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Gucci investe mais de 10 milhões de dólares em diversidade

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
today 21 de mar de 2019
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O debate sobre diversidade na moda intensificou-se nos últimos tempos e a Gucci está a causar um grande impacto ao reforçar significativamente o seu compromisso com a responsabilidade social corporativa através do programa "Gucci Changemakers". "O objetivo mais ambicioso desta iniciativa é fazer uma mudança poderosa no mundo da moda, reforçando o impacto social e o relacionamento com as comunidades", explica a marca italiana de luxo no seu site, anunciando um investimento de mais de 10 milhões de dólares.
 

Imagem da campanha primavera-verão 2018. - Ignasi Monreal pour Gucci


A marca principal do grupo Kering foi acusada de racismo no mês passado através das redes sociais, depois de criar uma sweater preta cuja gola, uma vez erguida para cobrir a metade inferior do rosto, apresentava uma fenda vermelha no lugar da boca, remetendo aos grandes lábios de uma "blackface", a caricatura da era colonial que exagerava as características dos negros.

A Gucci pediu desculpas imediatamente e retirou a peça das lojas. "Nós vemos a diversidade como um valor fundamental, que deve ser apoiado e respeitado, e na linha de frente de todas as decisões que tomamos. Preocupamo-nos em desenvolver a diversidade em toda a nossa empresa e consideramos esse incidente como uma importante lição para a equipa da Gucci e além", disse a marca.

Este episódio levou a marca a acelerar as suas ações de desenvolvimento social e diversidade com quatro iniciativas: o recrutamento de um diretor global de diversidade e inclusão; um programa internacional de bolsas multiculturais no setor de design, que será finalizado com a contratação de cinco talentos de origens diversas para o estúdio de criação em Roma; um plano de formação para elevar o nível de sensibilização multicultural entre os 18 mil  funcionários da empresa; uma mudança concreta dentro do grupo, que resultou na transferência de três funcionários regionais para a sede da marca.

No processo, a empresa decidiu expandir e tornar público o seu projeto, iniciado internamente no ano passado e apresentado aos funcionários em janeiro deste ano na sede de Milão, "Gucci Changemakers", que significa "aqueles que mudam as coisas". Uma iniciativa para "incentivar a diversidade e inclusão" a longo prazo.

"Acredito no diálogo, na construção de relacionamentos significativos e na ação rápida. É por isso que nos preparamos imediatamente para remediar as nossas deficiências. O programa Changemakers é justamente o resultado do nosso compromisso com a inclusão e diversidade”, disse o CEO da Gucci, Marco Bizzarri, num comunicado. Bizzarri quer "estimular e apoiar de maneira mais eficaz o confronto intercultural com as comunidades conectadas, especialmente a afro-americana".

Changemakers é composto de um programa de voluntariado que permitirá aos funcionários do grupo em todo o mundo beneficiarem de quatro dias de trabalho remunerados para se dedicarem a atividades voluntárias, desde assistência (para refugiados, sem-abrigo, etc.) até proteção do meio-ambiente, educação ou promoção da igualdade.

A marca também criou um fundo, o Changemakers Fund, de 5 milhões de dólares, para "financiar iniciativas destinadas a comunidades locais em diferentes cidades da América do Norte". Outros cinco milhões serão destinados em junho deste ano a um fundo paralelo dedicado à região Ásia-Pacífico.

Além disso, para a América do Norte, 1,5 milhões de dólares serão disponibilizados para bolsas de estudos para 70 estudantes de moda que serão selecionados em quatro anos por um comité especial, o Changemakers Council, com cerca de quinze personalidades americanas.

O programa é acompanhado pelo trabalho de Alessandro Michele na parte da criação. O estilista tem promovido a diversidade desde que assumiu a direção artística da Gucci, como evidenciado pelo seu estilo muitas vezes unissexo ou pela escolha das suas musas, como a atriz modelo e transgénero Hari Nef e a atriz britânica Vanessa Redgrave, de 80 anos.

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