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Publicado em
15 de jan. de 2014
Tempo de leitura
6 Minutos
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Desfiles masculinos de Milão: de retorno a uma moda sensata

Publicado em
15 de jan. de 2014

A semana de moda masculina, que foi aberta no último dia 11 de janeiro em Milão, encerrou-se nesta terça-feira (14) com um balanço positivo. “A grande novidade é o retorno em massa dos compradores italianos. Não víamos uma presença como esta há três anos”, diz entusiasmado o presidente da Câmara Nacional de Moda Italiana, Mario Boselli, confirmando uma tendência que fora iniciada durante o salão de Florença, o Pitti Uomo.

Festas, soirées, assim como muitos eventos especiais e apresentações abrilhantaram esta semana consagrada às colecções para o outono-inverno 2014-15, na qual se pôde sentir o fremir de um novo vento.

Etro apresenta a elegância e o savoir-faire do Made in Italy


O homem proposto para o próximo inverno tende a concentrar-se no essencial e na simplicidade com peças básicas de um bom corte para serem combinadas como ele quiser. O supérfluo é eliminado em favor de uma elegância sóbria. As aplicações estão discretamente refinadas, exibindo um estilo vagamente imperfeito, muito mais chique. Assim como os homens um tanto distraídos da Prada, que vestem com indolência a gravata como um echarpe, ou ainda as siluetas sixties nas linhas aperfeiçoadas da Gucci.

“As tendências são um tanto quanto reconfortantes, com muitas peças que poderão ser utilizadas no dia a dia. Tudo está muito bonito. Para o próximo inverno, podemos ver casacos, parcas, calças cônicas... Roupas bastante inteligentes e comerciais. No fim, faltou um pouco do verdadeiro toque de moda, este toque de design um tanto quanto encorajador que nos traz algumas ideias estimulantes. Até mesmo os jovens criativos pareciam um pouco repetitivos”, analisa Cesare Tadolini, proprietário de duas butiques em Módena.

O homem imaginado pelos costureiros para o próximo inverno parece, por certo, aspirar à tranquilidade. Ele gosta de vestir-se bem, com belos cortes de maravilhosos tecidos, mas, de preferência, com materiais agradáveis e roupas confortáveis, enquanto a paleta de cores é das mais discretas. Com certa frequência as tonalidades ficam na esfera do desbotado, parecendo um tanto empoeiradas. Dá para ver o azul e o cinza por toda parte, com o rosa pálido fazendo uma apariçãozinha aqui e ali (Canalli, Gucci) em meio às colecções nas quais o tom escuro é predominante (preto, cinza, marinho).

Com este espírito cocooning, as T-shirts assumem volumes oversize, as jaquetas doudounes estão mais alongadas, os pulôveres de gola alta aparecem tricotados à mão com lã grossa e o casaco em moletom se impõe como a peça indispensável do próximo inverno. Bem como a jaqueta de quatro bolsos e a jaqueta safari em sua versão invernal.

Quanto ao sobretudo, agora ele se apresenta atado na cintura por um cinto, como um roupão de banho, assim como os maxi cardigans produzidos com mohair, o que lhes confere uma ar de roupão (Giorgio Armani).

“Assistimos ao retorno do bom gosto com o casaco, o terno, o belo sobretudo confecionados com uma grande atenção voltada ao uso, para um homem um pouco mais concreto. O guarda-roupas é clássico, mas reinterpretado de maneira moderna. Tudo é um pouco mais sofisticado e menos espalhafatoso”, analisa Federico Giulio, que conduz a butique Giulio em Palermo.

Os homens querem belos produtos produzidos com belos materiais, que só a Itália pode lhes oferecer. De fato, nunca o Made in Italy foi celebrado com tanta ênfase quanto nesta Fashion Week, que apresentou como nunca o savoir-faire italiano, a tradição de excelência de seu artesanato e o trabalho sem igual de suas mãos.

