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Por
EFE
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
9 de mar de 2021
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3 Minutos
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Conto de fadas sombrio da Dior transforma Versalhes em passerelle

Por
EFE
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
9 de mar de 2021

A Dior fez do Palácio de Versalhes o palco para a sua coleção de outono-inverno 2021/2022, na segunda-feira (8 de março), transformando a famosa Galerie des Glaces (Galeria dos Espelhos) numa passerelle, reinventando o uniforme militar e mostrando o lado mais sombrio dos vestidos de contos de fadas. 

 


"Esses mundos fantásticos não são de forma alguma um método de evasão, mas servem para questionar, rejeitar e ir além dos estereótipos", informou a empresa num comunicado.

A designer de moda italiana Maria Grazia Chiuri escolheu, conscientemente, a data de celebração do Dia Internacional da Mulher, para apresentar o desfile e lançar a partir deste um novo apelo ao mundo feminismo.

Nesta ocasião não houve cartazes ou slogans reivindicativos de Chiuri, que disse ter-se inspirado “no pano de fundo sombrio e nas personagens femininas complexas dos primeiros contos de fadas", combinando a delicadeza da renda inglesa com silhuetas cingidas e botas militares, uma mistura de doçura e rebeldia.

Chiuri usou como ponto de partida a versão do conto Capuchinho Vermelho da jornalista e escritora britânica Angela Carter, "uma magia feminina, reinventada, um caminho sutil para uma nova consciência".

Em 1979, Carter escreveu três variantes da famosa história na sua coleção The Bloody Chamber (A Câmara Sangrenta), na qual expôs algumas abordagens machistas contidas no conto original do escritor francês Charles Perrault.

Assim, a Capuchinho Vermelho da Dior não se esconde atrás de um capuz, mas usa um vestido plissado até os pés com cauda e decote em forma de coração, e percorre os magníficos e enigmáticos jardins do palácio sem ter medo do bosque ou da noite.

Os vestidos plissados, um design revisitado por Chiuri em cada coleção e que conquistaram os tapetes vermelhos, também apareceram desta vez em rosa-claro e verde-esmeralda.

Uniforme feminino


Coleção outono-inverno 2021/2022 - Dior


Esta foi a nota mais colorida de um desfile marcado pelo preto e o pelo cinza chumbo, que combinados com blusas brancas de algodão serviram para renovar o uniforme militar em versão feminina.

Um mini vestido com blusa e botas militares, uma camisa bordada com uma saia midi triangular, ou um fato por medida com minissaia e capuz renovaram o look office.

Na sua pesquisa para criar um guarda-roupa básico, nos últimos anos, Chiuri trouxe de volta o macacão, que conseguiu transformar em tendência, e a estética militar, com um toque boémio e setecentista, mas sem descuidar a feminilidade da Dior dos anos 50.

Assim, um conjunto de calças masculina e camisa branca foi combinado com uma jaqueta shearling, cap de piloto de couro e maleta, enquanto a clássica jaqueta Bar, criada pela Dior em 1947, foi combinada com uma minissaia plissada ou, numa versão mais madura, com uma saia volumosa até os pés.

Casacos militares retos, trespassados ​​e até aos tornozelos foram alternados com vestidos de princesa, e calças curtas estilo culotte com botas de cano alto até o joelho.

A italiana apresentou vários looks que pareciam ter sido inspirados no guarda-roupa de Elizabeth II da Inglaterra, como os casacos acolchoados, as saias até a meia perna e os lenços de cabeça que a monarca usava nas visitas ao campo, como foi recentemente relembrado na série The Crown (A Coroa), uma crónica da vida da monarca do Reino e Unido dos anos 1940 à atualidade.

O vídeo criado para a apresentação reforçou a aura de mistério que destilou a coleção, batizada de Disturbing Beauty (Beleza Perturbadora). O evento aconteceu no penúltimo dia da Paris Fashion Week realizada em formato digital devido à pandemia.

Apenas a luz da lua parecia iluminar a sala ao refletir-se nos cristais das lâmpadas, enquanto as modelos desfilavam com passo firme e em dança coletiva, tentando evitar fusos instalados nos espelhos.

Uma metáfora óbvia de Chiuri sobre a tarefa perigosa e árdua de aceitação, tentando enquadrar-se nos cânones de beleza impostos às mulheres.
 

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