×
375
Fashion Jobs
SACOOR BROTHERS
Sales Assistant- Centro Comercial Vasco da Gama (m, f)
Efetivo · Lisboa
TIFFOSI
Comprador de Moda (m/f)
Efetivo · Porto
TIFFOSI
Area Manager (m/f)
Efetivo · Faro
ADIDAS
Buyer - German Speaker (m/f)
Efetivo · Porto
JD SPORT
Stock Financial Controller
Efetivo · Alicante
JD SPORT
Demand Planner
Efetivo · Alicante
SACOOR BROTHERS
Sales Assistant- Forum Coimbra e Coimbra Shopping (m, f)
Efetivo · Coimbra
SHON MOTT
Sales Assistant
Efetivo · LISBOA
SALSA
Salsa Vendedor(a) de Loja - Braga Parque - a Tua Melhor Versão
Efetivo · Braga
H&M
Sales Advisor Part-Time Para Madeira
Efetivo · Funchal
H&M
Sales Advisor Part-Time Para Fórum Montijo
Efetivo · Montijo
CH CAROLINA HERRERA
Vendedor/a Lisboa Full Time
Temporario · LISBOA
THE FEETING ROOM
Sales Assistant
Temporario · PORTO
H&M
Sales Advisor Part-Time Para Cascais Shopping
Efetivo · Alcabideche
CONFIDENCIAL
Senior Sales Assistant
Efetivo · LISBOA
SALSA
Salsa Vendedor(a) de Loja - Dolce Vita Tejo (Ubbo) - a Tua Melhor Versão
Efetivo · Amadora
RALPH LAUREN
Sales Associate Part Time/ Vendedor de Loja (Part Time)
Efetivo · Modivas
RALPH LAUREN
Sales Associate Part Time / Vendedor de Loja (Part Time)
Efetivo · Modivas
SALSA
Salsa Vendedor(a) de Loja - Évora Plaza - a Tua Melhor Versão
Efetivo · Évora
TIFFOSI
Store Manager/ Gerente de Loja
Efetivo · Beja
HUGO BOSS
Sales Associate Hugo Boss Centro Comercial Lisboa (f/m)
Efetivo · Lisbon
HUGO BOSS
Sales Associate Hugo Boss Centro Comercial Lisboa (f/m)
Efetivo · Lisbon
Publicado em
4 de mai de 2020
Tempo de leitura
8 Minutos
Partilhar
Fazer download
Fazer download do artigo
Imprimir
Clique aqui para imprimir
Text size
aA+ aA-

Exclusivo Maria Gambina: "A produção está controlada, embora tenha parado de produzir novas peças estes últimos dois meses"

Publicado em
4 de mai de 2020

Maria Gambina abre a sua loja, na Foz do Douro (Porto), segunda-feira (4 de maio), na chamada primeira fase do desconfinamento em Portugal. A estilista portuguesa que é uma mais requisitadas e de maior reconhecimento internacional, na área do streetwear vende também através do Instagram @maria_gambina.

Em entrevista exclusiva, ao site FashionNetwork.com, e remetendo ao estado de emergência findo a 2 de maio, a designer diz que "a produção está controlada, embora tenha parado de produzir novas peças estes últimos dois meses". 

Gambina conta, ainda, como deu os primeiros passos na moda e de que forma o concurso Coup de Lune da Air France e Hotel Meridien, moldou o seu destino, logo em 1990. Estudava Pintura, na Escola Superior de Belas Artes do Porto, e Moda no CITEX. O entusiasmo de ser reconhecida, antes de terminar a formação no CITEX, acabou por a desviar do caminho das artes plásticas. Depois deste primeiro prémio, foi agraciada uma dezena de vezes.


Maria Gambina no final do seu desfile do Portugal Fashion, em março, que se realizou à porta fechada - Foto: Ugo Camera - Maria Gambina


A música (e tudo o mais em redor) foi desde sempre uma inspiração maior para Maria Gambina. O seu feeling e aposta na moda não falharam. Depois do 1.º prémio do Coup de Lune, ficou em 3.º lugar no concurso FIOS Fisip (1992) e em 1.º no concurso Sangue Novo da Moda Lisboa (1992 e 1993); logo depois, foi agraciada com 1.º prémio da Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo (1994); Criadora do Ano’ 97 pela Look Elite; 1.º prémio para as fardas da EXPO 98, juntamente com José António Tenente (1997); Globo de Ouro na categoria Personalidade do Ano-Moda (1998); e a sua coleção, Music in my Life, venceu o prémio da melhor coleção feminina promovido pela Moda Lisboa (2000); 1.º prémio do concurso de vestuário personalizado para os funcionários ADERTURN-Turismo e Norte de Portugal (2004); 1.º prémio no design de uniformes para o Colégio Efanor de Matosinhos (2008).

