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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
14 de jan de 2020
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Dolce & Gabbana prestam homenagem ao know-how siciliano

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
14 de jan de 2020

No mundo da moda, às vezes sobrestimado, poucas marcas fazem tanto esforço para se conectarem às suas origens como a Dolce & Gabbana, cuja nova coleção foi uma ode encantadora e delicada ao artesanato italiano e às suas raízes sicilianas.


DDolce & Gabbana - outono-inverno 2020 - Moda Masculina - Milão - Photo: GoRunway.com


Dois modelos passearam pela passarela carregando delicadamente cordeiros. Longe do campo, as duas pequenas criaturas pareciam confusas. Pode até ser o começo de uma nova década, mas Dolce & Gabbana estão muito mais interessados nas habilidades centenárias do seu país. Intitulado "I Mestieri dʼArte", o desfile e a coleção homenagearam todas essas habilidades artesanais antigas, muitas das quais estão a desaparecer lentamente.

Os estilistas chegaram a instalar um pequeno grupo de artesãos a trabalhar na entrada do desfile: quatro mulheres tricotavam sem parar, ao lado de um relojoeiro idoso e um ourives. Num ecrã colocado na parte inferior da passarela, era possível admirar uma montagem de vídeos a preto e branco em homenagem aos artesãos rurais no seu ambiente de trabalho - fabricantes de cestas, ferreiros, pastores, ourives, oleiros e pedreiros, só para citar alguns.

Surpreendentemente, Stefano e Domenico não usaram a sua música de abertura característica, a banda sonora de "O Leopardo”, de Luchino Visconti. No lugar desta, a banda sonora consistia em meia dúzia de músicas de Franco Battiato, um maravilhoso cantor e compositor siciliano cujas músicas exploram ideias filosóficas e exóticas. Perfeita para acompanhar este desfile memorável.

A abundância de peças de malha e as suas múltiplas reviravoltas impressionou. Pareciam ter sido tricotadas pelas mulheres que estavam na entrada do desfile: malhas grossas, macacões, cardigãs oversized e casacos imponentes. A arte da alfaiataria foi revisitada de uma maneira muito mais rústica: todos os modelos usaram bonés de lã, em referência às cenas de “O Padrinho”, quando Al Pacino foge para a Sicília e conhece Apollonia.

Até a antiga arte de esmaltar apareceu em algumas belas camisas de seda com desenhos de bules. Quase todos os looks foram finalizados com botas militares ou de agricultor com sola de pneu, o calçado chave para o próximo inverno.

No entanto, embora a  Dolce & Gabbana certamente goste do seu ADN rural, está a tornar-se uma marca cada vez mais sofisticada. A marca acaba de adicionar um quarto andar à sua flagship de moda masculina localizada na Corso Venezia, no centro de Milão. Além do prêt-à-porter de luxo, há também uma nova seleção de relógios de última geração, cujos modelos mais recentes foram inspirados nos desenhos de Leonardo da Vinci.

Particularmente voltado para uma clientela muito seleta, o modelo Don Carlo, um relógio de pulso incrustado de esmeraldas, com o seu próprio movimento de tourbillon D&G patenteado, está à venda pela modesta quantia de 675 mil euros. Uma quantia que não tem a ver com a simplicidade do estilo de vida camponês, é claro, mas que permanece consistente com o espírito da Dolce & Gabbana.

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