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12 de out. de 2021
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Exportações de têxteis e vestuário aceleram e acumulam subida de 1,2% até agosto face a 2019

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Agência LUSA
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12 de out. de 2021

As exportações portuguesas de têxteis e vestuário reforçaram em agosto a tendência de crescimento, somando 3.582 milhões de euros no acumulado desde janeiro, mais 1,2% do que no mesmo período de 2019, anunciou hoje a associação setorial.


Foto de Michael Burrows/ Pexels


“De acordo com os dados publicados pelo INE [Instituto Nacional de Estatística] e tratados pela ATP [Associação Têxtil e Vestuário de Portugal], as exportações de têxteis e vestuário no mês de agosto reforçaram a tendência de crescimento, com uma evolução mensal de cerca de 10% face a agosto de 2019”, refere a associação em comunicado.

Já nos primeiros oito meses do ano, o setor exportou um total de 3.582 milhões de euros, registando um aumento de 1,2% face aos 3.540 milhões de euros do mesmo período de 2019 e subindo 16,8% relativamente aos 3.067 milhões de 2020.

A ATP nota, contudo, que “a recuperação no setor não é homogénea, existindo atividades e produtos que continuam a sofrer dificuldades de recuperação”, evidenciadas pelos respetivos desempenhos nas exportações, mas que têm também “implicações para as atividades que estão a montante da sua produção”.

Assim, os produtos que têm reportado “melhores desempenhos” face ao período de janeiro a agosto de 2019 são as roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha (com um acréscimo de quase 79 milhões de euros, +25%); camisolas, pulôveres, cardigãs, coletes e artigos semelhantes, de malha (aumento de 61 milhões de euros, +22%; e artefactos têxteis confecionados, incluídos os moldes para vestuário (mais 28 milhões de euros, +125%).

De destacar ainda os bons resultados dos segmentos de fatos, conjuntos, casacos, calças, jardineiras, bermudas e calções (shorts), de malha, de uso masculino (aumento de 26 milhões de euros, +45%) e do vestuário e seus acessórios, de malha, para bebés (acréscimo de 14 milhões de euros, +29%).

Pelo contrário, os produtos que mais dificuldades de recuperação têm sentido são os fatos de saia-casaco, conjuntos, casacos, vestidos, saias, saias-calças, calças, jardineiras, bermudas e calções, de uso feminino, em tecido (quebra de 64 milhões de euros, -30%); os fatos, conjuntos, casacos, calças, jardineiras, bermudas e calções, de uso masculino, em tecido (quebra de 54 milhões de euros, -30%); e as t-shirts, camisolas interiores e artigos semelhantes, de malha (menos 32 milhões de euros, -5%).

Têm-se ainda ressentido os tecidos contendo, em peso, < 85% de fibras sintéticas descontínuas (com uma quebra de 23 milhões de euros, -40%), e os camiseiros, blusas, de uso feminino, em tecido (menos 20 milhões de euros, -11%).

Em termos de mercados, a ATP salienta as exportações com destino a França (acréscimo de 67 milhões de euros, +15%), EUA (aumento de 56 milhões de euros, +25%) e Itália (mais 25 milhões de euros, +12%).

No período em análise e comparando com 2019, as exportações para Espanha, principal cliente da indústria têxtil e vestuário portuguesa, registaram uma quebra de 178 milhões de euros, tendo sido “o destino mais afetado”.

Até agosto, a balança comercial do setor registou um saldo positivo de 1.039 milhões de euros, com uma taxa de cobertura de 141%.

No que se refere especificamente ao setor do vestuário, a Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC/APIV) salienta que as exportações recuperaram 364 milhões de euros até agosto, em relação ao ano anterior, mas estão ainda cerca de 58 milhões de euros abaixo do valor registado em 2019.

"Os números preliminares do INE para o conjunto dos primeiros oito meses de 2021 revelam um crescimento acima dos 21% nas vendas de vestuário ao exterior em comparação com o mesmo período de 2020, ficando estas cifradas nos 2.070 milhões de euros", sendo que "esta tendência continua a ser dinamizada pelo vestuário de malha, com o vestuário de tecido ainda muito aquém dos valores de 2019", nota.

De acordo com a associação, "nos oito primeiros meses do ano, as exportações de vestuário de malha evidenciaram um desempenho muito mais dinâmico do que os produtos de vestuário de tecido, acumulando um crescimento de 29,3% em relação a 2020 e de 6,9% quando comparadas com 2019.

No caso do vestuário de tecido, assiste-se a um ligeiro crescimento em relação a 2020 (aumento de 2,3%), mas as exportações permanecem ainda muito abaixo do verificado em 2019 (descida de 23,6%)".

Entre os principais mercados de destino das exportações de vestuário, a ANIVEC/APIV destaca Espanha que, apesar de permanecer 22,4% abaixo do valor de 2019, já recuperou 17,7% das exportações em relação a 2020.

Aponta ainda o desempenho do mercado francês, com crescimentos de 13,8% em relação a 2019 e de 22,7% face a 2020.

"No conjunto, as exportações de vestuário continuam a evoluir positivamente, aproximando-se dos valores pré-pandemia, o que demonstram a capacidade de resiliência do setor. No entanto, reiteramos que esta recuperação está a ser conseguida com desempenhos muito distintos", destaca o presidente da ANIVEC.

Segundo César Araújo, "por um lado, o vestuário de malha tem uma evolução francamente positiva em diversos mercados de referência. Por outro lado, assiste-se ainda a algumas dificuldades no vestuário em tecido, onde, por exemplo, o mercado espanhol, com um peso na ordem de 35% das exportações, permanece quase 39% abaixo do valor de 2019". Contudo, acrescenta, "este também é subsetor que recuperará muito rapidamente com a consolidação do desconfinamento e o regresso da normalidade da vida social".

PD // EA/MSF (Lusa)

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