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19 de mar de 2020
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COVID-19: Sectores do têxtil e da moda também ficam em casa

Publicado em
19 de mar de 2020

Vários sectores começam a ressentir-se devido à pandemia de COVID-19 que deixa Portugal em estado de emergência, decretado quarta-feira (18 de março), pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

Posto isto, a situação aperta já quinta-feira (19) e há que cumprir à regra os mandamentos. Os trabalhadores do sector têxtil estão a ser dispensados, mais a norte do a sul, onde se concentra a indústria por excelência. Os comerciantes são obrigados a fechar portas, salvo os supermercados e farmácias. Algumas lojas fecham nos centros comerciais, face aos apelos dos funcionários receosos da pandemia e a exemplo do que se passa noutros países já anteriormente afectados. Nas ruas, já não há vivalma.



Lisboa deserta de dia - Facebook


Mesmo assim, raras são as pessoas que usam máscara e até mesmo os funcionários que contactam o dia inteiro com o público. Como aqueles do Pingo Doce da Foz do Porto, que o justificam com o facto de o chefe alegar que as máscaras assustam os clientes. Não será o contrário?

Já numa loja Continente de Vila Nova de Gaia, uma funcionária respondeu à mesma questão, dizendo que a máscara só é obrigatória em infectados. É caso para perguntar: E quem sabe se está doente, ou não?

A verdade é que as filas com um espaçamento de dois metros se fazem à porta, com o devido policiamento, já no interior juntam-se grupos de três e quatro pessoas à conversa.

A maioria dos portugueses ainda não leva a pandemia a sério porque os efeitos de COVID-19 ainda não pesam como na Alemanha, na China, em Espanha e em Itália. A Europa é agora o epicentro da pandemia, embora a doença continue a abrir os braços em todas as direções.

Comércio fechado

Lojas de rua nem vê-las... E a grande maioria das lojas já fechou, nos centros comerciais, respeitando os apelos dos funcionários em revolta, mas também pesando a experiência das multinacionais face ao surto noutros territórios. A Sonae Sierra, dona da maioria desses espaços (13), assegura que vão encerrar sem penalizações.
 
As multinacionais italiana Calzedonia (com as marcas Atelier Emé, Falconeri, Intimissimi, Signorvino, Tezenis), sueca H&M, espanhola Inditex (com a Bershka, Massimo Dutty, Oysho, Pull & Bear, Stradivarius, Uterqüe, Zara e Zara Home), irlandesa Primark (Penneys na Irlanda), espanhola Tendam (com a Cortefiel, Pedro del Hierro, Springfield, Women'secret e Fifty), e outras, fecharam os espaços físicos, passando grande parte a funcionar online. A própria Sonae Fashion fechou, terça-feira (17), as lojas Zippy, MO e Salsa.
 
Segundo a Lusa, o grupo espanhol Inditex, decidiu fechar temporariamente as 335 lojas abertas em Portugal. A multinacional galega, líder mundial na venda de roupa a retalho, fechou as 1.600 lojas em Espanha, no sábado passado (14), no mesmo dia em que o governo instituiu o estado de emergência que, a partir de domingo (15), impôs o fecho de todos os estabelecimentos comerciais, à exceção daqueles com produtos de primeira necessidade.
 
Ainda segundo a Lusa, o grupo Inditex tem em Portugal 85 lojas Zara, 50 Pull&Bear, 48 Bersha, 44 Stradivarius, 41 Massimo Dutti, 33 Oysho, 28 Zara Home e seis Uterque e importa produtos de 161 fornecedores com 1.344 fábricas. Claro está, sem termo de comparação com a Primark que é a número um de vendas em Portugal, mas só conta com 10 lojas no país e 380 no mundo.


Lojas e restaurantes fechados na Baixa do Porto - Facebook


Soluções alternativas 
 
Segundo os empresários, os problemas com que as empresas se deparam são as dificuldades de abastecimento no exterior, em particular de produtos e matérias-primas (sobretudo provenientes da China, Itália e Espanha). Por outro lado, o redução de encomendas, o cancelamento (ou adiamento) de eventos internacionais, o fecho de fábricas e agora de lojas, têm ocasionado sérios prejuízos e dívidas que levam a insolvências e ao despedimento de trabalhadores.
 
Mas, a crise não é de agora. Se bem que não há termos comparativos. Em 2019, na metalurgia e na moda, as maiores exportadoras portuguesas, registaram em nove meses mais processos de insolvência do que em todo o ano de 2018. Mesmo assim, com os efeitos do COVID-19, os sectores do têxtil e calçado receberão a maior fatia dos empréstimos que o governo possibilitou e que podem ser realizados já nos próximos dias e pagos em quatro anos.
 
