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Delpozo recua no negócio e diz adeus ao seu diretor-geral

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
today 3 de jan de 2020
Tempo de leitura
access_time 6 Minutos
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A Delpozo já não será Delpozo. E, provavelmente, nada que se pareça. Era um dos receios óbvios quando a casa espanhola, fundada em 1974, sofreu a saída do seu designer estrela em setembro de 2018. Ao longo de seis anos à frente da direção criativa da empresa, o arquiteto Josep Font não só foi fundamental no relançamento da casa, controlada pelo grupo Perfumes y Diseño desde 2011, como honrou a memória do falecido fundador Jesús del Pozo, ao mesmo tempo que criou uma marca de prêt-à-couture com um estilo único e reconhecível. Inevitavelmente, Delpozo era Josep Font. E a sua saída fez disparar todos os alarmes. Como evoluiria uma casa com uma identidade tão intimamente ligada à genialidade de um diretor criativo em fuga?


A marca espanhola fechou duas das suas três flagships nos últimos meses - Delpozo


Diz-se que uma saída no tempo certo é uma vitória. No âmbito dos negócios esse nem sempre é o caso, e ainda não se sabe se a Delpozo chega ou não demasiado tarde. Segundo informações da FashionNetwork.com, nos últimos meses, incluindo os anteriores ao anúncio da sua procura por investidores em junho, a casa madrilena desfez-se progressivamente de parte das suas atividades internacionais. Embora a empresa mantenha certos pontos de venda, a Delpozo encerrou duas das três flagships com as quais contava em tempos de bonança. Uma época na qual, além disso, a empresa chegou a estar presente com 80 pontos de venda em 34 países.
 
Adeus às flagships e aos colaboradores internacionais

A Delpozo fechou as portas da sua loja de Londres, a sua primeira flagship internacional, inaugurada em 2017. O espaço, localizado no número 134 da Sloane Street, deu lugar a uma pop-up store da Saloni. Paralelamente, a empresa espanhola desfez-se da sua loja no Dubai Mall, onde foi inaugurada em março de 2018 através de uma aliança com a Symphony Style.
 
Este não foi o único passo atrás da empresa no estrangeiro. Como conseguiu confirmar a FashionNetwork.com, a Delpozo rompeu laços com vários parceiros internacionais. O showroom italiano Massimo Bonini, com o qual a empresa chegou a um acordo no início de 2018 para desenvolver a produção e distribuição de calçado e acessórios, já não se ocupa das coleções da Delpozo. Além disso, o também italiano showroom Riccardo Grassi, ao qual o marca espanhola confiou o seu negócio de atacado em outubro de 2018, não representa a maison desde a passada coleção outono-inverno 2019.

Pablo Badía diz adeus
 
Por seu lado, o até agora diretor-geral despede-se da empresa, dando lugar a um novo projeto. Pablo Badía comentou em exclusivo à FashionNetwork.com, confirmando a sua saída da Delpozo, em vigor no final de dezembro, após dois anos e meio à frente da direção geral: "A experiência foi muito enriquecedora. Agradeço a oportunidade de ter trabalhado para uma marca tão intelectual que transcende, com um universo tão especial. Adorei." O executivo, que foi responsável pelo grupo de moda infantil CWF em Espanha durante quase quatro anos, iniciou a sua trajetória na Sociedad Textil Lonia, antes de assumir cargos de responsabilidade em empresas do setor como Caramelo ou Karen Millen.

A sua chegada à empresa propriedade da Perfumess y Diseño aconteceu em 2017, como substituto de Carlos Trolez, filho do presidente do grupo, Pedro Trolez Martínez, que se colocou à frente da direção-geral de forma interina no início do mesmo ano. O diretor ocupou assim uma cadeira vazia desde a partida da histórica Ainhoa García, que disse adeus à casa em janeiro de 2015, depois de ter liderado a transformação da empresa durante os seus oito anos como diretora-geral. A empresa está agora novamente sem responsável máximo, enquanto se aguarda o anúncio do seu novo proprietário, que deverá instalar uma nova estrutura, adaptada aos seus interesses futuros. Por seu lado, o próximo destino de Pablo Badía ainda está por confirmar.


