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Estela Ataíde
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17 de mar. de 2022
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Inditex aumentará preços devido ao impacto da inflação

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
17 de mar. de 2022

O conglomerado de moda galego, que agrupa as marcas Zara, Bershka, Pull&Bear, Stradivarius, Massimo Dutti e Oysho, reage ao contexto da indústria atual, marcada pela subida dos preços das matérias-primas, a crise de abastecimento, os efeitos da pandemia e o golpe da guerra na Ucrânia. Óscar García Maceiras, nomeado CEO da empresa galega em novembro passado, declarou durante a apresentação dos resultados anuais da Inditex, que teve lugar esta quarta-feira, 16 de março, na sede do grupo em Arteixo (A Coruña): "Diante do impacto da inflação, estamos a contemplar preços estáveis com ajustes seletivos para proteger as margens da empresa."


Loja da Zara em Bruxelas - Inditex


Na sua última intervenção pública como presidente da empresa, cargo que abandonará no final de março após 17 anos na empresa fundada por Amancio Ortega, Pablo Isla destacou: “Estamos num momento de volatilidade do mercado, mas o valor intrínseco da Inditex é impressionante. Obviamente, há tensões inflacionárias e o mais importante para a empresa é proteger as suas margens.”
 
Assim, a Inditex pretende manter o seu posicionamento, aplicando ligeiros ajustes ao seu negócio. “A Inditex é uma empresa global, digital, integrada e sustentável”, quis recordar Óscar García Maceiras, na sua primeira conferência de imprensa física desde que chegou à Inditex. “O nosso negócio baseia-se em oferecer a máxima qualidade e moda sustentável a um preço muito razoável para todos os nossos clientes em qualquer parte do mundo." O novo CEO argumenta que a empresa  galega está "a contemplar preços estáveis com ajustes seletivos". Nesse sentido, as subidas de preços adicionais serão “seletivas”, em função dos formatos comerciais e das categorias de produtos. Essa evolução será efetiva a partir da próxima campanha primavera-verão.

Revelando que a empresa espera que as alterações de preços “rocem um aumento médio de um dígito e sem impacto no volume, conforme evidenciado pelo valor de vendas no início do primeiro trimestre de 2022, o novo CEO continuou: “Somos uma empresa que vende moda e que não quer alterar o seu modelo de negócio, pelo que os aumentos serão seletivos e não globais.” Segundo o que foi revelado durante a apresentação de resultados pelos principais executivos da empresa, o aumento médio de preços será de 2%, tanto em Espanha como em Portugal.
 

Preços subirão de forma "seletiva" até 2% em Espanha e Portugal



Questionados sobre a situação em Portugal, onde inúmeras empresas e fábricas portuguesas estão atualmente paradas como protesto contra o aumento crescente dos preços nos últimos tempos, tanto Óscar García Maceiras como Pablo Isla reafirmaram a estreita relação com os seus colaboradores em Portugal, não estando em perigo devido ao contexto atual. “O mais importante é que a produção de proximidade é fundamental para a Inditex” sublinhou até o até agora presidente da empresa, prometendo: “A empresa vai continuar a confiar nos seus fornecedores portugueses.”

Embora a empresa não tenha fornecido uma lista detalhada de aumentos noutros mercados internacionais, o relatório detalhado de informações financeiras entregue à Comissão Nacional do Mercado de Valores Mobiliários (CNMV) espanhola explica que, "nos mercados com impacto temporário de inflação significativa ou depreciação das taxas de câmbio, a Inditex realiza os ajustes necessários”, insistindo no objetivo principal centrado na “proteção das margens”.
 
No final do passado exercício, a 31 de janeiro de 2020, a margem bruta situou-se em 15,81 mil milhões de euros, registando um crescimento de 39% e representando 57,1% das vendas, o que lhe permitiu atingir o nível mais elevado dos últimos seis anos. Por seu lado, a faturação cresceu 36% em relação a 2020, atingindo 27,7 mil milhões de euros. No entanto, este valor não chegou aos níveis pré-pandemia, ficando 2% abaixo das vendas acumuladas em 2019. Da mesma forma, o lucro líquido foi 11% inferior ao daquele ano, atingindo 3,24 mil milhões de euros.

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