Em março de 2000, participou no calendário oficial da Semana da Moda de Paris, ao integrar o desfile Portugal Fashion International Les Créateurs Portugais e, em 2006, recebeu o prémio de Melhor Estilista, na categoria de Moda, atribuído na Gala The Best of Porto. Foi a designer escolhida para representar Portugal, como embaixadora, no âmbito do projeto Euro-Fashion/ Fashion ft. Football 2012, na Ucrânia.

A música entrou nas primeiras coleções de Gambina, como o ambiente do Porto, nos anos 80 e 90 do século XX, uma interminável passerelle de moda onde os jovens se faziam notar pela criatividade, especialmente nas saídas à noite em espaços como o Anikibobó, Bibó Porto, Griffons, Indústria, Lá Lá Lá, Swing. A cultura musical acompanhava este ritmo, com a fundação de várias bandas que se eternizaram no tempo, como os GNR que se tornaram tão conhecidos com Portugal na CEE e Sê um GNR (1981), dando Rui Reininho a voz, e Pronúncia do Norte (1992) com Isabel Silvestre; os Táxi, banda também nascida no Porto um ano antes (1979), famosa pelas canções Chiclete, Meu Manequim, Tv-Wc e Vida de cão (1981); os Trabalhadores do Comércio desde 1979, com Binhu Garrafas de Binho, Chamem a Polícia e Sim, Soue um Gaijo do Porto (1981), Taquetinho ou Lebas no Fucinho (1995); Pedro Abrunhosa com os Bandemónio e Tudo o que eu te Dou (1994) ou Se eu Fosse um Dia o teu Olhar (1996); Rui Veloso com os êxitos Chico Fininho e Sei de uma Camponesa (1980), Porto Sentido e Porto Côvo (1987).

O final do século XX foi um período de vida e liberdade. Já o início do novo milénio, marcou extremos como a mudança radical na mentalidade com as viagens, redes sociais e globalização que foi agora refreada com a pandemia de COVID-19 a ameaçar a Humanidade, enquanto não existir uma vacina eficaz.

Como tantas outras no Porto e no país, a loja de Maria Gambina reabre, na Foz do Douro, esta semana, com o levantamento gradual das restrições impostas desde março, e uma vez que o governo português decidiu não prorrogar o estado de emergência face à COVID-19, mesmo que a doença continue a somar casos e mortes em Portugal e no mundo.

Foram mais de 40 dias em casa e, agora, continuam a cumprir-se os mandamentos. Apesar de Gambina não produzir máscaras (ou vestuário de proteção), estas são finalmente obrigatórias e o incumprimento leva mesmo a multas entre os 120 e 350 euros. Nas lojas é, também, obrigatório ter à entrada uma solução à base de álcool para as mãos.


Coleção de outono-inverno 2020/2021, apresentada por Maria Gambina no último Portugal Fashion - Foto: Ugo Camera - Maria Gambina


FashionNetwork.com: Quais as medidas tomadas, pela Maria Gambina, durante os meses de confinamento?
Maria Gambina:
 Como só vendo na minha loja e através do meu Instagram @maria_gambina, a produção está controlada embora tenha parado de produzir novas peças estes últimos dois meses.

FNW: Com a obrigatoriedade de máscaras, nesta primeira fase de desconfinamento, estas vão passar a fazer parte das suas coleções?
MG:
Todas as minhas peças são produzidas em pequenos ateliers que estão fechados, por esse motivo não produzo máscaras ou fatos de proteção.

FNW: Recuando ao tempo em que se iniciou na moda, Maria Gambina natural de Oliveira de Azeméis, cedo veio viver para o Porto onde frequentou o curso de Pintura da Escola Superior de Belas Artes, em 1989. Porque não o concluiu? 
MG: Concorri para o Curso de Design de Moda do CITEX porque não tinha a certeza se entraria em Pintura nas Belas Artes, acabei por entrar em ambos. Durante um ano frequentei o CITEX de dia e as Belas Artes à noite, o que foi extremamente exausto pois o CITEX era muito exigente. Talvez tenha sido essa exigência, o sentir que estava em constante aprendizagem, aliado ao facto de ter vencido logo um concurso no meu primeiro ano do CITEX, o concurso Coup de Lune, assim como de ser um curso mais curto, acabou por me influenciar a desistir das Belas Artes.

FNW: Acabou por tirar o curso de Design de Moda do CITEX, também no Porto, que concluiu em 1992. Ser designer de moda foi um sonho? E, a breve aprendizagem em Pintura, foi útil na moda?
MG: Não, nunca foi um sonho, nem nunca tinha pensado nisso, foi um acaso. Concorri ao CITEX apenas porque não sabia se entrava em Belas Artes e porque tinha professores das Belas Artes a lecionar. Só estive um ano nas Belas Artes e foi um ano muito teórico.

