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Portugal Textil
Publicado em
5 de jul. de 2019
Tempo de leitura
5 Minutos
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Empresas do Norte digitalizam-se

Por
Portugal Textil
Publicado em
5 de jul. de 2019

Depois de dois anos a trabalhar para digitalizar as pequenas e médias empresas da região norte, o projeto Norte Digital, da ACEPI - Associação para a Economia Digital, premiou as 50 empresas que participaram no projeto. No evento, debateram-se também os desafios da digitalização no setor do vestuário.



Entre vestuário, calçado, moda e casa e mobiliário, a Fundação Cupertino de Miranda foi ontem palco de debate sobre 10 temas distintos, num evento que serviu para premiar e ouvir as histórias da participação das pequenas e médias empresas que foram apoiadas pelo projeto Norte Digital. O projeto teve como objetivo ajudar as empresas do norte do país a beneficiarem das potencialidades da presença na economia digital e no comércio eletrónico.

O presidente da ACEPI, Alexandre Nilo Fonseca, afirmou ao Portugal Têxtil que é «alarmante que 60% das empresas portuguesas nem sequer tenham presença na internet. Nos dias de hoje é quase como se não existissem».

Foi precisamente para colmatar esse número que surgiu o Norte Digital. «Começámos por fazer um roadshow em cerca de 20 cidades, captámos mais de 200 empresas interessadas em entrar neste projeto. Selecionámos as 50 que nos pareciam mais interessantes, não só pelos sectores e os produtos que tinham, como também pelo nível de maturidade. Foi muito interessante, nestes últimos seis meses, trabalhar e ajudar estas empresas a criar um plano de negócios para entrar no digital e ensinar tudo aquilo que é fundamental nos dias de hoje», revelou. No futuro, «com todos os conteúdos e com todo o conhecimento que foi adquirido, a ideia é que depois se passe este conhecimento para outras entidades e para outras empresas», acrescentou.

Por sua vez, no evento, o Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto de Miranda, seguiu a mesma linha, para dizer que «quem não está na internet não existe. Infelizmente temos muitas empresas que estão fechadas no seu casulo e estão a ficar invisíveis para o mercado», assegurando que «ainda há um longo caminho a percorrer e devia ser rápido. O projeto Norte Digital pode desempenhar um importante papel e ajudar o norte do país a manter a sua competitividade».

Os desafios

O Norte Digital decorreu ao longo de seis meses, num trilho que ficou marcado por muitos desafios para as empresas. Entre as premiadas estão nomes como a Confeções Calvi, a Cotton Brothers, Eureka, Pekan, Têxteis Texdia, Trotinete e Vandoma.

Alexandre Nilo Fonseca explicou que «a capacidade de atrair pessoas no digital é uma capacidade que tem de ser desenvolvida. O digital tem muitas vertentes, desde a componente dos pagamentos, da logística, da atração e da conversão de visitantes, … Tudo novas competências que, muitas vezes, as pequenas e médias empresas portuguesas não têm». Foi precisamente sobre as dificuldades da digitalização que se debruçaram os participantes nos 10 debates com as pequenas e médias empresas acompanhadas pela consultadoria especializada do programa.

No debate dedicado ao vestuário, os testemunhos foram passados por Catarina Lopes, gestora de marketing da Confeções Calvi, e João Freitas, um dos responsáveis pelo renascimento da Pacifique Sud.

Catarina Lopes está agora responsável pelo lançamento da marca própria da empresa, a Nüwa, agendado para setembro. A acabar de lançar uma campanha de crowdfunding no Indiegogo, cujo objetivo é agora criar uma loja online. «A Calvi é a típica empresa têxtil… com um site básico. Com a marca, vamos lançar uma loja online, mas também queremos estar em marketplaces e alguns locais de venda, de lojas que vendem produtos 100% portugueses. Uma das maiores dificuldades que sinto são os portes de envio de encomendas.  As empresas devem estudar muito bem a política de portes», destacou.

Quanto à Pacifique Sud, João Freitas deu nota que, apesar da vasta gama de produtos da marca, no online, as vendas estão focadas no poncho. «Quando se está a lançar uma estratégia vem o problema das devoluções, dos envios, das embalagens… O consumidor quer ver o preço e ver realmente o que tem de pagar. É complicado quando tentamos fazer o cálculo e não sabemos o destino. Pensem numa estratégia de entrada no comércio eletrónicos com produtos que controlem bem e, só depois, vão acrescentando mais artigo», apontou.

O poder das redes socias

No debate que se debruçou sobre a moda, marcam presença Tiago Trigo, diretor-geral da marca de joalharia Pekan, Ana Sousa, sócia-gerente da António Manuel de Sousa, que detém a Vandoma, a marca própria de laços, lenços e gravatas de homem e criança, e ainda Teresa Pimenta, fundadora da marca de joalharia We The Design.

Para Ana Sousa, as redes sociais e a loja online são elementos atualmente fundamentais para qualquer marca. «Trabalhamos com alguns influenciadores, com quem temos uma boa relação. Na altura em que apostámos na Vandoma, percebemos que a nossa coleção tem padrões considerados mais vintages que os influencers gostam. Tento publicar uma fotografia todos os dias no Instagram. Além disso, nas feiras, a pergunta de ordem é sempre se a marca tem loja online», contou. Sem números concretos, Ana Sousa não duvida que o investimento na digitalização «está mais que pago».

Quanto à marca Pekan, Tiago Trigo, confessou que, quanto a influenciadores a expressão da marca é limitada. «Os influenciadores cobram valores exorbitantes e baseiam-se nos seguidores, algo que pode ser falacioso. É difícil arrancar um compromisso em termos de resultados. Porém, apostamos nas redes sociais, com um investimento muito grande entre 2010 e 2013 no Facebook e em 2014 no Instagram», indicou. O responsável assumiu, contudo, que «os recursos são limitados, a capacidade de investimento é limitada… é preciso gerar muito tráfego, captar atenção, e fidelizar. O digital permite partir para o mundo inteiro, mas depois é preciso os meios que nos façam visíveis no mercado digital».

Da We the Desing, Teresa Pimenta reconheceu que «todos os dias surgem marcas novas. É muito difícil. A moda é um meio dificílimo. É um desafio muito grande perceber quais os influenciadores e os marketplaces ideias para nós, mesmo com este apoio do Norte Digital».

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