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16 de mar. de 2020
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COVID-19: Alternativas a máscaras cirúrgicas e a ventiladores hospitalares

Publicado em
16 de mar. de 2020

Lisboa registou hoje o falecimento do primeiro doente com COVID-19, que tinha mais de 80 anos.
Devido ao caos gerado que está a devastar todas as zonas hospitalares, Portugal carece de máscaras cirúrgicas e de ventiladores. No primeiro caso é mais fácil resolver. Em substituição das máscaras, usam-se lenços.


Máscaras à medida - A mãe imperfeita, Facebook

 
Quanto aos ventiladores nos hospitais que vão ser essenciais para quem estiver internado com a infeção, a Direção-Geral de Saúde já pediu aos laboratórios privados que reforcem o Serviço Nacional de Saúde.

Recomendando a Ordem dos Médicos Dentistas, o encerramento de clínicas e consultórios de medicina dentária (ou adiamento das consultas programadas, não urgentes), os estomatologistas estão a ceder máscaras, algumas até criativas.


Dentistas cedem máscaras criativas (e outras) - Facebook

 
A ministra da Saúde, Marta Temido de Almeida, também adiantou que está a ser feito um levantamento do número de ventiladores existentes nos hospitais públicos e privados e prevê que alguns equipamentos fiquem livres, com o adiamento de cirurgias não urgentes.
 
Ventiladores para impressão 3D
 
Aguardamos ainda, a todo o momento, aqueles ventiladores, [em formato] open source, soluccionados pelo estudante português de Neurociência e Filosofia em Harvard.
 
Após tomar consciência da falta de ventiladores, João Nascimento procurou soluções, levando milhares de especialistas a debaterem alternativas. Isto por causa de um só apelo seu, no Twitter, na passada quarta-feira (11 de março): “Estamos a trabalhar em ventiladores [em formato] open source para alcançar uma solução rápida e fácil que possa ser reproduzida e montada no local, em todo o mundo. Se tem algumas capacidades que pensa que podem ajudar, junte-se a nós no projectopenair.org”.


Novos ventiladores do Project Open Air - NIT

 
Em apenas 24 horas, alguns dos maiores especialistas da área, responderam de forma positiva, contando com investigadores do MIT, CalTech e Standford, que trabalham em conjunto através da plataforma Slack.
 
“Comecei a questionar-me se não haveria uma produção alternativa, uma solução que pudesse ser escalável para fazer uma impressão 3D, por exemplo”, explica João Nascimento, criador do Project Open Air. O objetivo foi que o maior número de pessoas desenhasse e produzisse um novo modelo de ventilador médico, sem direitos de propriedade sobre ele.


Crianças no aeroporto de Pequim - Kevin Frayer, Getty Images

 
Porto vai importar ventiladores da China
 
Rui Moreira, o Presidente da Câmara do Porto fez a ponte entre o hospital de São João e a cidade de Shenzhen, na China, onde esteve recentemente em negociações. A informação, avançada este sábado (14) pela Câmara do Porto, é de que o autarca já pôs em contacto direto o Conselho de Administração do hospital de São João e a fábrica de onde sairão “ventiladores novos, produzidos em Shenzhen”.
 
Depois de ter sido a primeira cidade do país a determinar o encerramento de serviços municipais, nomeadamente museus, teatros e outros, Rui Moreira anunciou sábado (14) medidas mais duras, encerrando mercados de rua não alimentares, parques infantis e públicos, restaurantes e bares, e mandando para casa funcionários municipais vinculados ao teletrabalho.
 
A cidade do Porto tem sido exemplar e pioneira em Portugal na tomada de medidas contra a progressão da pandemia de COVID-19. Os portuenses também se têm portado bem no cumprimento das restrições. Agora, só falta fecharem todas as fronteiras em Portugal (só há uma restrição de circulação) – a exemplo do que já acontece, mais recentemente, na Áustria, Dinamarca, EUA, Marrocos, Noruega, Rússia. Apesar de a quarentena (e isolamento social obrigatório) ser imposta pelos governos regionais, e autonomamente, nos aeroportos dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
A falta que faz a regionalização!

Entre o oriente e o ocidente
 
Macau é o maior exemplo a seguir. Foi o primeiro território do mundo que conseguiu travar a pandemia. Registou apenas 10 casos que já tiveram alta e, há mais de um mês, não acusa casos positivos. É obrigatório o uso de máscara nos transportes públicos, nos supermercados, nas farmácias e até na rua.
 
O vírus é enganador e traiçoeiro. Na China, constam até casos de 29 dias de incubação. Ninguém sai à rua sem touca (ou chapéu), óculos, máscara e luvas, correndo o risco de ser multado e preso se não o cumprir. A comida é toda cozinhada.
 
Em Portugal, as máscaras não são obrigatórias, só as exigem em pessoas infectadas. Mesmo assim, as máscaras já não existem no mercado há muito, mas há lenços que ajudam a proteger o rosto e até o cabelo. E apesar do governo português anunciar o stock de dois milhões de máscaras cirúrgicas, são eventualmente reservadas aos profissionais de saúde.


Alternativa a máscaras cirúrgicas - Getty Images


Ponto da situação nacional
 
Em Portugal, segunda-feira (16 de março), contam-se um total de 331 casos de COVID-19. Mais 86 do que no domingo (15).
 
Sábado (14), foram registados 169 casos de COVID-19, mais 57 que na sexta-feira (13) com 112. Domingo (15), os casos de infectados passaram para 245, mais 76 do que no sábado. Lisboa e Vale do Tejo ultrapassaram o Porto em número, registando na região 116 casos, seguidos de 103 no norte. As únicas regiões não afectadas continuam a ser o Alentejo e o arquipélago da Madeira, sendo que o arquipélago dos Açores registou um caso positivo no domingo.
 
Note-se que a Europa é o epicentro da pandemia e acordou demasiado tarde. Tem de haver uma mudança rápida e perceber que é preciso uma política universal para a União Europeia. Uns países fecharam fronteiras, outros continuam com elas abertas (como Portugal). E é suposto que os Estados-membros da União Europeia tenham uma só voz.
 

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