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Publicado em
21 de set de 2020
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6 Minutos
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Consumidores em mutação

Por
Portugal Textil
Publicado em
21 de set de 2020

A pandemia está a moldar as atitudes e comportamentos das pessoas, numa visão alterada pela própria geração, que irá definitivamente influenciar o consumo, pelo menos, no curto e médio prazo.



Com objetivos e visões distintas sobre a vida, a idade vai influenciar a resposta de cada geração de consumidores ao pós Covid-19. Numa altura em que a sociedade mundial está a entrar num novo normal, 98% dos consumidores sentem que o novo coronavírus vai influenciar a economia mundial, segundo um estudo da First Insight. O gabinete de tendências WGSN revela, contudo, que a forma como esse impacto será sentido e as reações ao mesmo serão diferentes consoante as gerações.

Boomers

Tendo passado semanas ou meses em isolamento, os Boomers abraçaram as ligações virtuais, as compras online e os serviços permitidos pela tecnologia. À medida que se tornam cada vez mais conscientes da sua conveniência e qualidade, muitos vão manter estes novos hábitos digitais depois da pandemia.

De acordo com um estudo de março da First Insight, 71% dos Boomers nos EUA afirmaram que o novo coronavírus influenciou como e onde compram, um aumento de 173% em comparação com o inquérito anterior, e 24% estão a comprar mais online. Esta geração foi também a menos frugal durante a pandemia, com apenas 38% a reduzir o consumo, em comparação com 54% da Geração X, 49% dos Millenials e 51% da Geração Z.

«As marcas e retalhistas têm de pensar além dos estereótipos etários e arranjar novas formas de envolver a geração mais velha. Têm de ter em conta a sua curva de aprendizagem e assegurar experiências user-friendly para criar fidelização», refere o WGSN.

Ao mesmo tempo, os Boomers, que já foram rotulados como a geração que nunca se reforma, enfrentam o risco de serem empurrados da vida ativa. «Esta reforma será muito diferente e os Baby Boomers mais novos, nos seus 50 e 60 anos, vão procurar formas de se manterem na população ativa», adianta o demógrafo australiano Bernard Salt, em entrevista à 7News.

Geração X

Uma nova geração de adultos de meia idade deverá despoletar o seu potencial e liderar a inovação com resiliência e autoconfiança. A Geração X representa agora mais de metade dos cargos de liderança, com um forte sentido de espírito empreendedor e capacidade de colaboração.

Esta geração está agora a ter um papel mais relevante na administração da crise, fazendo a gestão familiar enquanto tomam conta dos pais e dos filhos. Mais do que nunca, a família está a tornar-se o centro das suas vidas, tendo assumido uma função de professores durante o encerramento das escolas, ao mesmo tempo que procuram novas formas de se ligarem e se divertirem com as diferentes gerações.

«As marcas e retalhistas têm de ter em conta o esgotamento da Geração X entre as responsabilidades de cuidadores e o teletrabalho. Compras sem stress e simples e serviços que possam tornar as suas vidas mais fáceis serão apelativos», indica o WGSN, acrescentando ainda que «eles vão também procurar mais oportunidades para abraçar a solidão e ter tempo de qualidade para relaxarem completamente».

Com a prioridade dada a tempo bem gasto, as marcas que procuram enaltecer a criação de comunidades devem usar estratégias de retalho que fomentem essa coletividade, que podem incluir a oferta de cursos, workshops e oportunidades de networking.

Millennials

A enfrentar a segunda grande crise económica desde que entraram no mundo do trabalho, os financeiramente ansiosos Millennials deverão tornar-se super-poupadores avessos ao risco. Em abril de 2020, a Data for Progress revelou que 52% dos americanos com menos de 45 anos tinham perdido o emprego, estavam em licença ou com redução de horário devido à pandemia.

