Giorgio Armani retorna à Câmara Nacional de Moda Italiana

Neste período de crise e de incertezas, Giorgio Armani decidiu fazer um gesto em favor da organização da moda italiana, inscrevendo-se de novo na Câmara Nacional de Moda Italiana (CNMI), principal instituição do setor, que reúne cerca de 140 marcas e casas de moda, da qual ele havia se dissociado em 1990.

O anúncio chega depois de anos de polêmicas realimentadas no último mês de maio pelo novo vice-presidente da Camera della Moda e CEO da Prada, Patrizio Bertelli. Este último atacou com certa truculência os estilistas que figuravam no calendário das Fashion Weeks sem estarem inscritos na associação, mirando, sem citá-los, em especial Giorgio Armani e Dolce & Gabbana.
Giorgio Armani

O costureiro milanês já havia replicado que marcas italianas demais estavam desfilando em outras cidades, referindo-se claramente à Valentino e à segunda linha da Prada, a Miu Miu, que apresentaram suas coleções em Paris: "Ou eles retornam para Milão, ou eu não me inscrevo na Câmara de Moda", havia ameaçado basicamente, permanecendo presente no calendário oficial.

Entretanto, durante as duas Fashion Weeks milanesas (em junho a masculina e, em setembro, a feminina), Giorgio Armani havia dado um passo em direção às instituições, colocando seu teatro em duas ocasiões à disposição para receber os desfile de um jovem designer, ou seja, o famoso espaço Armani de Milão, concebido pelo arquiteto japonês Tadao Ando, que, até então, recebia exclusivamente os desfiles da grife.

No último mês de setembro, o estilista da Costume National, Ennio Capasa, parece ter ouvido o apelo de Armani, já que retornou às passarelas milanesas depois de ter desfilado por mais de vinte anos em Paris.

Um gesto que parece ter tocado Giorgio Armani, como ele mesmo explica em um breve comunicado para justificar sua mudança de atitude. "Mesmo achando que seja necessário que todas as marcas italianas voltem a desfilar em Itália para restaurar o brilho de nosso país, eu compreendo, como empresário, que precisamos de tempo para modificar algumas situações construídas ao longo dos anos. Apreciei o gesto de Ennio Capasa, que é um passo importante nessa direção".

Contudo, o costureiro deseja que outras empresas sigam esse exemplo. "Parece-me justo e necessário, nesse ínterim, eu também dar um sinal mais forte de comprometimento em favor da retomada da vitalidade da moda italiana e um sinal de confiança para com a ação que as outras marcas presentes na Câmara de Moda se comprometeram a empreender", conclui.

Para a Camara della Moda, essa decisão é uma boa notícia. "É fundamental que os protagonistas do Made in Italy continuem unidos para tornar o sistema italiano mais competitivo. E esse gesto, da parte de Giorgio Armani, é um sinal importante que aponta para essa direção", entusiasma-se Mario Boselli, presidente da Câmara de Moda. Agora só falta responder ao chamado o duo Domenico Dolce e Stefano Gabbana...

Foto: Divulgação

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