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Por
AFP
Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
10 de jun. de 2020
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3 Minutos
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Inditex cotada no vermelho reforça vendas online

Por
AFP
Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
10 de jun. de 2020

O gigante têxtil espanhol Inditex, proprietário da Bershka, Lefties, Massimo Dutti, Oysho, Pull & Bear, Stradivarius, Tempe, Uterqüe e Zara - criado em 1985, por Amancio Ortega e pela ex-mulher Rosalía Mera -, anunciou, quarta-feira (10 de junho), que está a intensificar a sua estratégia de vendas online após ter sofrido uma perda líquida no primeiro trimestre, a primeira em quase 20 anos, devido à pandemia de COVID-19.

A crise sanitária "teve um impacto material nas nossas operações devido ao confinamento e às restrições impostas na maioria dos mercados", disse o presidente Pablo Isla numa conferência de analistas.

O grupo registou um prejuízo de 409 milhões de euros, no primeiro trimestre do ano fiscal adiado (1 de fevereiro a 30 de abril), tendo o resultado líquido atingido 734 milhões de euros em simultâneo, em 2019. Esta é a primeira perda comunicada desde a sua EPI em 2001.


Zara


O prejuízo inclui uma provisão de 308 milhões de euros para o programa de transformação de lojas, já em curso antes da crise.

As vendas caíram 44% para 3,3 mil milhões de euros, uma vez que o grupo teve de fechar até 88% das lojas das suas oito marcas (Bershka, Massimo Dutti, Oysho, Stradivarius, Zara, etc.) no auge da crise.

Mas, as vendas online, que representaram 14% do volume de negócios no ano passado, aumentaram 50% no primeiro trimestre, e até saltaram 95% em abril.

Os investidores na Bolsa de Madrid congratularam-se com estes anúncios, com a bolsa a subir 1,64% por volta das 9h50 GMT, num mercado estável.

Os resultados mostram "um impacto severo mas temporário" dos efeitos do coronavírus COVID-19, afirmam os analistas do Bankinter numa nota.

"O grupo mantém os seus objectivos de crescimento das vendas a longo prazo de 4 a 6% e a força do modelo é demonstrada por uma forte posição de liquidez e uma redução de 21% dos custos operacionais", acrescentaram.

Além disso, apesar das fracas vendas globais, os inventários diminuíram 10% no primeiro trimestre.

A Inditex elogia "a flexibilidade (do seu) modelo de negócio", que se baseia em encomendas efectuadas semanalmente aos subcontratantes, de acordo com a evolução das vendas, sem grandes inventários pré-construídos.


Massimo Dutti


"Confiança total"

Apesar do impacto da crise de saúde, "temos total confiança" neste modelo e "continuamos a desenvolver a nossa estratégia a longo prazo de alargar uma plataforma integrada de vendas online e em loja", insistiu o presidente Pablo Isla.

Desde 2012, a Inditex investiu cerca de 2,5 mil milhões de euros nesta estratégia, que consiste em reforçar a plataforma de vendas online, ao mesmo tempo que se separa das suas lojas mais pequenas e investe em lojas enormes e cuidadosamente desenhadas em locais de prestígio nas grandes cidades.

O grupo libertará mais 2,7 mil milhões de euros entre 2020 e 2022, dos quais mil milhões serão dedicados apenas à plataforma na Internet, sendo um dos seus objetivos a sincronização optimizada das vendas e inventários online ou em loja.

"Lojas de melhor qualidade (...) desempenharão um papel importante no desenvolvimento das vendas em linha", ao atrair clientes, disse Isla, cuja ideia é desenvolver um sistema que funcione nos dois sentidos.

Por exemplo, deixar os clientes que não conseguem encontrar um tamanho na loja saberem que o produto está imediatamente disponível online.


Pull&Bear


A Inditex espera que as vendas online representem 25% do seu volume de negócios em 2022, face a 14% em 2019.

Para o ano em curso, Pablo Isla menciona "uma recuperação gradual das vendas nos mercados onde as lojas reabriram", com quedas menos acentuadas do que no primeiro trimestre.

Em maio, as vendas diminuíram 51%, numa base cambial constante, mas 34% foram já registadas na primeira semana de junho.

Até 8 de junho, tinham sido reabertas 5.743 lojas de um total de 7.412.

Em Portugal, todas as 350 lojas da Inditex foram encerradas a 18 de março e começaram a reabrir a 7 de maio nos centros históricos de cidades como Barcelos, Lisboa e Porto, entre outras.

A Inditex, que suspendeu a distribuição dos seus dividendos de 2019, em março, explica que estes serão pagos a partir de 2 de novembro a 35 cêntimos de euro por ação.
 

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