César Araújo, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC), disse à Lusa que, se o surto se prolongar, o cenário será dramático para as empresas de vestuário, assegurando que as empresas associadas à ANIVEC possuem stocks de matérias-primas para um mês.
 
Mas, há quem corte a corrente, como o grupo têxtil Sonix, com sede em Barcelos, que decidiu suspender parcialmente a produção habitual para produzir equipamento médico (como batas e máscaras), dando apoio aos principais hospitais do norte do país. Segundo o jornal O Minho, quarta-feira (18), a Sonix deu início à produção de máscaras que já havia produzido para uso interno. A empresa emprega mais de 600 trabalhadores em Portugal e todos trabalham de máscara.

 

Sonix parou a produção habitual para se dedicar às máscaras - Foto: Sonix


Ainda a respeito da produção de máscaras, o Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, que tem sido incansável na luta contra o COVID-19, uniu esforços com uma empresa local de Campanhã. O dono contactou antes o gabinete da presidência para dar os parabéns à equipa camarária, pelas medidas de contenção que têm sido tomadas e esforços tidos no município em fazer valer o isolamento social total. Oferecendo os serviços, juntos iniciaram a produção de máscaras tipo cirúrgicas, para proteção dos funcionários municipais, rede social, corporações de bombeiros voluntários, empresas de transportes e hospitais. O empresário converteu, assim, a sua indústria hoteleira numa unidade produtiva de máscaras com cerca de 20 funcionários.
 
É difícil fazer previsões sobre os próximos meses, ou quiçá anos, uma vez que as vacinas já estudadas na China e na Alemanha, e em fase de experimentação, só estarão disponíveis para a população daqui a um ano ou mais.
 
Contudo, se o trabalhador português ficar em casa, e "tiver uma declaração de isolamento profilático emitida pela Autoridade de Saúde (Delegado de Saúde), tem direito ao pagamento de um subsídio equivalente ao subsídio de doença com um valor correspondente a 100% da sua remuneração de referência, enquanto durar o isolamento”, como divulgou a Segurança Social e disponibiliza a informação online.
 
Consciente da gravidade da pandemia e do tempo que demorará a sanar, salvaguardando os respectivos problemas sociais e económicos que o isolamento reservam, o governo português tem vindo a implementar medidas de apoio e proteção em conformidade com as restantes mundiais, e pensando nos mais vulneráveis. A maioria dos portugueses é que ainda não se consciencializou da dimensão deste problema global e não toma as devidas precauções quando sai de casa.

O mesmo acontece aos deslocados, indignados por os voos serem constantemente cancelados e os aeroportos fechados. Esquecem que foram os viajantes que levaram o vírus ao mundo e continuam a fazê-lo, pelo que o tempo precisa de tempo e vale a pena esperar.


Empresa de Campanhã e CMP unem-se na produção de máscaras - Foto: CMP


Movimentos lá fora
 
No mundo, estão em risco 25 milhões de empregos. Mas, a Amazon vai dar trabalho a 100.000 e aumentar salários. As vendas online e o teletrabalho são a saída. Por outro lado, surgem novas ideias produtivas. Para além do gel desinfectante (ou álcool gel), as empresas procuram produzir máscaras de proteção – como as do sector têxtil francês que as tenciona entregar gratuitamente, primeiro a profissionais de saúde e depois aos cidadãos.
 
Segundo o jornal francês Le Figaro de terça-feira (17), os pioneiros da iniciativa são já o Atelier Tuffery, especialista em produção de gangas, na região de Occitane (Provence), e Les Tissages, de Charlieu, em Auvergne-Rhône-Alpes.
 
Segundo o FashionNetwork.com, a empresa Les Tissages de Charlieu anunciou que vai fabricar máscaras laváveis ​​em escala industrial pois tem capacidade para produzir entre 30.000 e 50.000 máscaras por dia, adaptando as suas máquinas. Já o Atelier Tuffery, vai fabricar máscaras de proteção simples, não FFP2 ou FFP3.

Segundo o jornal Corriere della Sera, o grupo de moda Miroglio mobilizou parte da produção para fabricar máscaras laváveis, objectivando um volume de 600.000 máscaras em duas semanas.

