Farfetch prepara-se para a loja do futuro

A retalhista online de moda Farfetch, com sede em Londres, planeia lançar nos próximos meses nova tecnologia para revolucionar as compras nas lojas, revelou o presidente executivo na quarta-feira.


Há muito que circulam rumores sobre uma possível entrada da Farfetch no mercado de ações - Reuters/Toby Melville

A Farfetch, cuja possível entrada no mercado de ações tem sido muito falada ultimamente, administra uma plataforma online que permite aos consumidores comprar roupa e acessórios de luxo de mais de 700 marcas e lojas de todo o mundo.
 
Depois de comprar a loja Browns, em Londres, em 2015, a Farfetch está também a trabalhar em tecnologia que permite que os clientes criem uma lista de produtos desejados através dos seus telemóveis à medida que percorrem uma loja, ou até mesmo dizer aos assistentes que não querem ser incomodados.

O português José Neves, CEO e fundador, que anteriormente lançou uma marca de calçado, disse que a Farfetch está a testar os referidos serviços e irá começar a adaptá-los para outras marcas ou lojas.
 
“O plano é começar este ano a distribuir, de forma muito seletiva, a outros parceiros”, disse Neves numa entrevista. “Achamos que é uma oportunidade tremenda e que é, na verdade, inevitável. As lojas de retalho ainda atuam como nos anos 80.”

As empresas de bens de luxo, incluindo líderes da indústria como a LVMH, proprietária da Louis Vuitton, ou a Kering, proprietária da Gucci, empenharam-se recentemente em vender os seus produtos online, lançando e renovando sites de comércio eletrónico para diversas marcas.

A Richemont, proprietária da Cartier, revelou na semana passada a sua intenção deter na totalidade o maior rival da Farfetch, a retalhista de luxo Yoox Net-A-Porter, numa tentativa de apostar mais no online. Ao contrário da Yoox, a Farfetch não precisar de fazer stock de inventário.
 
MERCADO DE AÇÕES NOS PLANOS?
 
As vendas online de produtos high-end como calçado, roupa, joalharia, perfumes e carteiras, deve chegar a pelo menos um quinto do mercado de bens de luxo até 2025, aumentando dos 8% em 2016, disseram esta semana consultores da McKinsey num relatório.

José Neves não revelou quanto a Farfetch estava a investir em tecnologia e recusou-se a comentar sobre quando a empresa começaria a dar lucro ou potencialmente entrar no mercado de ações.
 
A Farfetch duplicou o seu número de engenheiros entre 2016 e 2017 para quase mil – numa equipa que totaliza dois mil funcionários – e espera que esse número atinja cerca de 1600 este ano, com cerca de 90 engenheiros a trabalharem na “loja do futuro”, um aumento comparativamente com os 60 que agora se dedicam à tarefa, disse Neves.
 
De acordo com os últimos registos disponíveis no Reino Unido, as receitas da Farfetch aumentaram 74% em 2016 para 151,3 milhões de libras (172,5 milhões de euros), enquanto as perdas líquidas aumentaram para 34 milhões de libras (39 milhões de euros).
 
No final de 2016, Neves disse que uma entrada no mercado de ações poderia ser uma possibilidade dentro de dois ou três anos, e bancos de investimentos têm estado a argumentar a favor de uma potencial entrada em bolsa nos Estados Unidos, revelaram à Reuters esta semana duas fontes próximas do assunto.
 
Em 2016, uma ronda de angariação de fundos valorizou a empresa em cerca de 1,5 mil milhões de dólares. Desde então, o segundo maior site de comércio eletrónico da China, o JD.com, investiu e associou-se à Farfetch. A China é um dos mercados de crescimento mais rápido da Farfetch, disse Neves.

Traduzido por Estela Ataíde

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