«Quando subitamente se acorda para a realidade de que o mundo é muito mais frágil do que se acreditava anteriormente, há muito menos apetite para assumir riscos sobre o futuro do que antes», destacou Morgan Housel, partner na empresa de capitais de risco Collaborative Fund, numa entrevista em abril à CNBC.

Os Millennials deverão, por isso, continuar a reduzir o consumo. Segundo um estudo de março da app de finanças pessoais Tally, 59% dos Millennials admitiram que tinham tomado ou estavam a planear medidas para poupar devido à pandemia, em comparação com 44% da Geração Z, 47% da Geração X e 35% dos Baby Boomers. Isso significa adiar grandes compras ou não essenciais e fazer apenas os pagamentos mínimos no cartão de crédito. Para atrair esta geração, «as marcas e retalhistas devem focar-se no valor e oferecer preços acessíveis e promoções para atrair estes consumidores atentos aos preços no pós-pandemia», sublinha o WGSN.

Geração Z

A atravessar a pandemia numa altura de vida de formação pessoal, a Geração Z não está apenas a perder grandes marcos de passagem como também a sentir-se cada vez mais ansiosa devido à grande dose de incerteza experienciada atualmente.

Um estudo de abril da Prosper Insights and Analytics assevera que 32,7% dos indivíduos da Geração Z estão a vivenciar ansiedade por estarem confinados em casa, bem acima da média de 22% em todos os grupos etários. «É quase como se esta geração vá ter um sentido de stress pós-traumático coletivo», explicou à Teen Vogue Ben Harms, diretor de estratégia e insights da Archrival. «Muitos questionam se alguma vez vão ultrapassar a ideia de que tudo se pode desmoronar de repente», garantiu.

Esta geração está ainda a entrar no mercado de trabalho numa altura difícil, com muitos estudantes universitários a terem já perdido os estágios de verão e as primeiras oportunidades de emprego. O mercado de emprego ZipRecruiter revelou que o número de novas ofertas de trabalho inseridas entre fevereiro e março caiu 29% em comparação com igual período do ano passado.

«Pesquisas em todo o mundo mostram que formar-se durante uma recessão pode ter impactos significativos e de longo prazo que podem afetar toda a carreira», salientou Achim Schmillen, economista-sénior no World Bank Group. «Em particular, pode levar a grandes perdas de salário no início, que vão diminuir lentamente ao longo do tempo», acrescentou.

No futuro, avança o WGSN, a Geração Z vai cada vez mais apoiar valores progressistas e lutar pelo bem comum em tempos de crise. 70% consideram que os governos devem fazer mais para resolver os problemas e 85% argumentam que é importante para as marcas terem um papel mais relevante em questões sociais.

Esta geração está igualmente a tentar transformar a crise numa oportunidade para realizar mudanças radicais num mundo pós-pandémico. A ativista Roxie Richner, de 18 anos, declarou ao The Washington Post que o Covid-19 «realmente expôs todas as desigualdades que as pessoas sabiam que existiam, mas talvez não conseguissem ver de forma tão clara como agora».

Alphas

Ao longo do período de autoisolamento, muitas crianças encontram-se há semanas em telescola, sem a companhia dos colegas, o que muitas vezes os deixa vulneráveis à ansiedade e solidão.

Quer como estratégia para lidar com a situação quer como forma de preencher o tempo, os pais estão a encorajar os Alphas a adotarem estratégias de mindfulness, com o surgimento de diversas aplicações que oferecem meditações orientadas e lições de respiração para crianças.

Depois do fim da pandemia, esta geração, segundo o WGSN, irá provavelmente navegar entre ambientes digitais e físicos com mais flexibilidade do que qualquer outra geração. Por um lado, serão lembrados do valor das interações sociais cara-a-cara e do tempo passado ao ar livre. Por outro lado, já terão desenvolvido uma forte afinidade com realidades alternativas, tendo passado mais tempo a jogar e a aprender virtualmente.

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