Gigantes franceses do luxo mergulham no Vale do Silício

Steve Jobs pode ter sido um gênio da tecnologia, mas ele claramente não se importava muito com a moda.

O chefe do Facebook, Mark Zuckerberg, seguiu seus passos, vestindo uma camiseta cinza todos os dias durante anos - trocando por um terno preto simples apenas para testemunhar perante o Congresso e o Parlamento Europeu.


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Hermès (Resort) - Primavera-Verão 2019 - Coleção Cruise - Paris - © PixelFormula

Mas o Vale do Silício, cujos bilionários há muito tempo aderiram ao vestuário básico e funcional, pode finalmente começar a ter o gostinho de algo mais extravagante.

Percebendo uma oportunidade, a Hermès, uma empresa de luxo francesa, lançou sua 34ª loja nos Estados Unidos em Palo Alto, o coração ultra-rico dos gigantes tecnológicos do mundo.

"Abrimos essa nova loja depois que a nossa butique em São Francisco obteve resultados muito fortes", disse o presidente-executivo da Hermès, Axel Dumas, aos acionistas em junho.

"É também uma aposta no futuro. Hoje em dia, você pode ver como os residentes costumam investir mais em seus carros do que em suas roupas. Esperamos poder mudar um pouco isso", acrescentou Dumas.

Guillaume de Seynes, um dos principais executivos da Hermès, vê um grande potencial no Vale do Silício.

Palo Alto "não fica muito longe de São Francisco, onde o luxo está em toda parte. No entanto, o ambiente é muito diferente. As pessoas estão muito focadas em seu sucesso profissional, e trabalham longas horas", disse ele.

Por enquanto, esse potencial ainda não floresceu, e os moradores do Vale do Silício ainda vestem jeans, camisetas e tênis.

- 'Senso de vestimenta desastroso' -

"Se você realmente pensar nisso, Steve Jobs tinha um senso de vestimenta desastroso", disse Eric Briones, co-fundador da Paris School of Luxury, à AFP.

"E mesmo que esteja começando a ficar um pouco melhor agora, ainda é muito simplista. Mas isso não impede (as pessoas) de ganharem bilhões!" ele adicionou.

Os líderes de startups tiveram um impacto cultural tão grande que empresas em todo o mundo se tornaram mais informais em relação às roupas, disse Briones.

"Hoje em dia, os donos de startups são vistos como o epítome do sucesso. Para eles, as roupas são utilitárias, funcionais e secundárias", ele acrescentou.

"E se eles usam um terno, estes não devem amassar, porque eles não têm tempo para passar. Eles vivem o momento, pulando de um avião para o outro", disse Briones.

Até recentemente, poucas marcas de luxo haviam pensado em se aventurar em Palo Alto. Hoje, três gigantes franceses - Hermès, Louis Vuitton e Cartier - estabeleceram lojas por lá.

Na vizinha Santa Clara, viciados em moda sofisticada podem encontrar as lojas Christian Dior, Balenciaga e Yves Saint Laurent, todas amontoadas em um shopping center californiano.

Mas, só porque não usam necessariamente roupas de grife, os filhos da revolução digital não são, de maneira alguma, novos para o luxo.

"Este segmento populacional em particular...já adotou hábitos de vida luxuosos", disse Elisabeth Ponsolle des Portes, do Comitê Colbert, que reúne 82 marcas de luxo francesas especializadas em moda, gastronomia, hotéis e cultura.

"Eles investem muito em imóveis, arte contemporânea, carros e caridade. Eles também sabem muito sobre vinho e gastronomia", ela acrescentou.

- 'Plantando uma semente' -

O Comite Colbert estabeleceu uma parceria com a prestigiosa Universidade de Stanford, localizada no Vale do Silício. A partir de setembro, os artesãos ensinarão aos alunos as técnicas cobiçadas aperfeiçoadas ao longo de séculos pelos ourives franceses.

Em dezembro, o grupo planeja receber cerca de 70 industriais e investidores californianos em Paris, onde visitarão oficinas de alfaiataria e jantarão em Versalhes - "experiências únicas que o dinheiro não compra", disse Ponsolle des Portes.

"Estamos plantando uma semente", disse ela, acrescentando que não é o retorno financeiro que as empresas buscam.

Em vez disso, seu grupo quer "ajudar (os moradores do Vale do Silício) a entenderem a diferença entre o luxo baseado em marketing e o verdadeiro".

Além da beleza dos lenços e da elegância das bolsas e sapatos, as marcas francesas de luxo também podem ter outra lição para os gigantes do Vale do Silício.

Segundo Ponsolle des Portes, as empresas de tecnologia estão intrigadas com "a longevidade das empresas".

A Hermès foi fundada em Paris em 1837, Cartier em 1947 e Dior em 1946.

O Google nasceu em 1998 e o Facebook em 2004.

"No modelo de negócios do Vale do Silício, as empresas são 'uberizadas' em cinco anos", disse Ponsolle des Portes.

Traduzido por Novello Dariella

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