Direitos humanos no centro do negócio de vestuário

Um ranking de performance corporativa relacionado com os direitos humanos descobriu que, embora cresça o compromisso das empresas de vestuário para com a transparência, persiste a falta de envolvimento de atores principais como Macy’s, Kohl’s ou Under Armour.


O Corporate Human Rights Benchmark (CHRB) foi lançado em março do ano passado enquanto projeto-piloto, liderado por investidores e grupos sem fins lucrativos, e o seu ranking avalia empresas através de 100 indicadores, focando-se nas políticas, liderança, processos, práticas e transparência.

O principal objetivo é fazer com que os investidores se preocupem, cada vez mais, com os impactos dos seus investimentos sobre os direitos humanos e recompensar as empresas que são mais transparentes nas suas políticas e práticas.

Do lado dos bons exemplos, a retalhista britânica Marks & Spencer ocupa o segundo lugar no ranking, com 64 pontos, a Adidas surge em quinto, com 57 pontos, e a H&M apresenta um score de 48 pontos. A Gap e a Nike também integram a lista com boas pontuações, 45 e 40, respetivamente. O Corporate Human Rights Benchmark demonstra, deste modo, a evolução das empresas no que diz respeito a programas e políticas para gerir e informar sobre os direitos humanos e seus atropelos.

O CHRB reconhece maior compromisso por parte das empresas para com a transparência desde o lançamento do projeto-piloto em 2017, listando atualmente mais de 5.000 empresas envolvidas.

No entanto, o relatório também aponta 28 empresas que «não se envolveram significativamente», incluindo a Macy’s, a Hermès e a Prada, que registam pontuações mais baixas, como «sinal de falta de transparência e compromisso público perante a gestão de riscos e impactos em termos de direitos humanos».

Citada como mau exemplo, a Macy’s pontuou 5 em 100 pontos possíveis, enquanto a Kohl’s ficou-se pelos 7 pontos e a Under Armour pelos 17.

5 objetivos de futuro

Numa tentativa de melhorar os relatórios e a transparência e garantir um impacto positivo no longo prazo, o CHRB definiu alguns objetivos:

1 – Simplificar as questões relativas à performance corporativa relacionado com os direitos humanos para que todos possam perceber o seu alcance e importância.

Ao desenvolver uma metodologia detalhada dividida em temas e ao produzir uma classificação pública das empresas no projeto-piloto, o CHRB acredita que está a ajudar a facilitar e simplificar o tema, para que todos sejam capazes de se envolver.

2 – Introduzir um ambiente competitivo positivo para que as empresas compitam pelos primeiros lugares no ranking anual.

O CHRB assume que a vontade de ter boa pontuação está a movimentar algumas empresas.

3 – Munir a sociedade civil com informações para desafiar as empresas com fracas performances.

O primeiro ranking relativo ao respeito pelos direitos humanos está disponível gratuitamente, o que promove a partilha de informação sobre o tema. No entanto, o CHRB admite que o formato e a acessibilidade dos dados podem ser melhorados para facilitar a exportação de dados relevantes para cada empresa.

4 – Permitir que os investidores incorporem “custos sociais” nas decisões de investimento.

Um ano após o lançamento do projeto-piloto, ainda é muito cedo para esperar mudanças radicais na comunidade de investidores como resultado do ranking do CHRB, particularmente em relação às decisões de alocação de capital.

5 – Dar a conhecer as empresas que colocam os direitos humanos no centro do negócio e assim apontam o caminho para os seus pares.

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