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Portugal Textil
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11 de jan. de 2021
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Exportações em queda, mas tecidos melhoram

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Portugal Textil
Publicado em
11 de jan. de 2021

As exportações de tecidos especiais, tecidos impregnados e tecidos de malha registaram uma performance positiva em novembro do ano passado face ao mesmo mês de 2019. No geral, os envios de matérias têxteis tiveram uma melhor performance em novembro, mas o vestuário em tecido acentuou a queda.



Os números publicados hoje pelo INE – Instituto Nacional de Estatística trazem notícias agridoces para a indústria têxtil e vestuário. Em novembro, as exportações baixaram 6,8%, para 404,3 milhões de euros, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, uma queda inferior, em termos relativos, à sentida em outubro (-7,2%).

Contemplando apenas as categorias do têxtil, os números são melhores do que no mês anterior. Os tecidos de malha, por exemplo, regressaram a comparações positivas em novembro, com uma subida de 3,6% nas exportações face ao mesmo mês de 2019, impulsionada por um aumento dos envios para os EUA (+4,4%, para 2,2 milhões de euros) – que foi, de resto, o principal mercado para os tecidos de malha em novembro, depois da queda de 16,8% das encomendas de Espanha –, para França, onde foi registado um crescimento de 26,2%, para 1,25 milhões de euros, e para Itália (+63,6%, para 513 mil euros).

Também os tecidos especiais, os tecidos tufados, as rendas, tapeçarias, passamanarias e bordados tiveram um crescimento de 22,2%, para 10,5 milhões de euros, e os tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados e os artigos para usos técnicos de matérias têxteis sentiram uma subida de 13% nas exportações, com comparações mais favoráveis do que em outubro.

Mesmo algumas categorias que registaram quedas evidenciaram números relativos mais positivos do que em outubro, como é o caso da lã (-25,5% em novembro e -42,2% em outubro) e do algodão (-2,9% em novembro e -12,3% em outubro).

Já no vestuário, os números mostram um cenário diferente, pelo menos no caso do vestuário e seus acessórios, exceto de malha, onde as exportações caíram 34% em novembro, em comparação com a queda de 25,3% em outubro. No vestuário e seus acessórios, de malha, o cenário é mais positivo, com uma descida de 5,4% nas exportações em novembro (em outubro tinha sido de 6,5%).

11 meses com quedas a dois dígitos

Apesar da ligeira melhoria em novembro, os números para os primeiros 11 meses de 2020 continuam negativos. «Em termos acumulados, até novembro de 2020, o sector têxtil e vestuário exportou 4,3 mil milhões de euros, com uma quebra de cerca de 12% face ao mesmo período de 2019», revela Mário Jorge Machado, presidente da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, em comunicado.

Espanha, o principal mercado, continua em queda, com uma descida de 24,6%, para 1,13 mil milhões de euros, assim como Itália, que em termos relativos é o segundo país que mais cai (-13,1%). Há, no entanto, entre os 10 países mais significativos para as exportações nacionais, mercados que estão a crescer, como é o caso de França (+5,5%), Bélgica (+3%) e Dinamarca (+5,9%).

Analisando apenas o vestuário, e considerando as duas categorias em conjunto, entre janeiro e novembro, as exportações baixaram 17,5%, para 2,39 mil milhões de euros, o equivalente a menos 507 milhões de euros do que no período homólogo de 2019.

Entre os 10 principais mercados do vestuário “made in Portugal”, apenas a Dinamarca registou uma evolução positiva, com mais 6,2%. Espanha, o principal mercado, somou, nos primeiros 11 meses do ano, uma descida de 29,9%, para 809 milhões de euros, o que representa menos 345 milhões de euros do que nos mesmos meses de 2019. As quebras agravaram-se ainda em França (-6,7%) e em Itália (-9%).

«A queda era já esperada, face ao agravamento da pandemia na Europa, que continua a ser o grande mercado da indústria portuguesa de vestuário», afirma, em comunicado, César Araújo. «Os números de infetados continuam a subir, os governos estão a tomar medidas mais rigorosas em relação às deslocações das pessoas e ao comércio e é provável que este início de ano seja igualmente difícil para a atividade desta indústria. É, por isso, fundamental continuar a apoiar estas empresas, sob risco de vermos desaparecer parte importante deste sector que representa cerca de 90 mil postos de trabalho», explica o presidente da ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção.

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