Quarta-feira (18), a divulgação das marcas e traumatismos que as máscaras reutilizadas geram, nos rostos dos profissionais de saúde, chocou o mundo. A título particular, em Florença, um artesão produz e oferece máscaras a quem o procurar. Itália em ruptura de stock de máscaras, divulga na imprensa 

O COVID-19 está a matar milhares de pessoas de diferentes nacionalidades em simultâneo, numa guerra desenfreada sem retorno, que também vai unindo a humanidade nos esforços e nos princípios mais puros e fundamentais (como o amor ao próximo), os quais têm sido esquecidos nas últimas décadas de elevado consumo e de ganância. O vírus é democrático e não escolhe classe, religião ou raça, pelo que as fronteiras dos preconceitos vão começar a abrir-se, enquanto todas as outras físicas se fecham a viajantes, tornando o ambiente melhor e mais respirável. Como diz o povo, "há males que vêm por bem" e também males desnecessários, como este que vivemos hoje quase sem luz ao fundo do túnel.
 
Portugal unido
 
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, decretou quarta-feira (18 de março) o estado de emergência em Portugal, com o apoio o primeiro-ministro António Costa. A declaração foi aprovada pelo Parlamento sem votos contra. Note-se que esta situação é histórica, em Portugal, pois nunca aconteceu durante a democracia. Os políticos também lhe chamam um estado de “guerra”, no caso a lutar com um “inimigo invisível” (como diz o presidente Donald Trump) – a pandemia de COVID-21.
 
“É uma decisão excepcional num tempo excepcional”, disse o Presidente da República, em tocante discurso dirigido a todos os portugueses. “Esta guerra, porque de uma verdadeira guerra se trata, dura há um mês. (…) Conscientes que, só a unidade, permite travar e, depois, vencer a guerra. (…) Como diz o povo ‘mais vale prevenir do que remediar’. (…) Depende da contenção das próximas semanas (…) sobretudo salvar vidas.”
 
Embora já se avizinhe o período negro, os números de contagiados e de vítimas mortais não são dos mais altos da Europa. Quinta-feira (19), foram confirmados 785 casos pelas autoridades de saúde (mais 143 do que no dia anterior, mas também com uma subida menos abrupta, de menos 51 casos, em relação àquela registada entre terça e quarta-feira); 4.788 ainda não confirmados; 488 aguardam resultados; quatro vítimas mortais. Porém, já se levantam questões sobre a veracidade destes dados.

A região norte mantêm-se à frente com 381 casos; segue-se Lisboa com 278 e duas vítimas mortais; a região centro, com 86 e duas vítimas mortais (Coimbra e Ovar); o Algarve com 25 e o Alentejo com dois; nos arquipélagos dos Açores, três, e da Madeira, um (supostamente dois curados, em relação aos números anteriores anunciados). As autoridades de saúde adiantam ainda 89 casos em internamento e 20 em cuidados intensivos.

Quarta-feira (18), confirmam-se 642 casos positivos, mais 194 do que na terça-feira (17) com 448 casos de COVID-19. Por sua vez, com mais 117 do que na segunda-feira (16) com um total de 331. E segunda-feira com mais 86 casos do que, no domingo (15), com 245 doentes confirmados – mais 76 do que no sábado (14, com 169 casos de COVID-19, mais 57 que na sexta-feira (13) com 112. Das centenas de casos positivos, só três se curaram.
 
Atualmente, não existe nenhuma região em Portugal imune, sendo que o Alentejo registou dois casos na quarta-feira (18), dia em que se apontou mais uma vítima mortal, somando duas com a de terça-feira (17), respectivamente com 73 e 80 anos, e em ambas figuras conhecidas do futebol e da banca. Na Madeira e Açores, os casos posivitos de COVID-19 subiram para três em cada arquipélago.


Em Lisboa, já nem os famosos pastéis de Belém fazem fila à porta - Facebook

 
Estando apenas 89 pessoas internadas e face às queixas de altas antecipadas para dar lugar a casos mais graves, a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, informou que a doença tem uma regra que se chama 80-15-5, levando 80% dos casos a tratarem-se em casa, 15% em enfermarias e 5% em cuidados intensivos.
 
Em estado de calamidade, Ovar tem-se revelado um exemplo no cerco sanitário: Mais de 55 mil habitantes em isolamento social total e absoluto. Nada que se compare a França, Espanha e menos Itália, mas todo o cuidado é pouco. (Mesmo assim há sempre quem procure atalhos para fugir ao policiamento e ir trabalhar nas fábricas.)
 
A Europa é o centro da pandemia, quarta-feira (18) ultrapassou pela primeira vez os números da Ásia. De norte a sul, Portugal está a dar o seu melhor aos portugueses.
 

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