lucros semestrais de 75%, e a rede de moda rápida Primark, cujas lojas de rua são as mais visitadas, informou a primeira queda em vendas em suas lojas no Reino Unido em 16 anos. A empresa culpou o outono mais quente ano passado e a primavera fria deste ano.
 
Segundo investigação com 15.000 britânicos conduzida pela empresa Kantar Worldpanel, os consumidores acreditam que o clima torna-se cada vez menos previsível, o que significa que eles esperam que o frio do inverno ou a onda de calor do verão se materializem antes de comprar qualquer coisa.
 
Mas essa mudança de consumo de moda decorre também em outros países, como França e Estados Unidos, que experimentam uma desaceleração semelhante nas vendas de roupas, embora não tão grande como no Reino Unido, sugerindo que a mudança climática pode ser apenas uma parte do todo.

As razões pelas quais a compra de roupas fica cada vez mais fora de moda:
• Diante de um clima imprevisível, as pessoas esperam para comprar roupas de verão ou inverno até que precisem realmente;
• Os clientes agora esperam pelos saldos antes de comprar, para não pagar o preço cheio das peças;
• Desde o lançamento da calça de ganga 'skinny' há dez anos, os retalhistas dizem que não houve nenhuma grande tendência a varrer a moda nos últimos anos para forçar os consumidores conscientes a mudarem seus guarda-roupas;
• Os consumidores da Geração Y economizam com experiências, como férias ou jantares, em vez de gastar com moda.

No entanto, outro fator importante que poderia estar a influenciar essa mudança é que as pessoas estão cansadas de gastar tempo e dinheiro com coleções de moda que só remexem estilos passados. Era uma questão de tempo para que os compradores fizessem uma pausa. Em 2016, no Reino Unido, um consumidor médio comprou 60 peças de roupas novas, a primeira queda em sete anos, de acordo com analistas de mercado. Vendas agora acontecem mensalmente, por isso é fácil para os compradores esperar por oportunidades. Há descontos em abundância.
 
O consumo de moda está a perder sua influência sobra a geração Y
 
É justamente na geração do milénio, ou geração Y, que houve uma queda percetível no consumo de roupas. Os consumidores menores de 25 anos compram menos, enquanto as pessoas mais velhas, entre 45 e 50 anos, aumentam a quantidade de gastos com roupas para seus filhos, filhas. Alguns retalhistas têm culpado a indústria da moda. No início deste ano, Richard Hayne, presidente-executivo da Urban Outfitters, disse que a última grande tendência da moda surgiu há 10 anos com a cala de ganga 'skinny'.


"Desde então tivemos todas as variedades de skinny: de cintura baixa à alta, mas hoje, o cliente está com o armário cheio desses modelos. Sem uma nova moda para impulsionar compras, os clientes podem facilmente adiar seus gastos", disse o dirigente ao sítio The Independent. Richard Hayne acredita que a moda pode ter "perdido um pouco da sua magia com a geração do milénio.
 
Os consumidores de hoje reavaliam suas prioridades e questionam o que realmente acham que tem valor. Isso se encaixa na tendência crescente de 'Novo Consumismo', um termo cunhado pela empresa de investigação Euromonitor para descrever um movimento generalizado que prioriza o consumo conscientes sobre o consumo impulsivo.
 
Há oito principais tendências que compõem o Novo Consumismo:
 
1) A economia circular (onde tudo é utilizado e nada é desperdiçado).
2) A inovação frugal (eliminação de caraterísticas não essenciais e muitas vezes dispendiosas de um produto ou serviço).
3) Negociação (consumidores tornaram-se compradores mais inteligentes, não têm vergonha de procurar oportunidades e a tecnologia contribuiu para isso).
4) A economia de compartilhamento (que liga a oferta à procura, interrompendo a forma tradicional de condução de negócios).
5) Experiência (priorização do fazer, ver e sentir sobre o 'possuir mais coisas').
6) Tempo para si (um aumento das tarefas terceirizadas para se ter mais conveniência).
7) Reavaliar a própria utilização do espaço (ou seja, realmente preciso de viver numa casa grande?).
8) A economia 'gig' (caraterizada por contratos de curto prazo de trabalho e 'freelance', bem como pela capacidade de se movimentar).
 
No mundo da moda, o 'Novo Consumismo' se traduz em demanda por maior transparência, valores de marca autêntica, processos de produção sustentáveis, economia de compartilhamento e experiências de retalho originais. Será que os jovens da geração do milénio estão a cansar-se do hiper consumismo da moda rápida e estão a buscar algo melhor para si e para o mundo?

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