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Estela Ataíde
Publicado em
30 de set. de 2022
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Fashion for Goods quantifica potencial do têxtil europeu reutilizável

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
30 de set. de 2022

Segundo um estudo realizado ao longo de dezesseis meses em seis países, cerca de 74% das 494 mil toneladas de têxteis de baixo valor ou não reutilizáveis recolhidas poderiam ser recicladas. A conclusão é do projeto Sorting for Circularity Europe, liderado pela Fashion for Goods, que analisa a natureza das fibra descartadas e as redes industriais que devem ser desenvolvidas para lidar com elas.


Shutterstock


O estudo foi realizado na Bélgica, Alemanha, Polónia, Espanha, Países Baixos e Reino Unido, onde se estudaram 21 toneladas de roupas em fim de vida durante as temporadas outono-inverno 2021 e primavera-verão de 2022 para entender as variações sazonais. Os resultados mostram que a fibra mais observada é o algodão (42%), à frente de misturas de fibras (32%), entre as quais predomina o "polialgodão" (12%): mistura de algodão e poliéster.
 
Se omitirmos os elementos problemáticos como botões e fechos, bem como as problemáticas de reciclagem relacionadas com a coloração, verifica-se que 21% dos stocks analisados podem ser explorados por reciclagem mecânica, enquanto 53% são geríveis por reciclagem química. E é isso que pretende a Fashion for Good com este estudo porque, por agora, apenas 2% das roupas em fim de vida se destinam a reciclagem de fibra.

“À medida que aumentam os compromissos e as políticas de reciclagem têxtil de fibra a fibra, assim como a quantidade de resíduos têxteis recolhidos, a infraestrutura necessária para impulsionar a mudança para sistemas circulares requer um investimento significativo para a escalar”, diz a diretora da Fashion for Good, Katrin Ley . "Para tomar decisões de investimento informadas, bem como para avaliar o interesse comercial para a monetização através da reciclagem, é necessária uma compreensão mais profunda das características do atual cenário têxtil europeu pós-consumo. Este projeto estabelece as bases de conhecimentos que permitirá que os principais atores comecem a agir."


Peças e materiais observados nas recolhas dos seis países estudados - Fashion for Good


No seu relatório de doze capítulos disponível gratuitamente, a Fashion for Good estima que nos países estudados seria possível obter 264 mil toneladas anuais de algodão, assim como 67 mil toneladas de poliéster e 78 mil toneladas de polialgodão. Com a reciclagem ainda a esbarrar principalmente no tingimento de produtos, o estudo sublinha que os stocks disponíveis para reciclagem mecânica são predominantemente brancos (25,1%), azuis (20,8%), pretos (14,1%) e cinzentos (10,3%).
 
Outra barreira à reciclagem são elementos "disruptivos", como fechos, botões e outros detalhes de metal, que se impõem como uma questão-chave. De facto, em 48,7% das roupas de camada única analisadas, esses elementos não eram removíveis. E apenas 32,4% das peças não possuem um elemento disruptor. Questões a ter em conta para as marcas em busca da circularidade: os seus elementos disruptivos continuam a ser um desafio para a triagem e reciclagem automatizada de roupa.
 

Seis recomendações para mais circularidade



No final deste relatório rico em números destinados a fabricantes, marcas e criadores, a Fashion For Food formula cinco propostas. Propõe-se nomeadamente incentivar o design de produtos que prevejam a sua reciclabilidade, numa altura em que 26% do vestuário se revela não reciclável por vários motivos. Sugere-se também considerar a reciclagem como último recurso: as marcas devem priorizar o aumento da longevidade dos seus produtos lhes para dar um "ciclo de vida adequado". A FFG destaca ainda que a etapa de triagem, pouco automatizada, continua cara, o que deve ser levado em consideração no cálculo do preço das fibras a serem recicladas.


Volumes recolhidos por país e composição atual dos canais de recolha, reciclagem e utilização - Fashion for Good


A Fashion for Good aponta ainda que o aumento das quantidades de materiais recolhidos não aproveitáveis corre o risco de prejudicar o necessário desenvolvimento dos canais de triagem. Um elemento a ter em conta para as marcas, numa altura em que 55% dos materiais recolhidos nos países observados são encaminhados para o estrangeiro. A FFG também pede mais pesquisas quantificadas, país por país, a fim de identificar potenciais e obstáculos à reciclagem têxtil.
 
A organização apela por fim ao próprio consumidor, incentivando-o nomeadamente a privilegiar peças feitas de um único material, ou uma mistura de apenas dois materiais. Mas também a reparar, revender ou mesmo trocar essas roupas e acessórios antes de considerar confiá-las a redes de recolha.

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