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Agência LUSA
Publicado em
1 de set. de 2014
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Consórcio luso-moçambicano promete construir parques têxteis em Moçambique

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Agência LUSA
Publicado em
1 de set. de 2014

Maputo (Lusa) – A criação de dois parques industriais e o aumento da produção global de algodão em Moçambique são alguns dos compromissos assumidos pela fábrica de capitais luso-moçambicanos Mozambique Cotton Manufacturers (MCM), hoje inaugurada em Marracuene, nos arredores de Maputo.

Com a fase de produção de algodão já lançada, a MCM deu hoje mais um passo rumo à sua máxima "do campo para a prateleira", ao dar início à unidade de fiação de algodão de Marracuene, nas antigas instalações da empresa Riopele, e nas quais espera criar um parque industrial, que atrairá cerca de 150 pequenas e médias empresas do setor têxtil para o local.


Segundo o presidente do Conselho de Administração da Intelec Holdings, que detém uma quota de 15% no consórcio luso-moçambicano, nos próximos seis meses, a empresa pretende arrancar com a terceira fase do projeto, a unidade de tecelagem, que criará 750 postos de trabalho, num processo que só será concluído com a entrada em funcionamento de uma tinturaria.

Dentro de dois anos, quando já tiver lançado um centro tecnológico para a formação de trabalhadores, a MCM deverá voltar-se para o projeto do parque industrial têxtil de Mocuba, na província da Zambézia, um "velho sonho" do país, lançado na década de 1980 pelo antigo Presidente Samora Machel, e que se desvaneceu antes de atingir o esplendor desejado, dado a guerra civil que o país viveu na época.

"O nosso grande objetivo é Mocuba, que é um velho sonho moçambicano, que vem dos tempos do antigo Presidente Samora Machel, mas primeiro temos de formar recursos humanos para depois apostar neste [segundo] parque industrial", adiantou à imprensa Salimo Abdula.

Do trio industrial que compõe a participação lusa no projeto, designadamente a MundoTêxtil, MundiFios e a Crispim Abreu (85% repartidos em partes iguais), é esperado não só o capital, mas a transferência de conhecimentos, que os investidores portugueses se mostram interessados em trocar pela oportunidade de entrar em mercados praticamente inacessíveis às empresas europeias.

"No momento imediato, os mercados da África do Sul, Tanzânia e Brasil, que têm barreiras alfandegárias para a Europa, mas não para Moçambique", segundo disse à Lusa José Pinheiro, líder da MundiTêxtil, assegurando que a aposta no mercado moçambicano não vai representar uma deslocação da produção portuguesa para o país.

"O sonho de qualquer industrial é conseguir controlar as fontes de aprovisionamento da matéria-prima e Moçambique tem as condições que se exigem, porque tem bom algodão e bons custos energéticos para a sua transformação", acrescentou.

A energia, um "fator crucial" para o desenvolvimento da unidade industrial de Marracuene, levou a MCM a entrar em negociações com o consórcio ENH-KOGAS para a instalação de um "pipeline" de gás natural até ao local, com vista à produção de nove megawatts, estando também projetado o desenvolvimento de uma central de tratamento de águas residuais na região, e cuja construção a empresa espera contar com o apoio das autoridades distritais.

Entretanto, um pequeno batalhão de expatriados portugueses andará à volta da maquinaria da nova fábrica, procurando transmitir às equipas locais a "cultura e a tradição profissional da indústria têxtil e de fiação há muitos anos" perdida em Moçambique, uma situação que não se aplica ao moçambicano João Albino Macuácua, antigo trabalhador da Riopele.

"Trabalhei aqui durante cerca de duas décadas com a Riopele, até que a empresa fechou em 2004. Convidaram-me para voltar, o que para mim é um grande orgulho, é como voltar a casa", disse à Lusa o eletricista.

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