Etro: criatividade ecológica

Não há nada melhor do que viajar para expandir horizontes. Uma afirmação que se aplica perfeitamente à Etro, onde uma viagem de duas semanas ao Japão do diretor criativo Kean Etro resultou numa coleção memorável.


Photo: Etro

O resultado foi a melhor coleção de moda masculina da Etro em vários anos, sobretudo graças à sua essência ecológica e tecidos verdadeiramente inovadores, entre os quais se destacou o bambu.

“A questão do bambu é que cresce em todo o lado, é invasivo, por isso devemos aproveitar a fibra. É a verdadeira biodiversidade. Quando se pensa na enorme quantidade de água que usamos para fazer algodão, em comparação o bambu parece um material maravilhoso”, argumenta Kean Etro.

Grupos de modelos posaram num caminho que percorria uma floresta de bambu, apresentando vários temas: samurai dandy, em fantásticos lenços de jacquard de bambu, casacos redingotes ou sobretudos. Ou artistas pré-Rafaelitas em casacos escuros bordados com pássaros, ao estilo Ikat; ou flautistas hippie com grandes casacos e calças de retalhos. É o verdadeiro estilo desleixado chic.
 
"Há muito mais riqueza num jacquard no qual se podem misturar seis ou sete fios diferentes", disse Kean entusiasmado. Felizmente, vimos jacquards por todo o lado e muito menos riscas, o que representa uma inteligente renovação na Etro.

O estilista não recorreu apenas ao bambu, tendo também incluído juta, cânhamo e até, por incrível que pareça, urtigas. "É incrível, mas funciona!", disse rindo. Segundo Kean, são precisos 20 mil litros de água para produzir um quilo de algodão, enquanto o cânhamo, por seu lado, precisa de apenas 500.
 
Durante a apresentação, foi possível ver todo o elenco de pé entre vários objetos elegantes, como um arco e flecha Kyudo, uma espada Kendo, um didgeridoo (instrumento de sopro) e flautas shakuhachi. O incrível aglomerado de bambu foi levado para a periferia de Milão por um experiente jardineiro italiano chamado Giampietro. Kean chamou-lhes Plantas Zero Quilómetros.
 
“Estive no Japão durante 15 dias e fui aos lugares que gosto no início de outubro. Conheci um mestre Zen e um fabricante de espadas de samurai. E fui para a um observatório projetado por Hiroshi Sugimoto. Editores que sabem que eu gosto destes lugares levaram-me até eles e ali fiz algumas horas de mediação e muitas artes marciais”, lembrou, parecendo muito revigorado, tal como esta coleção e a própria marca.

Traduzido por Estela Ataíde

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