Google Glass: futuro incerto e perda de fé dos adeptos mais antigos

São Francisco (Reuters/EP) – Após dois anos a aparecer em eventos de destaque usando o Google Glass, o dispositivo que transforma óculos em tecnologia de filmes de espião, o cofundador do Google Sergey Brin surgiu sem nada no rosto num evento no Vale do Silício no passado domingo (16).

Ele havia deixado o seu Glass no carro, disse Brin a um repórter. O executivo do Google, que chefia o laboratório ultrassecreto que desenvolveu o Glass, não desistiu do produto, tendo usado o seu há pouco tempo em uma praia.

Mas o momento escolhido por Brin para não usar seu Glass não é auspicioso. Muitos desenvolvedores e utilizadores antigos do Glass estão a perder o interesse na muito propagandeada versão de teste de 1.500 dólares do produto: uma câmara, processador e tela de computador do tamanho de um selo montados na ponta da armação do óculos. O próprio Google adiou o lançamento do Glass para o mercado de massa.

Embora o Glass possa encontrar alguns usos especializados, até mesmo lucrativos, no local de trabalho, as perspetivas de se tornar um sucesso entre consumidores no futuro próximo são baixas, dizem muitos desenvolvedores.

Dos 16 desenvolvedores de aplicações para o Glass procurados pela Reuters, nove disseram que pararam de trabalhar ou abandonaram seus projetos, na maior parte devido à falta de consumidores ou às limitações do dispositivo. Outros três passaram a desenvolver aplicações para negócios, deixando para trás projetos para consumidores.

Um bom número de desenvolvedores maiores continuam com o Glass. As quase 100 aplicações no sítio oficial incluem o Facebook e OpenTable, apesar de que um grande ator recentemente desertou: o Twitter.

"Se houvesse 200 milhões de Google Glasses vendidos, seria uma perspetiva diferente. Não existe mercado a este ponto", disse o administrador delegado da Little Guy Games, Tom Frencel, que suspendeu o desenvolvimento de um jogo para o Glass este ano e está a olhar para outras plataformas, incluindo o óculos de realidade virtual Oculus Rift, de propriedade do Facebook.

Vários importantes funcionários do Google, instrumentais em desenvolver o Glass, deixaram a companhia nos últimos seis meses, incluindo o líder desenvolvedor Babak Parviz, o engenheiro elétrico chefe Adrian Wong e Ossama Alami, diretor de relações com desenvolvedores.

Além disso, um consórcio de financiamento do Glass criado pela Google Ventures e dois dos maiores investidores de risco do Vale do Silício, Kleiner Perkins Caufield & Byer e Andreessen Horowitz, silenciosamente apagaram seu sítio na web, encaminhando utilizadores para o sítio principal do Glass.

O Google insiste que está empenhado com o Glass, com centenas de engenheiros e executivos a trabalhar nele, além da nova chefe ‘fashionista’ Ivy Ross, ex-executiva da Calvin Klein. Dezenas de milhares de pessoas usam o Glass no programa piloto para consumidores.

"Estamos completamente energizados e tão energizados como sempre sobre a oportunidade que dispositivos vestíveis e o Glass em particular representam", disse o chefe de operações de negócios do Glass, Chris O'Neill.

O Glass foi o primeiro projeto a surgir da divisão X do Google, o grupo sigiloso que tem como tarefa desenvolver produtos de altíssima tecnologia como carros com direção autónoma. O Glass e dispositivos vestíveis no geral representam uma nova tecnologia, como os ‘smartphones’ foram um dia, que provavelmente vai demorar um tempo para evoluir a um produto que os consumidores gostem.

"Estamos tão engajados como sempre estivemos com um lançamento para consumidores. Isso vai demorar um tempo e não vamos lançar este produto até que ele esteja absolutamente pronto", disse O'Neill.

Brin havia previsto um lançamento este ano, mas 2015 é a data mais provável agora, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.

Imagem: Divulgação

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