Desfiles masculinos em Milão: uma moda híbrida mais centrada no conforto

Foi uma moda em transição a contemplada na Fashion Week milanesa, que se iniciou em Milão no sábado 21 de junho para chegar ao seu término na passada terça-feira 24. O guarda-roupa para o verão 2015 renova o vestiário masculino, mas ainda continua fortemente vinculado aos rituais dos códigos masculinos, sem criar grandes surpresas. Aliás, os compradores deram a impressão de ter deixado Milão mais cedo que o previsto. Vários aos pés das passarelles estavam espalhados, ao passo que os ‘cocktails’ e festas organizadas durante os quatro dias um tanto opacos não ficarão na memória.
O visual marítimo refinado da Gucci.

Apesar de alguns vivos toques de cor e de uma forte inspiração tirada do universo desportivo, foi a sobriedade que predominou. Em alguns desfiles, pôde-se até mesmo lembrar do inverno, com uma paleta de cores escura, sobretudos e pulôveres, como vistos na Prada, Ermenegildo Zegna e Fendi, ou ainda nos desfiles da Diesel Black Gold, que propôs o veludo, enquanto a Salvatore Ferragamo optou pelos tons de outono.

O veio rebelde, rock’n’roll, conferido nas temporadas passadas, ainda se mantém firme para a próxima estação com algumas apostas bastante carregadas. A jaqueta ‘bomber’ de couro negro de novo se encontra entre as peças essenciais do próximo guarda-roupa masculino de verão. De preferência decorada com bordados brancos (Diesel Black Gold, John Richmond).

De uma maneira geral, as calças sobressaem-se mais que os calções longos, ao passo que os blazeres, parcas e capotes são obrigatórios, para serem usados com malhas ultraleves, ou diretamente sobre o tronco nu. No entanto, não se deve esquecer a blusa de linho ou o cardigã, enquanto a camisa perde espaço. O impermeável segue onipresente, inclusive para o uso com calções curtos ou sobre as pernas nuas, o que terá um efeito exibicionista garantido! Até mesmo o jeans torna-se mais uma vez um clássico, proposto na sua versão mais autêntica de índigo, com as costuras bem visíveis, estilo anos 1970 (Prada, Andrea Pompilio, Dsquared2, Frankie Morello).

Os costureiros milaneses parecem ter dividido-se entre inovação e tradição, elegância e desempenho. Mas o homem do próximo verão aspira, principalmente, a alguma normalidade, privada de todo excesso. Ele adora vestir-se bem, com belos cortes, maravilhosos tecidos, de preferência materiais agradáveis. Ele fica naturalmente ‘chic’ com fatos brancos imaculados (Etro, Corneliani, Costume National, John Varvatos, Neil Barrett, Versace). Vale realçar, neste contexto, que o pelo retorna à moda com o seu charme um pouco retro. Evidente nos desfiles de Ermanno Scervino e Dolce & Gabbana, entre outros.
O velho jeans regressa à moda com a Prada.

O azul-marinho é substituído pelo preto, enquanto o marítimo, estilo Royal Navy, inspira mais de um estilista. Com a Gucci, Frida Giannini propõe blazeres impecáveis com laços azuis em torno das mangas, ou em versão marítima com ombreiras e botões metálicos, assim como Philipp Plein, que acrescenta com as ombreiras a insígnia sobre o bolso. O suéter marítimo torna-se a peça incontornável do vestiário do verão 2014, apresentando-se tanto na versão clássica como numa revisitada (Ermenegildo Zegna, Ermanno Scervino).

“Eu nunca vi nada tão inovador. Para sair um pouco de toda esta sartorialidade clássica, os estilistas inseriram alguns modelos com cores vibrantes e focalizaram-se principalmente nos calçados com sandálias e ‘sneakers’ bastante agressivos. Foi nos pés que se concentrou a verdadeira inovação desta temporada”, analisa Cesare Tadolini, proprietário de duas lojas em Módena. “De resto, tudo continua bastante moderado. Nós esperamos sempre grandes novidades, que infelizmente nunca chegam. Gostaríamos de ver algumas peças mais ‘fashion’ e um pouco menos atemporais, algo que estimule o cliente”, conclui.

As sandálias com correias de couro ao estilo grego, ou com solados grossos e tiras extralargas bem visíveis serão o must do próximo verão, enquanto o calçado desportivo destrona definitivamente o mocassim. Este foco sobre os calçados informais contribui para tornar o visual masculino mais leve. Dentre todas as colecções pôde-se notar um estilo descontraído. A silhueta está mais fluida. O essencial é que todo o fato seja confortável e funcional.
O fato meio-a-meio de Antonio Marras.

Nesta mesma linha, o blazer assume voluntariamente ares de roupão, ao passo que a calça jogging surge em jersey cinza ou decorada com grandes estampados (Ermano Scervino, Etro, John Richmond, Zegna, Philipp Plein). Várias calças exibem até mesmo uma dupla faixa lateral. Ainda no que concerne ao registo funcional, os auscultadores aparecem em algumas passarelas (Fendi, Dirk Bikkembergs), assim como as bolsas multiuso, usadas à tiracolo, bem visíveis em diagonal sobre o busto.

A mescla de roupas inscreve-se num contexto de normalidade. Não se trata de apenas misturar os materiais, mas de reconstruir um fato meio formal, meio desportivo. As mangas de um blazer podem ser removidas graças a zíperes na Moncler Gamme Bleu, os cintos com fivelas multiplicam-se, a camisa clássica transforma-se em agasalho do lado inverso com Antonio Marras.

De uma maneira geral, os costureiros milaneses foram felizes ao buscar todas as suas inspirações no universo desportivo. Versace e Roberto Cavalli inspiraram-se num universo Miami Beach, a Missoni, nos surfistas, a Moncler Gamme Bleu, no boxe, Dirk Bikkembergs, no triatlo, a Dolce & Gabbana, nas corrida de touros, Antonio Marras, no futebol, etc. Vários espetáculos decorreram até mesmo na à beira de uma piscina, num ringue de boxe e em recintos polidesportivos!

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