Reuters
6 de out. de 2016
Dior crê em Maria Grazia Chiuri para seduzir as jovens gerações
Reuters
6 de out. de 2016
Christian Dior apresentou sexta-feira passada a primeira coleção da sua nova diretora artística Maria Grazia Chiuri, primeira mulher colocada à frente da criação da prestigiosa casa de costura francesa.

Muito aguardada, a Italiana de 52 anos entregou um guarda-roupa em preto e branco, mesclando curtos blusões de couro, plastrãos de esgrima ou emblemáticos casacos "Bar" com amplas saias bordadas.
"Ela tem uma visão global para a marca", declarou Sidney Toledano, CEO da Dior. "Além do seu grande talento, Maria Grazia traz também, como mulher, uma ancoragem na realidade e uma proximidade com os artesãos", disse.
Em parceria com Pierpaolo Piccioli, a criadora foi a artesã do sucesso da Valentino, que assina um dos mais fortes crescimentos do luxo e cujas vendas saltaram 48% em 2015 para ultrapassar mil milhões de euros.
Ela tem também uma experiência reconhecida no mundo da marroquinaria. Depois de ter passado pela Fendi (outra marca do grupo LVMH), ela assinou vários 'best-sellers' da grife romana.
A marroquinaria, que consegue margens claramente mais elevadas que o pronto-a-vestir, representa um pouco mais da metade do volume de negócios da Dior, segundo os analistas.
Maria Grazia Chiuri tem também um grande domínio das redes sociais – como testemunha a presença da Valentino no Instagram, rede fetiche da moda – no momento em que esses médias mexem com a concorrência entre as marcas.
As jovens gerações ultra conetadas, que cresceram com a Internet, constituem o viveiro das grifes de luxo, mas consomem de forma diferente dos seus mais velhos.
"Face a essas mudanças, é preciso criadores que tenham, como Maria Grazia Chiuri, uma grande compreensão das expetativas dessa nova clientela", observou Sidney Toledano.
E-commerce
Os jovens consumidores, que compram cada vez mais via seu telefone móvel, são hoje mais puxados pelas "pequenas" marcas e preferem cada vez mais a "experiência", as viagens ou os restaurantes, à compra de produtos de luxo.
Neste contexto, o desenvolvimento da área digital tornou-se incontornável para os atores do luxo. "Os negócios modelos estão a mudar com a Internet, as redes sociais e a emergência de uma nova geração que compra de outra forma e que é muito impactado pela tecnologia", observou Sidney Toledano. "Nós trabalhamos no e-commerce, tendo por objetivo oferecer o que somos capazes de fazer nas lojas em termos de diálogo e de serviço", acrescentou.
Maria Grazia Chiuri chega à Dior no momento em que as vendas da grife – que atingiram 1.850 milhões de euros em 2015-2016 – sofrem com a desaceleração generalizada do luxo.
Penalizadas pela queda dos fluxos turísticos em Paris e em alguns países da Ásia, elas limitaram seu avanço a 2% com taxas de câmbio constantes ao longo do exercício encerrado a 30 de junho, depois de altas de 10% em 2014-2015 e de 19% em 2013-2014.
Neste contexto, a joalharia, que segue relativamente incólume à desaceleração geral do mercado, "registra um crescimento na casa dos dois dígitos", segundo o CEO da Dior. "A joalharia é um eixo de desenvolvimento importante para a Dior e temos a capacidade, no âmbito da produção, de crescer", explicou o dirigente.
A Dior conta com cerca de sessenta pontos de venda de joalharia no mundo e acaba de abrir na Avenida Montaigne, ao lado da sede histórica da grife, uma nova butique inteiramente dedicada às joias e aos relógios.
Maria Grazia Chiuri substitui o Belga Raf Simons, que não quis renovar seu contrato na Dior em outubro de 2015. Além da criação das coleções femininas, ela vai supervisionar também a imagem da marca e da sua rede de cerca de 197 lojas.
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