Giorgio Armani aposta na moda inclusiva

Giorgio Armani apresentou uma coleção que defende um mundo sem fronteiras numa manhã tensa em que milhares de anti-fascistas entraram em confronto com manifestantes anti-imigração de direita no centro de Milão.

Giorgio Armani - outono 2018 - Instagram

"Sempre trabalhei de acordo com o tempo em que vivemos, porque a roupa afeta o nosso comportamento e atitude, e por isso criei para esta temporada uma coleção rica e inesgotável, inspirada por muitas culturas numa espécie de ode à coexistência na oposição para a exclusão ", explicou Armani assim que terminou o desfile, que foi seguido pela projeção do filme La Giacca (O Casaco) criado por estudantes do Armani Laboratory, o seu centro de pesquisa juvenil.
 
Foi uma das coleções mais experimentais dos últimos tempos, criada por um dos melhores alfaiates da história da moda. Grande parte da coleção seguia padrões abstratos, flashes de vermelho, ouro e roxo. As referências a outras culturas distantes eram sutis, não literais.

O ponto-chave foram as puras formas esculturais desde o início; criadas em tons de massa, cimento e argila, evocando elementos de design japonês, minimalismo ocidental e grandeza russa. Terminou com chapéus de veludo inspirados em Tudor e gorros de lã georgianos dignos de uma pintura de Niko Pirosmani. Uma coleção mista em que os homens usavam fatos de veludo de três peças e elegantes smokings de veludo preto.
 
Pode não ter sido o melhor desfile da Armani, uma vez que houve alguma experimentação que não funcionou muito bem, mas foi a ressonante declaração de um designer octogenário que continua a explorar novas áreas para conquistar.

Após o desfile, Armani estava sentado na primeira fila para desfrutar de uma projeção privada de Una Giacca, um excelente filme criado por oito alunos. Cada um deles selecionado para ser aconselhado por grandes especialistas italianos: a lenda do cinema Michele Placido; o diretor de fotografia Luca Bigazzi (La Grande Bellezza); e a figurinista Gabriella Pescucci (vencedora do Oscar por The Age of Innocence).
 
"Para mim, o cinema sempre foi uma das principais referências no design, então acho que é ótimo", explicou Armani, sorrindo, antes da exibição do filme, uma história engenhosa sobre o empoderamento das mulheres, ajudada, é claro, por por um casaco masculino Armani que acrescenta apenas a quantidade certa de seriedade a dois jovens aspirantes a trabalhadores. Ambos são contratados.
 
Da idade da inocência ao chamado de Armani à tolerância. Uma grande mensagem na era do Me Too.

Traduzido por Isabel Pimentel

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