Grandes grupos do luxo e da beleza mobilizam-se para reconstruir Notre-Dame

Poucas horas após o devastador incêndio que atingiu a catedral de Notre-Dame de Paris, grandes grupos franceses anunciaram a sua vontade de participar na reconstrução deste edifício simbólico, começando com os gigantes do luxo e da beleza Kering, LVMH e L'Oréal, já dedicados ao mecenato. A Artemis, sociedade de investimentos da família Pinault, irá assim desbloquear 100 milhões de euros para participar na reconstrução da Notre-Dame de Paris, devastada na noite de segunda-feira pelas chamas, anunciou o seu presidente François-Henri Pinault através de um comunicado enviado à AFP durante a noite.


Espectadores assistem na noite de 15 de abril de 2019 ao fogo impressionante ne Notre Dame de Paris - AFP

Na manhã de terça-feira, o grupo LVMH e a família Arnault anunciaram, por sua vez, uma "doação de 200 milhões de euros" para a reconstrução da Notre-Dame de Paris. "A família Arnault e o grupo LVMH, solidários com esta tragédia nacional, associam-se à reconstrução desta extraordinária catedral, símbolo de França, do seu património e da sua união", escrevem num comunicado enviado à AFP.
 
A LVMH indica igualmente "colocar à disposição do Estado e das estruturas envolvidas todas as suas equipas, criativas, arquitetónicas e financeiras, por um lado para auxiliar o longo trabalho de reconstrução e, por outro, para a recolha de fundos que se anuncia".
 
"Esta tragédia atinge todos os franceses, bem além de todos aqueles que estão ligados aos valores espirituais." “Diante de tal tragédia, todos desejam ver renascer esta joia do nosso património o mais rapidamente possível", escreve François-Henri Pinault, presidente da holding familiar e do grupo de luxo Kering. "O meu pai [NR: François Pinault] e eu decidimos desbloquear dos fundos da Artemis uma soma de 100 milhões de euros para participar no esforço que será necessário para a reconstrução completa de Notre-Dame." A Artemis é o braço armado do império fundado por François Pinault, hoje com 82 anos e terceira fortuna de França. A empresa, fundada em 1992, é dirigida por François-Henri Pinault desde 2003.

Ao longo do dia de terça-feira, foi a L'Oréal quem anunciou a sua participação neste esforço de reconstrução, anunciando duas doações: a primeira do grupo L'Oréal e da sua família proprietária, os Bettencourt Meyers, de 100 milhões de euros, e a segunda, novamente de 100 milhões de euros, através da fundação familiar Bettencourt Schueller. "Esta doação prolonga um apoio de vários anos a Notre-Dame de Paris, um dos principais protagonistas do nosso país nos domínios de canto coral e artesanato, que são ambos compromissos a longo prazo da fundação em matéria artística", pode ler-se no comunicado do grupo.
 
Estes valores, que se somam a doações de associações, entidades e particulares, deverão beneficiar de um tratamento fiscal favorável, visto que França dispõe de um dos mecanismos do mundo que mais favorecem a filantropia corporativa. Desde a lei de Aillagon, de 2003, destinada a favorecer o financiamento da cultura, as empresas podem deduzir 60% das suas despesas a favor do mecenato, com a possibilidade de beneficiarem de um benefício fiscal escalonado ao longo de cinco anos, num limite de 25% da doação.

Pedido de dedução fiscal excecional
 
Essa redução fiscal, aplicada no limite de 5 ‰ (cinco por mil) do volume de negócios anual, excluindo impostos, pode chegar a 90% quando diz respeito à compra de bens culturais considerados "património nacional" ou que apresentem "um grande interesse para o património nacional". O desconto é então aplicado dentro do limite de 50% do imposto devido.
 
Esta medida, que significa que, em última análise, a empresa só contribui com 10% do seu gesto, não pode em teoria ser aplicada a projetos de restauração de grandes monumentos patrimoniais, como a reconstrução da Notre-Dame de Paris: esta extensão foi proposta algumas vezes pelo Ministério da Cultura, mas sem sucesso.

Mas, desde a noite de segunda-feira foram várias as vozes que se ouviram a pressionar o governo para favorecer uma fiscalidade o mais vantajosa possível. É necessário “que o Estado decrete rapidamente Notre-Dame como Tesouro Nacional, para que as doações feitas para a sua reconstrução beneficiem da redução de impostos de 90%", defendeu o antigo ministro da Cultura Jean-Jacques Aillagon, considerando que "a República Francesa deve tomar uma medida excecional".

"Vamos ver com o governo que dispositivo específico implementaremos, mas é claro que o Estado estará ao lado de todos os nossos compatriotas para reconstruir" e "vai assumir as suas responsabilidades", assegurou, por seu lado, na França Inter o seu sucessor à frente do ministério, Franck Riester.
 
Num relatório publicado no outono, o Tribunal de Contas apelou ao "melhor controlo" do mecenato empresarial, devido ao seu custo considerado excessivo para as finanças públicas. De acordo com os magistrados financeiros, este aumentou dez vezes em 15 anos, chegando a quase 900 milhões de euros por ano.
 
(A redação com a AFP)

Traduzido por Estela Ataíde

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