Gustavo Lins de volta com novo projeto Lïns Paris

Gustavo Lins está de volta com um novo projeto e uma loja no centro de Paris, na Rue Saint Martin, 219-221, perto de Beaubourg. Três anos depois de ter visto a sua marca, Atelier Gustavolins, ir à falência, o designer brasileiro instalado há 28 anos na capital começa do zero, com um talento reconhecido e um savoir-faire adquirido durante mais de duas décadas no mercado da moda e da alta costura.


Look com a arquitetura sensual de Gustavo Lins - Lïns Paris

Depois de criar a sua marca de prêt-à-porter feminina e masculina em 2004, Gustavo Lins associou-se, em 2014, a um gestor cuja estratégia de desenvolvimento não obteve os resultados esperados, e levou a sua marca à falência.

"Num ano, que eu construi em dez anos foi demolido", diz o estilista, ainda traumatizado com a experiência. No entanto, saindo deste episódio "sem amargura", e tendo "crescido e fortalecido", o criador, que nunca deixou de colaborar com a marca Petit H Hermès, decidiu fazer o seu regresso.

No início de 2017, arquivou a marca Lïns Paris, desta vez privada do seu primeiro nome, e mudou-se para o seu novo espaço na Rue Saint Martin, onde fica a sua oficina. "É uma caixinha de fósforos de 33 metros quadrados! Corto os tecidos no subsolo, no porão. No rés do chão tem a loja, e no andar de cima o atelier de criação", conta o estilista. A loja estará aberta ao público, a partir desta semana, todas as quintas, sextas e sábados, das 14h30 às 19h00.

Para este projeto, Gustavo Lins desenvolveu um novo conceito articulado em torno de dois tipos de ofertas. A primeira, vendida exclusivamente na loja, consiste num vestuário atemporal para homens e mulheres, com aparência sofisticada, “no qual a cada mês são propostas novas peças concebidas em pequenas séries, com materiais nobres - lã, seda, flanela, cashemire, com um corte flexível e ajustado e a um preço justo, razoável, de, no máximo, 1000 euros".


Novo endereço parisiense do designer brasileiro - Lïns Paris

A segunda oferta está centrada numa linha mais urbana nomeada Archi-sweat, que se desenvolve em torno de cinco peças icónicas (uma saia reversível, um vestido, uma t-shirt e duas blusas), desenvolvidas em dois materiais e três cores, que serão destinados às multimarcas, "com preços alinhados aos da loja". As vendas para os retalhistas estão programadas para começar em junho.

"Hoje, o verdadeiro problema é o preço da roupa, que se tornou mais alto. Há trinta anos, todos podiam comprar algumas peças de grandes marcas. Hoje, isso já não é possível, tornou-se proibitivo e as cadeias que padronizam o vestuário dominaram o mercado", analisa Gustavo Lins.

"Cabe-nos a nós, criadores contemporâneos, satisfazer este consumidor europeu, que está carente de bons produtos por um preço justo. Há um nicho para esta clientela europeia, que já não é alvo de grandes marcas", continua.

Para poder oferecer a sua linha urbana "focada na cultura da sweater" com preços que variam entre 250 e 380 euros, este arquiteto de formação, que foi modelista da Kenzo, Jean Paul Gaultier, John Galliano e Louis Vuitton, baseou-se na sua experiência, "em particular, no que aprendi no início da carreira no atelier da Balenciaga", a fim de otimizar ao máximo o tempo de montagem.


Com a sua nova marca, Gustavo Lins quer eliminar os géneros - Lïns Paris

À partida, são propostos cortes simples, "com padrões quase retângulos, a partir dos quais eu obtenho alguns twists, efeitos torcidos ou drapeados", diz o criador, que está a trabalhar com molleton pela primeira vez, enquanto também utiliza flanela, lã e popeline para criar peças com uma "certa sofisticação e um toque mais urbano”.

Três quintos desta coleção são unissexo, o resto é direcionado ao público feminino. "Cada peça passou de um modelo masculino para um modelo feminino para ser retrabalhada até encontrar o equilíbrio certo”. Algumas peças são dupla-face e podem ser usadas dos dois lados, estando disponíveis em tamanho único e para ambos os géneros".

Os tecidos e malhas vêm de Itália, Japão e Inglaterra, e tudo é fabricado em França. "A mão de obra é muito reativa e qualificada na França, sendo particularmente chic, clássica e confiante", diz Gustavo Lins, que também quer ser "solidário e está pronto para ajudar a impulsionar a indústria local”.

Traduzido por Novello Dariella

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