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Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
23 de out de 2020
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3 Minutos
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Gap: "irrelevante no mercado europeu"

Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
23 de out de 2020

Uma vez que a Gap contempla a saída de retalhistas que operam diretamente, na Europa e no Reino Unido, os analistas concluíram que os seus problemas são em grande parte da própria autoria.


Gap


A GlobalData declarou que a empresa ofereceu "gamas de produtos pouco inspiradoras", enquanto a sua dependência de descontos pesados a deixa "irrelevante no mercado europeu".

A crítica surgiu após a divulgação de relatórios onde o retalhista considera fechar todas as lojas da empresa na Europa inteira, bem como um centro logístico no Reino Unido.

Gemma Boothroyd, analista de Vestuário da GlobalData, disse que não foi uma surpresa "dada a sua oferta de produtos indistinguíveis e o facto de não capitalizar a crescente procura de vestuário casual".

Os problemas da empresa surgiram, nos últimos anos (e apesar da sua competência principal – o vestuário casual), por se ter tornado cada vez mais dominante, especialmente em 2020.

Boothroyd acrescentou: "Apesar do vestuário confortável estar a ser procurado, este ano, uma vez que os consumidores europeus passaram mais tempo em casa, foi demasiado tarde para a Gap alavancar as suas linhas de produtos existentes, com a reputação já danificada por anos de gamas sem brilho". 

Muitas marcas e retalhistas eletrónicos europeus inclinaram-se para a moda lounge durante os lockdowns e descobriram que isto aliviou a dor da queda geral da moda.

"Embora globalmente a Gap tenha conseguido praticamente duplicar o seu negócio de comércio eletrónico, representando quase 50% das vendas totais em plena pandemia de COVID-19, este sucesso não se traduziu na Europa, onde as vendas totais do segundo trimestre terminado em agosto caíram 47%", acrescentou Boothroyd.

A analista reforçou também que os consumidores europeus "não têm fidelidade patriótica às compras com a marca" e que perderam a quota de mercado que outrora tinham esculpido na Europa.

Enquanto alguns retalhistas que se concentram em roupa ocasional e outras peças formais sofreram com o facto de as roupas para sair e para trabalho em escritório terem sido pouco procuradas, a Gap deveria ter ficado numa posição privilegiada para capitalizar o período de licença/trabalho de casa na primavera e verão.

Mas, Boothroyd argumentou que, rivais como a Fast Retailing's Uniqlo, aproveitaram melhor esta oportunidade com "estilos fiáveis e intemporais, em vez de tendências de curto prazo", retorquindo que: "A Uniqlo prosperou ao manter uma oferta de produtos clean e simples, apelativa. Comparativamente, a Gap espalhou-se demasiado e, mesmo com um desconto de produto consistente e significativo, não conseguiu captar o interesse dos compradores europeus".

Embora possa parecer uma avaliação dura, não se pode negar que o setor da moda tem uma longa história de marcas que não atravessam com sucesso continentes. E, a taxa de fracasso entre o Reino Unido/Europa e a América do Norte, reflete-o. Marcas que se dão bem num continente podem lutar noutro por um lugar ao sol. Isto foi comprovado, há relativamente pouco tempo, quando a Topshop do Reino Unido reduziu os planos de expansão norte-americana e depois abandonou a região.

Agora, a Gap parece que pode estar prestes a repetir o mesmo na direção oposta.
 

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