Gucci alcança façanha no 3.º trimestre

A Kering viu sua ação alçar voo em mais de 8% na quarta-feira na Bolsa de Paris, no dia seguinte à publicação dos seus resultados trimestrais. A gigante do luxo dirigida por François-Henri Pinault viu seu volume de negócios acelerar no 3º trimestre de 2016, ultrapassando os 3.000 milhões de euros (+10%), graças ao excelente desempenho do seu polo de luxo.

Alessandro Michele reinterpreta com sucesso os códigos da Gucci. - © PixelFormula

Esta principal divisão para a Kering, com cerca de dois terços do volume de negócios, exibe no período um crescimento de dois dígitos. Um resultado em si surpreendente, visto o contexto económico e a reestruturação do mercado de luxo dominado por crescimentos mais modestos há um ano.
 
Com um volume de negócios de 2.110 milhões de euros, o polo de luxo registou entre julho e setembro de 2016 uma alta de 12%, com taxa de câmbio corrente, e de 11,3% em base comparativa. Ou seja, "a melhor taxa de crescimento trimestral há três anos", como aponta o diretor financeiro da Kering, Jean-Marc Duplaix, durante teleconferência com analistas.
 
Esta alta foi puxada em especial pelos resultados excecionais da Gucci, verdadeira locomotiva representando quase a metade das vendas totais do polo Luxo, com uma faturação de 1.080 milhões de euros estabelecida no terceiro trimestre.
 
A Maison dirigida por Marco Bizzarri viu suas vendas saltarem 17,8% (+17% com taxa de câmbio constante) no período, realizando "provavelmente um dos melhores desempenhos do setor, com seu primeiro crescimento na casa dos dois dígitos desde o segundo trimestre de 2012", destacou ainda Jean-Marc Duplaix.
 
Se considerarmos apenas a rede de lojas sob gestão direta da Guci, ou seja, 82% do volume total de negócios, as vendas escalaram 19% em base comparativa. Com altas recordes em todas as categorias de produtos, mas também na zona Ásia-Pacífico (+31%), assim como na Europa Ocidental e na América do Norte (+22%). Apenas o Japão, "onde o contexto de mercado é desfavorável para o conjunto do setor", conheceu um recuo das vendas de 8%.
 
Nos nove primeiros meses do ano, a Gucci avançou 8,5% (+9,3% com taxa de câmbio constante), indo a 3.000 milhões de euros, em relação aos mesmo período do ano anterior.

O homem Gucci, primavera-verão 2017 - © PixelFormula

O tratamento radical empreendido em 2015 sob a liderança do novo diretor artístico, Alessandro Michele, começa a funcionar a pleno vapor, parece. A virada estilística radical imposta pelo designer com seu universo onírico e seu lado transgénero se provou vencedora, "confirmando uma vez mais o sucesso da reinvenção criativa da Maison", comenta a Kering em um comunicado.
 
"O sucesso de Alessandro Michele reside em sua capacidade de encontrar uma história coerente entre coleções, butiques, campanha e sítio, conseguindo criar entre os consumidores uma verdadeira conexão emotiva com a marca", explicava recentemente Carlo Alberto Beretta, Chief Client & Marketing Officer da Kering.
 
A este respeito, a grife soube colocar para funcionar uma estratégia digital particularmente inovadora via coleções-cápsula exclusivas, iniciativas particulares e colaborações de destaque com artistas. As vendas no Gucci.com deram um salto de mais de 50% no trimestre, sublinha a Kering.
 
"As coleções da Gucci continuam a suscitar a adesão da clientela, seduzindo ao mesmo tempo um número crescente de novos clientes", diz entusiasmado o grupo, que deve, no entanto, redobrar a vigilância a fim de manter o desejo pela marca, sem apostar tudo no estilo bem particular e identificável, que poderia acabar por cansar.

Traduzido por Anderson Alexandre Da Silva

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