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Dior Men: Kim Jones triunfa no Champ de Mars

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
today 21 de jan de 2019
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access_time 3 Minutos
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Há momentos em que, de repente, os planetas parecem alinhar-se para um designer, e foi exatamente o que aconteceu com Kim Jones na última sexta-feira em Paris, com um excelente desfile e coleção para a Dior Men.


Dior Men - outono-inverno 2019 - Moda Masculina - Paris - © PixelFormula


Um daqueles momentos na moda em que tudo foi acertado. Uma coleção estelar, na qual a habilidade de drapear, a precisão da alfaiataria, os acessórios cativantes, o estilo perfeito e o cenário se encaixaram perfeitamente.
 
O local também foi acertado: o Champ de Mars, assim chamado em homenagem aos vastos campos onde os exércitos costumavam treinar na Roma antiga. O desfile foi organizado com precisão militar, misturando alma parisiense e história - marcando uma grande vitória para Jones.

A Dior também apresentou uma decoração brilhante, uma imensa caixa preta com uma escadaria móvel de 78 metros na qual desfilou o elenco multi-racial impecavelmente escolhido. Pinturas de moda vivas.

O ADN da Dior permeou toda a coleção, mas sempre nos termos de Jones, como foi possível observar na versão punk e pintada com spray do estampado Panthère de Monsieur Dior criada por Kim, ou nos amuletos cristãos supersticiosos feitos como alfinetes de segurança de CD. Punk parisiense com uma atitude nova.

No entanto, o elemento-chave foi a alfaiataria, feita em tons de cinza ardósia, roxo lamacento e carvão, cortada com elegância clássica e depois finalizada com envoltórios de tecido a combinar, cachecóis, faixas elásticas e estolas. Quanto ao calçado, botas modernistas - outra referência a Monsieur Dior - e botas expedicionárias dos Estados Unidos. Sam Peckinpah chega à alta costura.
 
Jones tem vindo a caminhar para este triunfo há uma década, desde que chegou como um talento emergente a mostrar roupas para clubes noturnos e roupas desportivas de vanguarda. A sua fama começou na sua posição anterior na Louis Vuitton, criando um estilo inteligente baseado na mistura do monograma com múltiplas culturas. Mas, esta segunda coleção de Jones para a Dior Men foi o seu auge.

O convite do desfile de Kim era uma bolsa macia com uma ilustração que lembrava a Revolução Francesa, telegrafando as suas intenções. A imagem - uma das muitas feitas pelo sombrio artista nascido no Arizona Raymond Pettibon - apresentava um sans-culotte de cabelos desgrenhados, cercado por uma série de frases: “C'est moi. A manifestação da feminilidade. A caricatura de personagens. A imagem do retrato. A ilustração da iluminação." As imagens de Pettibon apareceram em toda a coleção, em cases elegantes, tops e mochilas arrojados.


Dior Men - outono-inverno 2019 - Moda Masculina - Paris - © PixelFormula


Kim Jones fez isto desconstruindo os códigos da Dior, mesmo enquanto lhes prestava homenagem. O cenário era ideal, sendo este o lugar onde os revolucionários organizaram o Culto do Ser Supremo em 1774, e onde um ex-presidente da Câmara de Paris foi guilhotinado. O que faz com que os "coletes amarelos" pareçam muito tranquilos.
 
Jones provavelmente exagerou o seu apego ao legado Dior em muitas entrevistas até então, portanto foi reconfortante vê-lo a reformar a marca à sua imagem. Os calorosos aplausos após o desfile demonstraram o apreço do público pelo trabalho que fez na Dior Men.

"Eu queria a preciosidade e a arte da alta costura e da alma de Paris, eu queria algo verdadeiramente parisiense", disse Jones nos bastidores, depois do que parece ter sido o desfile mais marcante da temporada da moda masculina. É difícil imaginar alguém a superar isto.

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