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Publicado em
19 de jul. de 2021
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3 Minutos
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ITV sob monitorização

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Portugal Textil
Publicado em
19 de jul. de 2021

A Assembleia da República aprovou uma proposta de resolução para a monitorização da resposta económica e social aos setores do vestuário, têxtil, calçado e moda, tendo como objetivos a manutenção dos postos de trabalho, a capacitação dos trabalhadores e a reorganização e inovação destas áreas.



O projeto de resolução do Partido Socialista, que foi aprovado no passado dia 9 de julho sem qualquer voto contra e com a abstenção do BE, PCP e PEV, recomenda ao Governo que monitorize o trabalho já desenvolvido e em curso nos setores do calçado, têxtil, vestuário e moda em todo o país.

Essa monitorização pretende fazer «a avaliação das medidas já indicadas nos pactos sectoriais para a competitividade e internacionalização, para que se possa salvaguardar uma total articulação com as oportunidades quer a nível nacional, quer internacional, e reforçar a preocupação para se manterem os postos de trabalho», indica o comunicado de imprensa do grupo parlamentar do PS.

Os 24 deputados do PS que subscrevem o projeto de resolução, encabeçados por Cristina Mendes da Silva, salientam que os setores do vestuário, têxtil e calçado representam cerca de 5% do PIB português e de 14% das exportações de bens, contando em conjunto com mais de 7.000 empresas, 79% das quais localizadas no norte do país, e cerca de 140 mil trabalhadores.

«O setor do vestuário cresceu 48% em exportações, de 2,2 mil milhões de euros, em 2009, para 3,2 mil milhões de euros em 2019», salienta o documento, apontando que do lado do calçado houve igualmente um crescimento significativo, tendo atingido «um montante de dois mil milhões de euros em 2017, mais 600 milhões de euros quando comparado com o início da década».

Já o setor da moda, que abrange não só os designers mas também um grande conjunto de profissionais de áreas adjacentes, incluindo modelos, técnicos de imagem, cabeleireiros, estética, maquilhagem, técnicos de fotografia, técnicos de comunicação e imagem, marketing e gestão de eventos, está «ligado ao turismo e muito em especial ao turismo de negócios e ao turismo lúdico, gastronomia e vinhos».

Perdas significativas

A crise internacional provocada pelo Covid-19 «vai trazer perdas estimadas entre 480 e 640 mil milhões de euros, o que torna o sector o segundo com maior retração, a seguir ao setor do turismo», indica o comunicado dos socialistas. «Por outro lado, quer por causa do efeito dos confinamentos devido à pandemia, quer por influência da transição digital, cada vez mais os consumidores optam pelo consumo online, com escolhas de produtos diferentes, numa perspetiva mais de sustentabilidade e menos social, levando a uma diminuição no volume de negócio», apontam.



Os deputados do PS explicam no projeto de resolução que «o vestuário, têxtil e calçado são setores de atividade de mão de obra intensiva, pelo que os gastos com o pessoal têm um peso muito elevado na estrutura. O facto de o trabalho ser produzido em linhas de montagem faz com que medidas do estado de emergência, nomeadamente as medidas de apoio à família, mas também as próprias medidas de dever de isolamento profilático e de baixa por doença, do próprio ou dos familiares, tornem muito difícil obter os mesmos níveis de produção, pois o número de trabalhadoras – na sua maior parte mão de obra feminina – é muito elevado e de tarefas que muitas vezes não são passíveis de ser substituídas, obrigando mesmo à interrupção da linha e da produção».

Tendo tudo isso em conta, a que se soma a «redução dramática das encomendas», o grupo parlamentar do PS «recomenda ao Governo a monitorização da resposta económica e social ao ecossistema do vestuário, têxtil, calçado e moda no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal e do Plano da Reindustrialização Europeia, tendo sempre em vista manter os postos de trabalho, capacitar e requalificar os trabalhadores e a reorganização e inovação dos setores».

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