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Por
AFP
Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
2 de nov. de 2021
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5 Minutos
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Conferência climática: líderes mundiais movem-se para "salvar a humanidade"

Por
AFP
Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
2 de nov. de 2021

O mundo tem de agir agora para "salvar a humanidade" dos impactos catastróficos do aquecimento global, insistiu António Guterres – o engenheiro, político e diplomata de Lisboa, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2017 – antes dos líderes mundiais se reunirem em Glasgow, na segunda-feira (1 de novembro), para a tão esperada COP26, na 26.ª Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima, que decorre até 12 de novembro.


Boris Johnson, Joe Biden e António Guterres na COP26 em Glasgow, no passado dia 1 de novembro - AFP


"É tempo de dizer 'Basta'", disse Guterres a cerca de 120 líderes de todos os continentes e a milhares de delegados e observadores na COP – sigla em inglês de Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (UNFCCC), também conhecida na origem como “Convenção do Rio”, criada na Cimeira da Terra, que foi realizada no Rio de Janeiro em 1992.

"Já chega de brutalizar a biodiversidade. Já chega de nos matarmos com o carbono. Já chega de tratar a natureza como uma casa de banho. Basta de queimadas e de perfuração e de mineração cada vez mais profunda. Estamos a cavar as nossas próprias sepulturas", insistiu, denunciando o nosso "vício em combustíveis fósseis".

Entretanto, a ser homenageada na COP26, a marca de moda londrina focada na ética e consciência social – a qual é apoiada na produção por empresas portuguesas como a Valérius Têxteis e a Crispim Abreu – acaba de ser reconhecida como líder em moda sustentável, tendo-lhe sido atribuído pelas Nações Unidas o prémio Climate Neutral Now. Esta é a primeira vez que o prémio global é atribuído a uma empresa de moda, que vai ter também uma portuguesa a recebê-lo durante a conferência em Glasgow. Nada mais nada menos do que Ana carneiro, que lidera o programa de sustentabilidade da marca com mais de 80% das suas peças produzidas em Portugal.

Já antes de Guterres, manifestou-se o anfitrião da cimeira, o primeiro ministro britânico Boris Johnson: "A humanidade tem estado a brincar durante algum tempo com o clima. Falta um minuto para a meia-noite do relógio do dia do juízo final. Temos de agir agora", disse Boris Johnson, alertando para a raiva "incontrolável" que resultaria de um fracasso desta COP26, seis anos após o Acordo de Paris.

Boris acrescentou ainda que "os nossos filhos, os não nascidos e os seus filhos (...), se falharmos, não nos perdoarão", fazendo eco das acusações de "blá blá blá blá" feitas recentemente pela ativista sueca Greta Thunberg aos líderes mundiais.

A jovem musa atualmente com 18 anos – líder do movimento FFF (Fridays For Future, em português Sextas-feiras pelo Futuro ou também Greve das Escolas pelo Clima) – e muitos outros jovens ativistas, vieram a Glasgow para exercer pressão sobre os líderes, apelando aos bancos para "deixarem de financiar a nossa destruição", reforçou Thunberg. 

Os ativistas apelam aos bancos para que não emprestem dinheiro a empresas e projetos que utilizam combustíveis fósseis, tais como carvão, petróleo e gás natural. Numa petição online que já ultrapassou a marca de um milhão, apelam para "enfrentar a emergência climática. Não no próximo ano. Não no próximo mês. Agora". Resumindo as suas queixas numa simples palavra: "traição".

Os observadores esperavam que a reunião de fim-de-semana dos líderes do grupo G20, que são responsáveis por quase 80% das emissões globais de gases com efeito de estufa, desse um forte impulso à COP escocesa, que foi adiada por um ano devido à pandemia de COVID-19.

Uma questão de credibilidade



O G20 reafirmou em uníssono o objetivo de limitar o aquecimento a +1,5°C em comparação com a era pré-industrial, acrescentando uma ambição de neutralidade de carbono por volta de meados do século e o fim dos subsídios às centrais elétricas alimentadas a carvão no estrangeiro. Mas isto não convenceu as ONGs ou António Guterres, que expressou as suas "esperanças frustradas".


Mapa do clima e dos compromissos largamente insuficientes - AFP


Os EUA têm estado a apontar o dedo a Pequim, dizendo estar "desapontados" com a falta de compromissos da China, o maior poluidor do mundo, e da Rússia no G20. Os presidentes chinês e russo estão entre os grandes ausentes na COP26, mas uma mensagem escrita de Xi Jinping ficou de ser divulgada.

As apostas da COP26, que deverá durar duas semanas, são numerosas, cada uma mais difícil e explosiva do que a última, no contexto de uma pandemia global que enfraqueceu os países pobres já vulneráveis aos impactos das alterações climáticas.

Primeiro: ambição. Os atuais compromissos dos cerca de 200 signatários do Acordo de Paris, se cumpridos, levariam a um aquecimento "catastrófico" de 2,7°C de acordo com a ONU.

Enquanto alguns estão relutantes em acelerar a transição, que requer investimentos maciços, Joe Biden, pelo contrário, salientou a "incrível oportunidade" que isto representa para a economia mundial, assegurando que os Estados Unidos estavam prontos a "liderar pelo exemplo".

Quanto ao presidente francês Emmanuel Macron, apelou aos "maiores emissores" de gases com efeito de estufa para "aumentar a sua ambição nos 15 dias" da COP26, para "(re)credibilizar a nossa estratégia" de combate ao aquecimento global, referindo-se em particular à China e à Rússia.

Enquanto Pequim acaba de apresentar formalmente os seus novos compromissos climáticos, que incluem, mas não reforçam, as promessas feitas pelo presidente Xi Jinping, a Índia (outro grande emissor) está agora no centro das expectativas.

Se o primeiro-ministro indiano Narendra Modi fizer algum anúncio, durante o seu discurso, poderá "colocar mais pressão sobre a China e outros", comentou Alden Meyer, um analista do laboratório de ideias europeu E3G.

António Guterres, secretário-geral da ONU na COP26


"Sobrevivendo"



Outro tema quente é a promessa ainda não cumprida pelos países ricos de aumentarem a sua ajuda climática aos países em desenvolvimento para 100 mil milhões de dólares por ano a partir de 2020.

O objetivo foi de facto adiado três anos para 2023, reforçando a crise de confiança entre o norte, que é responsável pelo aquecimento global, e o sul, que é vítima dos seus efeitos.

"Para aqueles que têm olhos para ver, ouvidos para ouvir, e corações para sentir: para sobreviver, precisamos (limitar o aquecimento) a +1,5°C; 2°C seria uma sentença de morte para o povo de Antígua e Barbuda, Maldivas, Fiji, Quénia ou Moçambique, Samoa e Barbados", disse Mia Mottley, a primeira-ministra de Barbados no Caribe, que também se pronunciou na segunda-feira (1).

"Não queremos esta sentença de morte e viemos aqui para dizer: 'dupliquem os vossos esforços, dupliquem os vossos esforços'", insistiu Mottley. "Queremos estar por cá dentro de 100 anos.
 

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