Depois de ter desfilado uma espantosa colecção de terno de três peças e sublimes conjuntos quadriculados tom sobre tom, a Etro não hesitou em mostrar nas passarelas alfaiates e costureiras provenientes de Apúlia, os quais produziram os carros-chefes, aplaudidos de pé por um público envolto em lágrimas.

Com este mesmo espírito, Antonio Marras colocou seus manequins para desfilar entre as mesas de trabalho de um pequeno ateliê, ocupado por costureiros debruçados em suas máquinas de costura.

O toque italiano se faz sentir ainda mais na busca pelos materiais e pelas inovações realizadas com os tecidos. As colecções milanesas mostraram uma vez mais o talento dos tecelões italianos com estampas suntuosas, como na Dolce&Gabbana, ou com tecidos damasquinados utilizados em muitos ternos, e quase imperceptíveis. “Todos os nossos tecidos são objetos de uma manipulação particular. Um trabalho que só se pode realizar na Itália”, destaca Silvia Venturini Fendi.

Dois elementos simbolizam, em particular, este guarda-roupa masculino ultraclássico revisitado. O príncipe de Galles, bastante utilizado em diferentes dimensões e peças, incluindo sob forma de capa com a Ports 1960, e o terno de banqueiro revisto e modificado. Ele é produzido, por exemplo, com uma lã elástica pela Ermanno Scervino, ou com finas ranhuras coloridas, pela Salvatore Ferragamo. O tradicional terno preto se transforma em uma combinação na Dsquared2, ao passo que, com Roberto Cavalli, as linhas de sustentação de um sobretudo se transformam de repente em zebruras psicodélicas.

O lado vistoso rock and roll nunca ficou longe, já que o estilo toscano se deixa tentar pelas douraduras inseridas aqui e ali em seu guarda-roupa. Os materiais brilhantes também fazem sua aparição em outras colecções, como as decorações metálicas, com os cowboys da Versace, e a frente em lurex de algumas calças da Jil Sander. Sem que nos esqueçamos das coroas reais e das armaduras da Dolce&Gabbana.

Ainda com este espírito, as roupas híbridas se multiplicam com misturas de materiais e de gêneros. As calças para homens tomam cada vez mais um ar de joggings com os tecidos mais inesperados. Seu comprimento também se encolhe deixando à vista o tornozelo. Os quadriculados e o padrão tartan estão em todos os desfiles, assim como as ranhuras e as faixas largas horizontais (Salvatore Ferragamo).

No conjunto, os estilistas milaneses, que provavelmente ainda previam anos sombrios e/ou um homem em busca de proteção, parecem ter investido todos os seus esforços para inventar um guarda-roupa invernal em caso de um frio muito intenso. Gorros, echarpes, golas altas, sem esquecer das luvas, estavam presentes em quase todas as colecções. Aqui e ali surgiam capas, ponchos (Ermenegildo Zegna) e até mesmo mantas jogadas sobre os ombros (Missoni). Os designers privilegiam os materiais grossos e bem masculinos, como o tweed, o veludo, a lã, o feltro, a caxemira etc.

Ao lado da peça de moletom, que também se viu em todos os lugares, assim como o caban e os casacos de lã fervida ou de lã penteada, a pele se impõe como uma forte tendência para o inverno 2014-15. Em todos os lugares viam-se casacos de lã ou de pele invertida. A pele é onipresente nos sobretudos, forros, golas, luvas etc. Até nas sandálias forradas da Missoni. Casaco de pele Astrakan, de shearling, murmasky, de coelho, de marmota, de vison... A Fendi, particularmente, até utilizou um interminável tapete de longos pelos escuros de cabra para cobrir a passarela de seu desfile.

Para concluir, o homem do próximo inverno avizinha-se mais do artista do que do latin lover. Até um ladinho intelectual, acima de disputas, caracterizou esta semana de moda milanesa. Assim, Miuccia Prada convidou uma orquestra para acompanhar os modelos ao vivo, direto da fossa, enquanto Canali recorreu à estrela da composição Ludovico Einaudi, que também acompanhou os modelos em um inesperado concerto para piano.

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