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11 de dez de 2020
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Exportações da ITV continuam em queda

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Portugal Textil
Publicado em
11 de dez de 2020

Embora tenham recuperado em temos relativos no acumulado do ano, as exportações da indústria têxtil e vestuário continuam a somar perdas. Entre janeiro e outubro, a queda rondou os 530 milhões de euros, com o aumento das exportações de máscaras a não ser suficiente para compensar as reduções nos envios de vestuário.



Nos primeiros 10 meses de 2020, as exportações de matérias têxteis e suas obras caíram 12% face a igual período de 2019 – uma ligeira melhoria em comparação com os números anteriores, relativos aos primeiros nove meses do ano, onde a quebra foi de 12,7% – , ficando-se pelos 3,88 mil milhões de euros, em comparação com os 4,41 mil milhões de euros entre janeiro e outubro do ano passado.

A queda nas exportações é praticamente transversal aos 10 principais mercados dos têxteis e vestuário “made in Portugal”, com exceção de França (o segundo maior mercado), que registou um aumento de 6,8%, para 597,9 milhões de euros. Espanha, o maior mercado, comprou menos 24,7%, equivalente a menos 338 milhões de euros, para o Reino Unido a redução é de 6%, para os EUA a perda é de 5,9% e para Itália há uma descida de 12,7%. Já para a Alemanha, o terceiro principal mercado, há praticamente uma estagnação em comparação com 2019 (-0,1%).

Entre as principais categorias de exportação, o vestuário e seus acessórios, exceto de malha é a mais penalizada em termos relativos, com uma redução de 25,1% das exportações, representando menos 209,8 milhões de euros, em comparação com os primeiros 10 meses de 2019. Já em termos absolutos, a mais afetada é o vestuário e seus acessórios, de malha – que é também a maior categoria de exportação de matérias têxteis e suas obras – com uma perda de 259,5 milhões de euros, equivalente a menos 14,4%.

«A degradação da situação sanitária já se sentiu nas encomendas e, consequentemente, nas exportações de outubro, com os clientes a mostrarem-se mais receosos e a preferirem não arriscar», afirma César Araújo, presidente da ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção, que em comunicado revela que, em termos mensais, o decréscimo das exportações agravou-se em outubro, com menos 12,1% em termos mensais.

«Os confinamentos e restrições que estiveram em vigor em novembro e que continuam em muitos países neste mês de dezembro deverão trazer mais más notícias para a indústria de vestuário portuguesa e a melhoria provocada pela esperança de uma solução, com as vacinas, ainda vai demorar vários meses a refletir-se no negócio», acredita.

Máscaras crescem

O agravamento da situação em termos mensais foi igualmente realçado pela ATP – Associação Têxtil e Vestuário Portuguesa. Num comunicado assinado pelo presidente Mário Jorge Machado, a associação indica que «as exportações de têxteis e vestuário, no passado mês de outubro registaram uma quebra de 7% face ao mês homólogo do ano transato, com um valor mensal de exportações de 454 milhões de euros, menos 34 milhões de euros exportados face a outubro de 2019, o que representa um agravamento face aos resultados verificados em setembro (-5%, segundo os dados atualizados hoje)».

A ATP destaca ainda o desenvolvimento das exportações de máscaras têxteis em outubro, que «foi a que registou maior crescimento absoluto no mês em análise (mais 9,3 milhões de euros, correspondendo a +264%)».

Na análise à subcategoria artefactos têxteis confecionados, incluídos os moldes para vestuário, não especificados nem compreendidos noutras posições, onde são incluídas as exportações de máscaras, verifica-se que, desde o início do ano e até outubro, houve um incremento de 527,4%, para 181,6 milhões de euros, o que representa mais 152,7 milhões de euros do que no mesmo período de 2019.

Em termos de mercados, estas exportações deste tipo de artigo têm como principal destino França, que atualmente representa cerca de 42,6% do total de envios, equivalente a 77,5 milhões de euros. Segue-se Espanha, com uma quota de 15,2% (27,6 milhões de euros), a Alemanha, com uma representação de 11,6%, e o Reino Unido, com uma quota de 5,4%.

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