FNW: Mesmo antes de terminar o curso no CITEX e logo depois, foi galardoada numa série de concursos. De que forma este reconhecimento mudou o percurso, traçando o caminho de sucesso? 
MG: Os prémios são sempre um reconhecimento do trabalho, no meu caso também serviram como incentivos. Não consigo saber se foram responsáveis pelo meu percurso, se traçaram o caminho de sucesso. Acredito que fazem parte do meu percurso, mas o caminho do “sucesso” só se fez com muito esforço, dedicação, paixão, conhecimento, uma forte personalidade e uma certa teimosia.

FNW: Lecionou oito anos, no CITEX (1994-2002), e 10 na ESAD (2008-2018). De alguma forma o ensino e a troca de saberes e opções estéticas com os alunos influenciam a sua obra?
MG: O ensino e a troca de saberes influenciaram-me muito. As opções estéticas nem por isso.

FNW: Foi professora de Katty Xiomara, Nuno Baltazar, Paulo Cravo, Ricardo Andrez, entre outros, e agora da nova geração de jovens designers em ascensão, de Beatriz Bettencourt, David Catalán, Gonçalo Peixoto, Inês Torcato, Joana Braga, Olimpia Davide, Rita Sá e Tânia Nicole. Estes nomes foram desde logo uma descoberta, ou foram-se fazendo?
MG: Depende dos casos, existem alunos que me apercebo logo que têm uma sensibilidade apurada e talento, outros que se tem que trabalhar muito. Mas, em ambos os casos, vão-se fazendo ao longo dos cursos nas várias disciplinas interdisciplinares. 

FNW: Considerada hoje uma das estilistas portuguesas mais requisitadas, na área do streetwear, inspira-se nos movimentos musicais e artes de rua para criar (consta). Em que cenários busca esta inspiração?
MG: As minhas inspirações vêm sempre das referências que me rodeiam e me tocam de alguma forma. Não é assim tão linear que seja a música ou movimentos urbanos, de certa forma é tudo que me desperta alguma curiosidade e que o único elo de ligação sou eu mesma.   

FNW: Aposta na venda exclusiva em lojas próprias da marca, tendo, em 1995, aberto a primeira na Foz do Douro, no Porto, e a segunda, em 1999, no Saldanha, em Lisboa. Como correram as experiências.
MG: Neste momento só tenho a loja da Foz. Por viver no Porto e não ter uma estrutura grande, tornou-se impossível acompanhar a loja de Lisboa à distância. 


Coleção de outono-inverno 2020/2021, apresentada por Maria Gambina no último Portugal Fashion - Foto: Ugo Camera - Maria Gambina


FNW: Em 1997, desenhou com José António Tenente, o projeto vencedor para as fardas dos funcionários da Expo'98. Distinguida como criadora do ano pela Elite Model Look, em 1997, apresentou a coleção outono-inverno em Estocolmo (Suécia), a convite do ICEP. No ano seguinte, participou com a coleção outono-inverno 1998/99, no Workshop de Paris, então inédito na moda portuguesa. Em 1998, apresentou a coleção primavera-verão no festival Memphis in May, nos EUA. Em 1999, voltou a marcar presença no Workshop de Paris, com a coleção 1999/2000, o que acabou por abrir portas do mercado japonês. Em finais de 1999, levou a São Paulo, a coleção verão 2000, graças ao convite feito para participar no Portugal Fashion Internacional. Quais destes foram os eventos mais marcantes e quais definiram a internacionalização?
MG: Para mim o evento mais marcante foi vencer, em parceria com o Tenente, o concurso das fardas da EXPO 98. Era uma miúda e deu-me muita projeção, a EXPO 98 foi um grande acontecimento em Portugal visitado por milhões de pessoas e todos sabiam que as fardas eram nossas. Através do Portugal Fashion entre 1999 e 2005 apresentei coleções em vários eventos internacionais, onde tive maior visibilidade e de certa forma se começou a traçar um caminho para a internacionalização foram as minhas apresentações na PASSARELA GAUDI em Barcelona, Espanha. Mas, infelizmente, depois acabou. Atualmente, não considero que tenha uma carreira internacional.

FNW: Atualmente, quais as participações mais significativas.
MG: Só apresento no Portugal Fashion no Porto.

FNW: Quais dos reconhecimentos a marcaram definitivamente e mudaram o curso da carreira.
MG: Todos eles tiveram um papel relevante na minha carreira mas não sinto que algum tenha mudado o meu percurso, apenas o fortaleceram.

FNW: Como amante da música, em especial do jazz, soul ou bossa nova, que assiste particularmente na noite do Porto. De que forma este mundo musical entra nas suas coleções?
MG: Como tudo o que me rodeia, mas posso dizer que a música que eu ouço já foi responsável por muitas histórias, paletas cromáticas e volumetrias nas minhas coleções.
 

Copyright © 2021 FashionNetwork.com. Todos os direitos reservados.