Inovação da Barcelcom a caminho do Irão

A empresa produtora de meias, que mostrou na semana passada na Alfândega do Porto os resultados da sua aposta em I&D, está empenhada em fazer chegar ao mercado a BB-Vein, as meias para diabéticos e as peúgas de eletroestimulação, incluindo em novos mercados como a Rússia e o Irão.


Uma plateia de atuais e potenciais clientes, nomeadamente na área médica e de fisioterapia, estiveram na passada quarta-feira, 18 de julho, na Alfândega do Porto para conhecerem e até experienciarem de perto o resultado da inovação realizada pela Barcelcom nos últimos anos.

A BB-Vein, uma nanotecnologia incorporada nas fibras que permite a libertação local e gradual de agentes farmacêuticos anti-inflamatórios ou analgésicos, foi o primeiro projeto a ser apresentado. A tecnologia, incorporada em peúgas e mangas de compressão graduada, mostrou, em testes laboratoriais, ser eficaz no tratamento de entorses, dor muscular e inflamações nas articulações. «Temos testes que comprovam a eficácia na recuperação de lesões desportivas e osteoartrose moderadamente grave do joelho – é uma área onde estamos a incidir muito», revelou Gaspar Sousa Coutinho, administrador da empresa, durante a apresentação. A tecnologia, desenvolvida com o CeNTI, permite ainda “recarregar” o fitofármaco (no caso a escina) com um simples spray.

A empresa demonstrou ainda a meia para pé diabético, com estruturas adaptadas à que reduzem o atrito e melhoram o conforto e a respirabilidade, e as Electro Socks, meias de compressão graduada que permitem a ligação com aparelhos de eletroestimulação para uma recuperação mais rápida de lesões. Graças à incorporação de elétrodos secos, «pode ser ligada a qualquer aparelho de electroestimulação», explicou Juliana Cruz, investigadora da plataforma Fibrenamics, que foi parceira da Barcelcom no desenvolvimento. Este produto, que recentemente valeu à Barcelcom o Prémio Inovação NOS para PME’s, para além de acelerar a recuperação de lesões, permite ainda equilibrar a força entre as duas pernas do atleta.

Prontas para o mercado

A apresentação no Porto, referiu Gaspar Sousa Coutinho ao Portugal Têxtil, foi um primeiro passo para conseguir «visibilidade num mercado onde o passa a palavra é extremamente importante» e ajudar «a desenvolver os produtos na parte final para a comercialização».

«Há dois “vales da morte” [na inovação]. Há um que está entre a ideia, o protótipo e a fase industrial e é muito custoso, porque absorve muito fundo de maneio e nessa altura não há quase retorno nenhum. E depois há o death valley em que o produto está pronto para ser comercializado, mas é preciso metê-lo no espaço do distribuidor. Esse é o esforço final que tem que ser feito e esta apresentação faz parte do início desse caminho que agora vamos ter de percorrer», explicou o administrador da Barcelcom.

Com 15 anos dedicados à investigação, a inovação tem atualmente um papel fundamental na Barcelcom, com os produtos resultantes a representarem já 60% das vendas da produtora de peúgas, que em 2017 ficaram próximas dos 2,5 milhões de euros. «Há três anos, essa área representava 10%», sublinhou Gaspar Sousa Coutinho. A razão está essencialmente no valor acrescentado deste tipo de produto, assim como na fidelização dos clientes. «Desde que se consiga entrar no mercado, no distribuidor, e que ele comece a vender, depois é muito difícil sairmos desse ponto de venda, porque não temos praticamente concorrência. São produtos que têm propriedade industrial protegida e que não são fáceis de reproduzir. Portanto, esse aumento na faturação para exportação e o seu maior peso, é uma tranquilidade muito grande para nós. Estamos muito menos vulneráveis a situações de crise», referiu. Aliás, confessou ao Portugal Têxtil, «agora está a haver um período muito difícil em termos da Europa, sobretudo na área do vestuário, em que há poucas encomendas, e em junho-julho tivemos um mês terrível – vimo-nos aflitos em termos de produção porque não tínhamos capacidade suficiente». Nos primeiros seis meses do ano, a Barcelcom registou mesmo um crescimento à volta dos 9%. «Não quero exagerar muito, mas quanto mais vendemos, mais fácil é vendermos mais, porque de facto são produtos específicos. E desde que as pessoas vejam, experimentem e acreditem que funciona, porque eles funcionam mesmo, o crescimento é quase natural», sublinhou.

Mercados emergentes na mira

Inglaterra e Escandinávia são mercados onde a empresa, que emprega à volta de 55 pessoas, tem já distribuidores próprios, mas é pelos mercados emergentes, como a Rússia e o Irão, que deverá passar a expansão futura. «Já estamos a trabalhar com a Rússia, embora seja uma atividade de venda um bocado idêntica à do passado – estamos a vender a um grande cliente que ele próprio faz depois a distribuição a farmácias. O Irão é capaz de ser qualquer coisa idêntica», indicou o administrador. Na calha está também o Médio Oriente e os EUA, onde «provavelmente vamos entrar através do distribuidor de Inglaterra».

Numa outra área, a Barcelcom deverá em breve reformular a loja online. «É uma coisa que iremos fazer até ao final do ano», garantiu Gaspar Sousa Coutinho.

Apesar do papel crucial que a inovação tem tido no crescimento da empresa, o administrador admitiu ao Portugal Têxtil que a próxima fase deverá ser menos dedicada aos projetos de I&D e mais ao crescimento e renovação do parque de máquinas. «Se for a minha vontade a prevalecer, gostava de pôr um bocadinho o travão [aos projetos de inovação]», afirmou. «Acho que temos que pensar mais no retorno daquilo que investimos até agora. Aliás, precisamos de crescer e para crescer temos que investir. E para investir em equipamento não podemos investir tanto em inovação como temos investido até agora. Não dá para tudo», assumiu.
 
 

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