Facebook rompe laços com corretores de dados especializados em publicidade direcionada

(Reuters) - No âmbito de um escândalo de recolha de dados pessoais, o Facebook anunciou planos para encerrar parcerias com várias grandes corretoras de dados que ajudam os anunciantes a atingir os utilizadores na rede social.


Photo d'archives/REUTERS/Ognen Teofilovski

O grupo norte-americano Facebook está a ser acusado de negligência na proteção dos dados dos seus utilizadores, após admitir que uma empresa de consultoria, a Cambridge Analytica, teve acesso aos dados 50 milhões de pessoas. Esta empresa trabalhou, em seguida, para Donald Trump durante a campanha presidencial nos Estados Unidos em 2016.

O Facebook anunciou na quarta-feira (28) que está a tomar medidas para permitir que seus utilizadores controlem melhor o conteúdo das suas contas através de uma mudança nas configurações de privacidade.

Há anos, o Facebook tem permitido que anunciantes veiculem anúncios direcionados com a ajuda de dados recolhidos por empresas como Acxiom e Experian. "Embora essa seja uma prática comum no setor, acreditamos que esta iniciativa, que será implementada nos próximos seis meses, ajudará a preservar a privacidade dos utilizadores no Facebook", declarou Graham Mudd, diretor comercial do Facebook.

Medir o desempenho publicitário continua a ser possível

As ações da Acxiom caíram mais de 10%, para US $ 25, no pregão de quarta-feira, em Wall Street, em reação ao anúncio do Facebook. A Acxiom disse que não espera um impacto da decisão do Facebook na sua receita e lucro para o atual ano fiscal, que termina em março, mas prevê um impacto negativo de cerca de 25 milhões de dólares no ano fiscal de 2019. A empresa espera receitas entre 910 milhões e 915 milhões de dólares para o ano fiscal de 2018.

O Facebook não quis comentar sobre um possível impacto nas suas receitas de publicidade. Os anunciantes ainda poderão usar os serviços de dados fornecidos por terceiros para medir o desempenho dos seus anúncios visualizando dados de compra, informou o Facebook.

O Facebook listou nove provedores de dados com os quais trabalhou, incluindo Acxiom, Experian, Oracle Cloud Data, TransUnion e WPP PLC. Além da Acxiom, as empresas citadas também não quiseram comentar sobre o assunto.

A 25 de Maio,deve entrar em vigor, na Europa, uma regulamentação que prevê a proteção de dados pessoais. Alguns parlamentares nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha exigem que Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook, explique pessoalmente o escândalo da recolha de dados.

O Congresso americano também quer ouvir os proprietários da Alphabet, empresa que detém o Google e o Twitter, sobre este assunto. A Federal Trade Commission (FTC) dos Estados Unidos abriu uma investigação contra o Facebook.

Traduzido por Novello Dariella

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