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Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
7 de fev. de 2020
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3 Minutos
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Coronavírus ensombra perspetivas da indústria do luxo para 2020

Por
Reuters API
Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
7 de fev. de 2020

Da Burberry à Estée Lauder, as grandes casas de luxo estão a tentar quantificar o preço da epidemia de coronavírus na China, fechando lojas e reduzindo as suas perspetivas financeiras enquanto o seu primeiro mercado mundial está praticamente parado.


Fotografia de arquivo - REUTERS/Tyrone Siu


"Os centros comerciais estão fechados, algumas lojas permanecem abertas, mas com horários reduzidos e, acima de tudo, não há circulação", observa Stefano Sassi, líder da marca italiana Valentino. "Desde meados de janeiro, todas as marcas de luxo foram afetadas."
 
Depois de Estée Lauder, Capri - a holding detentora das marcas Michael Kors, Versace e Jimmy Choo - e Tapestry, a Burberry juntou na sexta-feira o seu nome à crescente lista de empresas do setor que alertaram os mercados financeiros sobre o impacto significativo que a epidemia de 2019-nCoV terá nas suas contas. O grupo britânico retirou as suas perspetivas para 2020 e anunciou o encerramento de um terço das suas 64 lojas na China continental.

Até agora, os gastos na Europa de turistas chineses não foram demasiado afetados. Mas, com o aumento das restrições nas viagens, a Burberry espera que a situação se deteriore também nessa frente nas próximas semanas.
 
Jean-Paul Agon, CEO da L'Oréal, sublinhou na sexta-feira que a gigante mundial da cosmética teve um bom mês de janeiro antes das coisas ficarem mais difíceis com o coronavírus. O comércio online, responsável por 50% das suas vendas na China, deverá no entanto amortecer o choque.
 

Segundo golpe



A epidemia iniciada em Wuhan, Hubei, teve o efeito de um segundo golpe para este setor de atividade, que já havia sentido o efeito da agitação política em Hong Kong, uma das cinco principais plataformas mundiais do luxo.
 
Em diferentes graus, a maioria destas marcas conseguiu compensar os efeitos negativos das contestações na ex-colónia britânica com um forte crescimento na China continental. O aparecimento do coronavírus cortou brutalmente essa linha de compensação. Com um efeito ainda mais espetacular quando a epidemia eclodiu durante o Ano Novo Lunar, um período de consumo desenfreado - no ano passado, os chineses gastaram 150 mil milhões nestas celebrações.
 
"Este período será muito difícil para as marcas de luxo, que deverão assistir a uma queda significativa nas vendas no próximo trimestre", indica Ben Cavender, diretor-geral do China Market Research Group em Xangai.

Analista na Jefferies, Flavio Cereda reduziu de 5 para 1% a sua previsão de crescimento para o ano do setor, a taxas de câmbio constantes. "O défice é de cerca de 12 mil milhões de euros e o risco é tornar este ano num ano em branco", escreveu numa nota onde se prevê o colapso de 35% das despesas chinesas em luxo no primeiro trimestre de 2020.

Globalmente, os compradores chineses representam mais de um terço das despesas com produtos de luxo. Estes fazem as suas compras principalmente quando viajam para o estrangeiro.
 
Nos últimos dez anos, têm sido a força motriz do crescimento desalinhado do setor. A consultora Bain & Company atribui-lhes 90% do crescimento das vendas do setor no ano passado, que ultrapassaram os 281 mil milhões de euros.

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