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Em breve, chineses farão 50% das suas compras na China

Por
Reuters
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
today 16 de nov de 2018
Tempo de leitura
access_time 3 Minutos
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Os consumidores chineses, que irão representar quase metade do mercado global do luxo até 2025, farão cerca de 50% das compras no seu próprio país, forçando as grandes marcas a adaptarem-se à nova situação, explica a Bain & Co.


Reuters


O mercado do luxo deverá crescer 6% em 2018 a taxas de câmbio constantes, assim como em 2017, mas deverá desacelerar para cerca de 3% a 5% ao ano até 2025, segundo o estudo mais recente da consultora, publicado quinta-feira (15).

O mercado do luxo, que é impulsionado pelos consumidores chineses - que hoje respondem por 33% das compras de carteiras, relógios, joias e prêt-à-porter - pelo crescimento das vendas online e pelo crescente peso dos jovens consumidores, deve atingir um novo recorde de 260 mil milhões de euros em 2018.

Mas, nos próximos anos "o crescimento será mais fraco, apesar das bases sólidas, uma vez que o mercado está a entrar numa fase de maturidade", explicou à Reuters Federica Levato, sócia da Bain e coautora do estudo.

Apesar das recentes preocupações sobre a demanda chinesa não se terem materializado nos resultados trimestrais da LVMH, Kering, Hermès ou Moncler, o mercado pode sofrer fortes turbulências, segundo a Bain.

"O caminho para o crescimento pode ser um pouco acidentado, devido aos conflitos comerciais ou possíveis recessões económicas", destacou a consultora. Os investidores estão a monitorizar de perto as tendências do crescimento chinês e as possíveis repercussões da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos.

Colaborações com plataformas chinesas

Além disso, o crescimento das compras de luxo feitas na China, observado por vários anos, deve aumentar ainda mais. Em 2025, os clientes chineses serão responsáveis ​​por 46% de um mercado estimado entre 320 e 365 mil milhões de euros, e farão 50% das suas compras no seu próprio país, ante a 24% em 2018, prevê a Bain. Essa proporção já foi alcançada por alguns, como a Gucci (Kering), que tem, de longe, o maior crescimento do setor.

Essa evolução é explicada pela redução das diferenças de preços entre China e  Europa desde 2015 (de 70%, caiu para 25%, -30% em 2018) e as medidas de Pequim para promover o consumo doméstico. O governo chinês reduziu as tarifas sobre os artigos de luxo e reforçou os controlos nas fronteiras para limitar as importações de "daigous", que revendem em sites chineses os produtos adquiridos no estrangeiro, embolsando a diferença de preço.

Neste contexto, as grandes marcas de luxo que estabilizaram as suas redes de lojas na China estão agora a concentrar-se no e-commerce para expandir a sua base de clientes, em especial nas pequenas e médias cidades, abrindo os seus próprios sites de de comércio eletrónico ou colaborando com plataformas como Alibaba ou JD.Com.

No total, após um crescimento de quase 25% num ano para chegar a 10% das vendas de luxo globais, o comércio eletrónico deve alcançar uma participação de mercado de 25% em 2025.

A mudança geracional no mundo do luxo foi confirmada. Os millennials, com idade inferior a 35 anos, garantem a totalidade do crescimento global da indústria, em comparação com 85% em 2017. Os clientes jovens irão responder por 55% do mercado até 2025 e compensar o declínio esperado nas compras das gerações anteriores.

Assim como em 2017, em 2018, o luxo foi impulsionado pela categoria de calçado, que se tornou um acessório de moda acessível, pelas joias e os artigos de couro.

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