Em junho, a Perfumes y Diseño anunciou estar à procura de um acionista maioritário para a Delpozo - Delpozo


Incerteza sobre o futuro criativo, grandes descontos para o passado
 
No plano criativo, a incerteza também se fez sentir na casa. A Perfumes y Diseño não tardou a anunciar o substituto de Josep Font: o alemão Lutz Huelle. No entanto, a estratégia não chegou a funcionar. A altamente antecipada primeira coleção do novo diretor criativo não chegou a ver a luz, de maneira oficial, com o designer a apenas supervisionar as peças do outono-inverno 2019, uma coleção de transição criada pelas equipas internas da casa.
 
Contactado em diferentes ocasiões pela FashionNetwork.com, o criador alemão escusou-se a comentar qualquer informação relacionada com casa da qual, até que seja anunciado o contrário, ainda é diretor criativo. Segundo outras fontes, Lutz Huelle assinará a coleção Resort 2020 da empresa e estará presente num projeto de colaborações que será anunciado em breve. A sua continuidade como diretor criativo dependerá, no entanto, dos projetos da futura direção.

Demasiados passos em falso ou tentativas de salvar um negócio complicado, no qual a Perfumes y Diseño já havia investido 5,5 milhões de euros para o relançamento da marca entre 2013 e 2016. No final do exercício de 2018, as vendas da Delpozo situavam-se em 3,5 milhões de euros, enquanto as perdas subiram para 3,8 milhões. Os dados estão longe dos 10 milhões de faturação aos quais a empresa aspirava em 2019 ou dos 6,4 milhões de euros registados em 2015.


Exterior da loja que a Delpozo tinha no Dubai Mall - Delpozo


Números implacáveis diante dos quais a empresa não só retrocedeu a nível internacional, como também apostou em desfazer-se do seu stock. A Delpozo colocou à venda as peças das suas coleções passadas com descontos de até 95% na sua loja de Madrid. Um espaço no número 19 da rua Lagasca, que representa a última loja física da marca. Embora várias fontes tenham indicado que estas vendas funcionaram "muito bem", a pergunta é inevitável: onde fica o valor do nome de uma casa histórica que vendeu o seu legado a preço de outlet?

Os novos proprietários terão que responder a esta pergunta. Embora a Perfumes y Diseño tenha anunciado o fecho da venda de uma participação maioritária a "um parceiro industrial que mantém o plano estratégico da empresa de moda" em setembro, o nome do futuro proprietário da Delpozo só será divulgado no início deste ano. Depois de ter avaliado até três opções diferentes desde maio, as negociações continuam abertas, confirmou a FashionNetwork.com.

O que correu mal?

"Quem comprava roupa da Delpozo era porque tinha condições para comprar várias peças da Valentino ou da Dior", comentou uma fonte próxima da casa à FashionNetwork.com, argumentando que o seu caráter artístico significava que a empresa era muito cara (com peças de aproximadamente 1000 euros), quando esta ainda não contava com um nome tão consolidado que justificasse tais investimentos. Custos de produção elevados, uma rentabilidade cada vez mais complicada, alianças locais que não funcionaram conforme o esperado ou a longa sombra de Josep Font, desafiaram um grupo especializado na criação e distribuição de fragrâncias de luxo.
 
O futuro da Delpozo, que passará pelas mãos de um grupo estrangeiro, será diferente, mas também uma segunda oportunidade. Embora o grupo Puig, também especializado em perfumes, mas à frente do desenvolvimento de marcas de moda, seja o único grande conglomerado de moda de luxo espanhol, outras empresas da mesma origem, como Loewe ou Balenciaga, conseguiram garantir o seu futuro pela mão de grupos franceses. Da mesma forma, casas de luxo históricas como Patou ou Sonia Rykiel foram recentemente resgatadas graças a novos investidores. Numa altura em que o futuro da Delpozo ainda é desconhecido, o que está claro é que a casa de Madrid merece uma salvação à altura do seu nome.

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