EssilorLuxottica regista aumento nas vendas no primeiro trimestre enquanto as tensões na governança continuam

A EssilorLuxottica anunciou na terça-feira (7) que registou crescimento nas vendas no primeiro trimestre e que manteve as metas para o ano todo. O anúncio foi feito dias antes de uma reunião anual na qual os investidores minoritários devem expressar frustração em relação a uma disputa de liderança que está a acontecer na empresa.


A receita do primeiro trimestre aumentou 3,7% a taxas de câmbio constantes, para 4,2 mil milhões de euros - Ray Ban

Criada em outubro do ano passado com a fusão da Essilor, fabricante francesa de lentes, e da Luxottica, fabricante italiana de óculos, a empresa informou que está a trabalhar ativamente em cerca de 20 projetos para integrar os dois negócios e prometeu reduzir custos. A empresa planeia atualizar os investidores sobre os projetos, que vão desde pesquisa e desenvolvimento até marketing, no dia do investidor, que acontece em setembro.

A receita do primeiro trimestre aumentou 3,7% a taxas de câmbio constantes, para 4,2 mil milhões de euros, com crescimento em todos os negócios e regiões. As metas, incluindo um aumento nas vendas de 3,5% a 5% este ano e a redução de custos de até 600 milhões de euros anuais nos próximos três a cinco anos, foram confirmadas.

A empresa não comentou, no entanto, as questões de governança que dificultaram a fusão de 54 mil milhões de euros nos últimos meses e devem ocupar o centro das atenções na reunião anual de acionistas do grupo que se irá realizar em Paris no dia 16 de maio.

CRISE

Apresentado como um ajuste lógico e uma fusão de iguais, o negócio da EssilorLuxottica desviou-se rapidamente por uma crise de gestão no topo da nova holding, onde ambos os lados se acusaram de tentar garantir a liderança.

As tensões tornaram-se claras em novembro do ano passado, quando o fundador da Luxottica, Leonardo Del Vecchio, agora o maior acionista do grupo, decidiu nomear o seu braço direito, Francesco Milleri, para o papel de CEO, irritando o lado francês.

A disputa tornou-se particularmente acirrada entre Del Vecchio e o vice-presidente executivo Hubert Sagnieres, que compartilham a liderança da EssilorLuxottica. A Essilor e a Luxottica devem ter o mesmo peso no conselho de administração da empresa resultante da fusão, sob um acordo que expira em 2021.

Em março, Del Vecchio entrou com um pedido de arbitragem na Câmara Internacional de Comércio, com sede em Paris, um processo que leva em média dois anos. Em resposta, a Essilor pediu a um tribunal de Paris para nomear um mediador externo.

Diversos investidores minoritários e a Valoptec International, uma entidade que representa ex e atuais funcionários, estão a pressionar para que diretores independentes sejam nomeados na esperança de aliviar o impasse na reunião de acionistas da próxima semana. O conselho da EssilorLuxottica aconselhou os acionistas a rejeitar as propostas.

Traduzido por Novello Dariella

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