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Portugal Textil
Publicado em
24 de jan. de 2019
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4 Minutos
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Grandes marcas não travam exploração

Por
Portugal Textil
Publicado em
24 de jan. de 2019

A maioria das marcas de vestuário e calçado tem falhado no combate à exploração dos trabalhadores nas suas cadeias de aprovisionamento. Numa análise da Know The Chain, a LVMH, a Salvatore Ferragamo e a Prada estão entre as empresas com uma pontuação mais baixa.


A Know The Chain mediu os esforços da indústria da moda na luta contra o trabalho forçado, pontuando as empresas do vestuário e calçado. O novo estudo, revelado pelo just-style.com, aponta que quase um terço das empresas analisadas obteve pontuações abaixo de 10/100. Segundo o relatório, metade das empresas não tem políticas que impeçam, por exemplo, as entidades empregadoras de retirar os passaportes dos trabalhadores. No estudo, três marcas de luxo – a LVMH, a Salvatore Ferragamo e a Prada – obtiveram pontuações abaixo dos 15/100. As mais bem classificadas foram a Adidas, a Lululemon e a Gap Inc. A análise dá ao sector do vestuário e do calçado uma média geral de 37/100. Ainda que estes dados revelem melhorias em relação ao estudo realizado em 2016, a maioria das empresas teve classificações baixas e mais de dois terços obtiveram uma classificação inferior a 50/100. A pesquisa adianta ainda que o progresso na indústria é desequilibrado e que tem grandes falhas em aspetos essenciais como o recrutamento responsável – uma das áreas que tem um impacto mais forte nas vidas dos trabalhadores mais vulneráveis.

Apesar dos resultados, a Know The Chain, concluiu, no ano passado, que o sector do vestuário tende a ser mais avançado no esforço de erradicar o trabalho forçado das suas cadeias de aprovisionamento, quando comparado com as empresas do sector da alimentação e bebidas.

Imigrantes e mulheres são os mais afetados

Apesar de décadas de escrutínio público sobre as condições de trabalho na indústria, os trabalhadores, particularmente imigrantes e mulheres, são frequentemente explorados através de força, fraudes e coerção. Muitos grupos trabalham em troca de salários baixos ou mesmo sem remuneração, separados das suas famílias, e com restrições quanto a deslocações ou oportunidades alternativas.

A situação agrava-se quando são cobradas taxas de recrutamento aos trabalhadores, que estes nunca conseguem pagar, tornando-os escravos de dívidas e trabalho forçado. «Ninguém deveria ter que pagar para trabalhar», considera Kilian Moote, diretor de projeto na Know The Chain. «Precisamos que as marcas levem a cabo ações mais fortes para garantir que trabalhadores vulneráveis são recrutados eticamente e que as suas opiniões e reivindicações são ouvidas transversalmente na cadeia de aprovisionamento», assegura.

As indústrias do vestuário e do calçado dependem cada vez mais do trabalho emigrante. Por exemplo, os trabalhadores imigrantes compõem cerca de 77% da mão de obra da Jordânia e 44% da força trabalhadora da Maurícia. Este grupo, em particular, está em maior risco de exploração, já que há empregadores que confiscam os passaportes aos trabalhadores, com o objetivo de impedir os imigrantes de viajarem livremente e permitem às agências de recrutamento que cobrem taxas elevadas. Em Taiwan descobriu-se que havia agentes de recrutamento que cobravam aos trabalhadores imigrantes cerca de 7 mil dólares (cerca de seis mil euros) para poderem trabalhar em fábricas.

As melhores e as piores

Segundo a Know The Chain, 18 empresas obtiveram 0 pontos em 100 no que toca ao recrutamento, ou seja, no esforço para reduzirem a exploração de trabalhadores por agências de contratação, com a eliminação do pagamento de taxas durante o processo e protegendo os direitos dos trabalhadores imigrantes.

O relatório também destaca as empresas que obtiveram o melhor desempenho. A Adidas foi a empresa com o resultado mais elevado (92/100), seguida da Lululemon (89/100) e da Gap Inc (75/100). A Adidas e a Lululemon são, aliás, as únicas empresas que exigem o recrutamento direto dos trabalhadores nas suas cadeias de aprovisionamento, ou seja, sem agências. Estas empresas também deram provas que disponibilizam mecanismos eficazes para receberem queixas e reclamações dos trabalhadores.

As empresas com as pontuações mais baixas incluem as marcas de luxo Prada (5/100) e Salvatore Ferragamo (13/100), e, no calçado, a Skechers (7/100) e a Foot Locker (12/100). No âmbito dos fornecedores, a Eclat Textile e Yue Yuen, ambas com 1/100, figuram entre as piores classificadas. «Um par de sapatos feito de borracha, pele, metal e algodão pode ter passado por dezenas de mãos de vítimas de trabalho forçado», alerta Kilian Moote. «Todas as marcas de vestuário e calçado estão em risco de estar associadas ao trabalho forçado e é alarmante que toda a indústria ainda não esteja a fazer o suficiente para proteger trabalhadores vulneráveis de todo o mundo», afirma o responsável.

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